Menopausa, perimenopausa, reposição hormonal, metabolismo. Essas palavras estão em alta nas buscas pela internet. Esse movimento reflete o envelhecimento da população feminina, que segue em forte ascensão e chama atenção para o cuidado com a saúde das mulheres. Projeções populacionais apontam que, até 2070, cerca de 38% dos brasileiros terão 60 anos ou mais, praticamente quatro em cada dez brasileiros.
Saúde feminina e envelhecimento
Segundo os dados do Censo, a expectativa de vida feminina continua mais alta que a masculina, exigindo abordagens de cuidado com a saúde cada vez mais personalizadas e integradas. Com o aumento da longevidade, cresce também a necessidade de um cuidado mais individualizado, preventivo e centrado na pessoa.
Vem ganhando protagonismo a Medicina Integrativa, como uma estratégia relevante, capaz de responder às demandas complexas que vão além do tratamento de doenças isoladas. Segundo a ginecologista Dra. Lorena Galaes, da Clínica Integrative – Medicina Integrativa, o envelhecimento feminino traz mudanças importantes, sobretudo relacionadas à queda progressiva dos hormônios ovarianos, em especial o estrogênio e a progesterona. “Na prática clínica, a partir dos 50 anos, observo com frequência sintomas do climatério e da pós-menopausa, como ondas de calor, insônia, alterações de humor, queda de libido, ressecamento vaginal e dor na relação sexual. Abordagens convencionais são essenciais, mas não são suficientes para lidar com essa complexidade de forma preventiva e com foco na qualidade de vida”, afirma a médica.
A integração entre práticas médicas convencionais e abordagens integrativas não substitui tratamentos tradicionais, mas amplia a capacidade de resposta do sistema de saúde frente às transformações demográficas e às necessidades singulares de cada mulher.
De acordo com a Dra. Lorena Galaes, também há impactos metabólicos relevantes, como o aumento da gordura abdominal, maior resistência à insulina, dificuldade para manter o peso, elevação do colesterol e maior risco cardiovascular. “A saúde óssea também merece atenção, com aumento do risco de osteopenia e osteoporose, especialmente em mulheres que não tiveram prevenção adequada ao longo da vida”, acrescenta a médica. Outro ponto que aparece cada vez mais no consultório são as queixas cognitivas, como lapsos de memória e dificuldade de concentração.

Quando procurar ajuda médica
Dra. Lorena conta que boa parte das mulheres só procura ajuda quando apresenta consequências mais evidentes desse período. “A sociedade e o sistema de saúde, a meu ver, falham principalmente no acolhimento e na falta de informação”, aponta a médica.
“Já existe um tabu sobre o envelhecimento – e, sobretudo, sobre envelhecimento feminino. Quando as mulheres, já se sentindo com sua capacidade reduzida, se queixam e têm seus sintomas tratados como normalidade, acabam se calando, fingindo que está tudo bem e se esforçam ainda mais para dar conta do que antes era mais fácil. Com uma saúde mais sensível, entram facilmente em quadros de bournout, estafa ou depressão”, explica Dra Lorena.
Por isso, segundo a médica ginecologista, o acompanhamento nessa fase precisa ser individualizado e preventivo, olhando para a mulher de forma integral: sono, alimentação, atividade física, saúde hormonal, saúde mental e vínculos sociais. “Atuar de forma preventiva ganha ainda mais importância com o envelhecimento populacional. Envelhecer bem é possível, mas exige cuidado contínuo e personalizado”, afirma.
O que é Medicina Integrativa e por que ela importa agora
A Medicina Integrativa defende um modelo de cuidado que considera o indivíduo em sua totalidade – corpo, mente e estilo de vida – e não apenas o quadro sintomático ou diagnósticos isolados. Na prática, essa abordagem se ancora em evidências científicas e na construção de planos terapêuticos multidisciplinares, que unem medicina convencional, terapias complementares e tecnologia avançada para oferecer diagnósticos precisos e soluções personalizadas.
“A abordagem integrativa auxilia na detecção precoce de desequilíbrios que muitas vezes não se traduzem em sintomas imediatos. Para a saúde feminina, isso significa avançar no enfrentamento de condições crônicas, no manejo dos efeitos da menopausa e na prevenção de complicações metabólicas associadas ao envelhecimento”, explica Dra. Lorena Galaes.
De forma prática e resumida, a médica explica que, ao colocar a mulher no centro do processo terapêutico, com foco na prevenção e na qualidade de vida, esse modelo contribui para um envelhecimento mais saudável, protagonizado pela própria paciente. “Esse modelo de cuidado permite uma abordagem mais completa, considerando saúde hormonal, sono, nutrição, saúde emocional, prevenção de doenças crônicas e estilo de vida. Para a mulher madura, isso faz diferença real nos sintomas da menopausa, no risco cardiovascular, na saúde óssea e no bem-estar global”, conclui a especialista.



