Cólicas intensas, dor durante a relação sexual, alterações intestinais no período menstrual e dificuldade para engravidar. Sintomas frequentemente enfrentados por mulheres podem esconder uma doença crônica que afeta cerca de 10% das brasileiras em idade reprodutiva: a Endometriose.
Isso significa que uma em cada dez mulheres convive com a doença. E um dado ainda mais alarmante é que, entre as pacientes inférteis, aproximadamente 50% delas têm diagnóstico de endometriose.
Em função de números tão expressivos, março é considerado o Mês de Conscientização da Endometriose, reforçando a importância das mulheres realizarem suas consultas de rotina ao ginecologista, conhecer e investigar a doença.
“É muito importante conversar com o ginecologista. A dor intensa não é normal. Muitas mulheres passam anos acreditando que a cólica faz parte do ciclo menstrual. E é por isso que, em muitos casos, a doença só é descoberta quando a paciente tenta engravidar e não consegue”, alerta a ginecologista e especialista em reprodução assistida da Huntington Pró-Criar, Dra. Luciana Calazans.
Segundo a médica, devido à importância de se discutir o tema, a Huntington Pró-Criar promove, anualmente em março, a campanha #EndoMarço, com conteúdos educativos para ampliar o acesso à informação e estimular o diagnóstico precoce.

O que é a endometriose?
A doença ocorre quando o endométrio — tecido que reveste o útero e descama na menstruação — cresce fora da cavidade uterina. Essas células podem se implantar nos ovários, trompas, intestino e bexiga, provocando inflamação crônica.
A teoria mais aceita é a do refluxo menstrual, quando parte do sangue retorna pelas trompas e se fixa na pelve. Em vez de ser eliminado pelo organismo, o tecido permanece ativo, gerando um processo inflamatório contínuo.
Sintomas que não devem ser ignorados
Os principais sinais incluem:
- Cólicas menstruais intensas e progressivas
- Dor pélvica recorrente
- Dor durante a relação sexual
- Alterações intestinais ou urinárias no período menstrual
- Dificuldade para engravidar
Dra. Luciana destaca que, apesar de apresentar alguns sinais, o diagnóstico é desafiador porque cerca de 25% das mulheres com endometriose não apresentam sintomas.
Por que a endometriose causa infertilidade?
A doença pode afetar a fertilidade de diversas formas: alterações anatômicas nas trompas, prejuízo na qualidade dos óvulos, inflamação pélvica e alterações na receptividade do útero para implantação do embrião.
Embora nem toda mulher com endometriose seja infértil, a condição é considerada uma das principais causas de infertilidade feminina.
Diagnóstico ainda é tardio
O ultrassom transvaginal com preparo intestinal pode identificar lesões sugestivas da doença. No entanto, a confirmação definitiva ocorre por meio de videolaparoscopia com biópsia.
“O acompanhamento ginecológico regular é essencial. Identificar precocemente permite controlar a progressão da doença e preservar a fertilidade”, explica a especilista.
Tratamento e chances de gravidez
A endometriose não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com cirurgia ou medicação hormonal. Mudanças no estilo de vida também auxiliam no manejo dos sintomas.
Para mulheres que desejam engravidar, técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), podem ser indicadas e apresentam boas taxas de sucesso.
“O mais importante é quebrar o silêncio. Quanto mais cedo falarmos sobre endometriose, maiores são as chances de diagnóstico precoce, tratamento adequado e preservação da fertilidade”, reforça a médica da Huntington Pró-Criar.


