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Endividamento avança em Belo Horizontee inadimplência atinge maior nível em quase um ano

As famílias de Belo Horizonte continuam recorrendo ao crédito para equilibrar o orçamento, mas a dificuldade para honrar compromissos financeiros também ganhou força em maio. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), analisados pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG e aplicados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 88,6% dos consumidores da capital mineira possuíam algum tipo de dívida no mês.

O percentual representa alta de 0,1 ponto percentual em relação a abril e confirma a permanência do endividamento em patamares elevados. Mais do que isso, a pesquisa revela um avanço da inadimplência. O número de consumidores com contas em atraso alcançou 65,2%, crescimento de 2,1 pontos percentuais na comparação mensal e o maior índice registrado desde julho de 2025.

A pesquisa mostra que o crédito continua sendo um instrumento amplamente utilizado pelas famílias. Entre os entrevistados, 40,1% se consideram pouco endividados, enquanto 28,3% afirmam estar mais ou menos endividados e 20,2% se classificam como muito endividados.

Segundo a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, o cenário reflete um equilíbrio delicado entre consumo e capacidade de pagamento. “Mesmo com o mercado de trabalho apresentando sinais positivos, o orçamento das famílias ainda enfrenta pressão. O crédito continua sendo utilizado como ferramenta para manter o padrão de consumo e acomodar despesas correntes, mas o crescimento das contas em atraso demonstra que parte dos consumidores já encontra dificuldades para administrar esses compromissos”, avalia.

A pesquisa aponta ainda uma diferença importante entre as faixas de renda. Entre as famílias com rendimento de até dez salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 89,7%, enquanto entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos o índice foi de 81,8%.

O cartão de crédito permanece como o principal responsável pelos compromissos financeiros dos belo-horizontinos. Entre os consumidores endividados, 97,3% possuem dívidas nessa modalidade.

Na sequência aparecem os carnês de lojas (29,3%), o crédito pessoal (10,1%), o financiamento de veículos (9,7%) e o crédito consignado (4,3%).

Para Gabriela Martins, a predominância do cartão exige atenção redobrada dos consumidores. “O cartão de crédito é um instrumento importante de conveniência e gestão financeira, mas seu uso sem planejamento pode comprometer rapidamente a renda familiar. Em um ambiente de juros elevados, o crédito rotativo continua sendo uma das modalidades mais caras do mercado, tornando essencial o acompanhamento constante das despesas”, explica.

Outro indicador que chama atenção é o aumento do percentual de consumidores que acreditam não ter condições de pagar suas dívidas em atraso. Em maio, esse grupo representou 26,6% dos entrevistados, acima do registrado no mês anterior.

Entre as famílias com contas atrasadas, 40,8% afirmam não ter condições de regularizar a situação já no próximo mês. O problema é mais intenso entre os consumidores com renda de até dez salários mínimos, faixa na qual o percentual chega a 28,2%. A pesquisa também revela que o endividamento tende a ser prolongado. Entre os consumidores com contas em atraso, 46,5% acumulam débitos há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso alcançou 62,9 dias. “O avanço da inadimplência indica que parte das famílias já esgotou a capacidade de absorver despesas adicionais no orçamento. Isso exige atenção, principalmente diante da necessidade de renegociar débitos antes que os juros ampliem ainda mais o comprometimento da renda”, observa Gabriela Martins.

A PEIC mostra ainda que 81,3% dos consumidores destinam mais de 10% da renda mensal ao pagamento de dívidas. Em 30,2% dos casos, o comprometimento supera metade do orçamento familiar. Em média, as dívidas consomem 32,6% da renda das famílias da capital mineira. Além disso, 78% dos consumidores possuem compromissos financeiros com prazo igual ou superior a três meses, e o tempo médio de comprometimento da renda é de oito meses. Os números reforçam que o crédito permanece como importante instrumento de consumo, mas também evidenciam a necessidade de planejamento financeiro para evitar que o endividamento evolua para situações de inadimplência mais severas.

A PEIC/BH é divulgada mensalmente pela Fecomércio MG, que acompanha o comportamento do endividamento e da inadimplência das famílias mineiras, funcionando como importante termômetro da capacidade de consumo e da saúde financeira no Estado. Em Belo Horizonte, a pesquisa ouviu consumidores com mais de 18 anos nos últimos dez dias de abril de 2026.

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