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Entre taças e montanhas: vinhos mineiros ganham leitura contemporânea em Belo Horizonte

A consolidação da vitivinicultura mineira ganha novos contornos à mesa do Rex Bibendi, que passa a destacar em sua carta uma seleção dedicada a rótulos produzidos no estado. Em um movimento que acompanha o avanço qualitativo e o reconhecimento nacional desses vinhos, a casa apresenta uma curadoria que atravessa diferentes estilos — dos espumantes aos tintos estruturados — e evidencia a diversidade de perfis que hoje definem a produção mineira.

Nos últimos anos, Minas Gerais tem se afirmado como uma das regiões mais promissoras da vitivinicultura brasileira, impulsionada sobretudo pela técnica da dupla poda, que permite a colheita no inverno. Esse método, amplamente adotado no Sul do estado, favorece a maturação das uvas em condições climáticas mais secas, resultando em vinhos de maior concentração aromática, acidez equilibrada e boa complexidade. Ainda que a produção seja recente quando comparada a regiões tradicionais, o estado já reúne dezenas de vinícolas e acumula reconhecimento em concursos nacionais e internacionais.

Dentro desse cenário, os espumantes presentes na carta sintetizam frescor e precisão técnica, com rótulos que apresentam perlage fino e persistente, além de notas que transitam entre frutas brancas, panificação e toques amanteigados. Já o Maria Maria Sous Les Escaliers Nature reforça um perfil mais direto e cremoso, com acidez vibrante e final prolongado, características que vêm se tornando recorrentes nos espumantes produzidos em Minas.

Nos brancos, a expressão aromática aparece como eixo central. O Maria Maria Graça Sauvignon Blanc traz notas de maracujá, nectarina e leve presença herbal, enquanto o Mar de Morros Sauvignon Blanc amplia essa paleta com frutas cítricas e tropicais, refletindo o contraste entre dias quentes e noites frias típico das regiões de altitude.

Os rosés e tintos de perfil mais leve reforçam a versatilidade desses vinhos à mesa, com exemplares que valorizam frescor, fruta e equilíbrio. Já entre os tintos, a Syrah se destaca como uma das uvas mais adaptadas ao terroir mineiro, revelando taninos macios, especiarias sutis e boa acidez. “A ideia foi construir uma carta que mostre que Minas consegue transitar entre diferentes estilos com identidade própria”, afirma Pablo Teixeira, proprietário do restaurante.

Entre os rótulos mais estruturados, vinhos como o Maria Maria Syrah Isabela e o Gran Reserva Syrah Gaia 2021 revelam profundidade aromática, com frutas negras, especiarias e influência equilibrada da madeira. Blends e exemplares de diferentes vinícolas ampliam essa complexidade e apontam para um potencial de guarda e sofisticação crescente.

A seleção evidencia também a relação direta entre vinho e cozinha. Pratos como o tataki de atum com molho ponzu e laranja bahia encontram nos brancos e espumantes um contraponto de frescor e acidez, enquanto preparos mais intensos, como o croquete de pato ou os cubos de filé com molho roti e queijo azul, se alinham melhor a Syrahs de maior estrutura. “Cada prato foi pensado para conversar com os vinhos, respeitando textura, acidez e intensidade”, explica Jana Barrozo, chef da casa.

A curadoria da adega reforça esse olhar técnico e sensorial. “Minas vive um momento muito particular. Há uma consistência crescente na produção, e isso permite trabalhar com vinhos que têm identidade e qualidade cada vez mais evidentes”, observa Dulce Ribeiro, responsável pela seleção. Segundo ela, a escolha prioriza rótulos que expressem frescor, equilíbrio e tipicidade, valorizando produtores que investem em pesquisa e adaptação ao território. O Rex mantém sempre ao menos uma opção de vinho mineiro servida em taça.

Flights da semana destacam experiências guiadas

Mais do que uma degustação pontual, os “flights” semanais do Rex Bibendi estruturam uma experiência comparativa que convida o cliente a percorrer diferentes expressões do vinho em sequência. Organizados em pequenas séries de taças, os flights permitem observar variações de uva, método e estilo de forma mais clara, evidenciando nuances que muitas vezes passam despercebidas em consumos isolados.

Os temas dos flights variam semanalmente, acompanhando a dinâmica da adega e as possibilidades de cada momento. Por isso, não há garantia de presença de vinhos mineiros em todas as edições, embora eles possam aparecer pontualmente na seleção.

Os flights da semana podem ser conferidos no instagram @orexbibendi.

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