Dando sequência ao calendário 2026 do projeto Fazenda Hiáia – Vivências Exclusivas na Natureza, o casal de empreendedores mineiros Hélida Mendonça (cofundadora e ex-diretora da Forno de Minas) e seu marido, Adolfo Nunes, abrem as portas da casa da família para mais uma “passarinhada”, com a bióloga e ecóloga Juliana Oliveira,de 21 a 23 de agosto. “Queremos promover um encontro com as aves da Mata Atlântica, voltado para pessoas que buscam momentos únicos de pausa, regeneração e conexão com a natureza e que se interessam por essa atividade”, diz Hélida.
A vivência é voltada para passarinheiros estreantes, iniciantes, amadores mais experientes e profissionais. Ela visa à prática de observação de aves nos bebedouros e comedouros dos jardins, no pomar e nas trilhas, em caminhadas diurnas e noturnas (corujadas), para a simples contemplação com binóculos e para registros fotográficos. Tudo isso tendo como cenário a Mata Atlântica de altitude preservada e a arquitetura centenária Fazenda Hiáia, restaurada por Hélida e Adolfo. “Será uma vivência para quem curte a natureza e quer iniciar-se na prática, ou para quem já é passarinheiro e quer aprofundar o olhar. O objetivo principal deste encontro é desacelerar e silenciar, por meio de uma atividade sensorial, que exige concentração plena da audição e visão”, conta Hélida, também uma amante da observação de aves,prática que deu origem ao projeto Fazenda Hiáia, para a qual o espaço tem vocação natural.
Juliana vai compartilhar com os participantes seus conhecimentos em birdwatching, sua perspectiva sobre “sobre a ligação entre o ato de passarinhar, a ciência e a atitude cidadã” e seu olhar sobre como a atividade pode transformar a vida das pessoas. “A prática de observação de aves vai muito além do turismo e do hobby, pois não se restringe a identificar e registrar espécies. Ela funciona como uma ponte entre o saber científico e a experiência sensorial. Por isso, a caminhada é um convite para silenciar o barulho interno e externo, abrir os sentidos para o inesperado e para uma conexão profunda com a natureza e consigo mesmo”, reflete a especialista.
O destaque da programação será a inauguração da Trilha das Pedras, de cerca de 600 metros, um dos marcos desta edição da Passarinhada na Fazenda Hiáia. “Seu percurso de traçado limpo foi pensado e desenhado para permitir uma caminhada leve e fluida, ideal para passarinhadas bem contemplativas e para manter o foco dos passarinheiros na observação e na fotografia das aves. A trilha possibilita a observação em ritmo lento, sem pressa, com muitas paradas para simplesmente escutar, olhar e sentir a natureza. Isso é o que chamamos de conexão e regeneração na natureza”, detalha Juliana sobre a vivência.
Os participantes poderão transitar pela exclusividade das joias endêmicas da Mata Atlântica, como o Tangará e o Macuquinho, a grandiosidade do Gavião-pega-macaco, o “rei do céu”, e o charme cotidiano das aves de jardim, como as coloridas saíras e beija-flores. Outros tipos de aves que habitam da Mata Atlântica da Fazenda Hiáia, são: a Coruja-do-mato (costuma ser vista atrás da Capela de Santa Rita da Fazenda Hiáia), a Corujinha-do-mato (geralmente avistada no pomar da propriedade), o Suiriri-Cavaleiro e o Surucuá-variado. “Por estar em uma área de transição, envolta por mata nativa e nascentes, a Fazenda Hiáia possui uma biodiversidade riquíssima, com mais de 190 espécies de aves registradas e uma cadeia alimentar completa,” diz a bióloga que vai conduzir a passarinhada.
Além das aves, a especialista detalha que o ambiente úmido e rochoso atrai uma rica fauna menor, como borboletas coloridas – em especial as azuis do gênero morpho -, pequenos lagartos que se aquecem nas pedras e mamíferos, que circulam na trilha à noite e deixam suas pegadas, como cutias, quatis, jaguatiricas, antas, macacos sauás, entre outros.

Trilha das Pedras: percurso planejado e implantado com técnica
Segundo Juliana Oliveira, a abertura de uma nova trilha para observação de aves — como a Trilha das Pedras na Fazenda Hiáia — está longe de ser apenas o ato de “passar o facão para abrir o mato”. Mais do que um caminho na mata, seu traçado foi desenhado cirurgicamente para unir a segurança e a ergonomia dos caminhantes à preservação do habitat natural da fauna, em especial das aves. “Cada curva, ponto de parada e clareira visual foram planejados para que a experiência de avistamento seja a melhor possível, sem interferir na rotina dos animais”, enfatiza. Ela pontua, ainda, que a trilha nunca passa “por cima” de áreas de nidificação (ninhos) e o traçado técnico evita fragmentar demais a floresta, garantindo que o impacto acústico e visual sobre a fauna local seja o menor possível. Atualmente, a Fazenda Hiáia possui mais de 5 km em trilhas preparadas para a observação de aves.
“O planejamento e implantação de trilhas técnicas seguem as curvas de nível do terreno, consideram o mapeamento de árvores com risco de queda, estabilização de pedras soltas (aspecto essencial na Trilha das Pedras), retirada de raízes expostas que causam tropeços e o cuidado para não expor os passarinheiros a plantas urticantes ou colmeias de abelhas e marimbondos”, destaca a ecóloga. É esse trabalho técnico invisível que consagra o guia de birdwatching como um profissional indispensável à prática em territórios de mata abundante: ele garante o conforto do observador, zela pela segurança do ecossistema e das pessoas dos grupos e atua como o tradutor dos mistérios da floresta.
Especializada em consultoria e licenciamento ambiental, com atuação híbrida entre campo e gestão, há mais de 15 anos, Juliana tem grande experiência em levantamento, monitoramento e manejo de fauna e flora silvestre, com ênfase nas aves, além de atuar com educação ambiental e monitoramento de impactos. Sua trajetória profissional inclui colaborações com ONGs, iniciativa privada e órgãos públicos, sempre com foco em sustentabilidade, comunicação com comunidades e eficiência na elaboração e execução de projetos ambientais.
“Essa experiência da Fazenda Hiáia é um convite à descompressão e ao bem-estar, por meio de uma imersão no universo das aves da Mata Atlântica e nas ‘mineiridades das nossas Gerais’. A passarinhada acontece no contato direto com a natureza, cultura, história e a Cozinha Mineira Raiz”, diz a proprietária, Hélida Mendonça. Presente em todas as refeições do espaço, preparadas com ingredientes colhidos na propriedade ou de pequenos produtores da região, a típica culinária mineira está no pacote da Fazenda Hiáia, que inclui pensão completa.
“A Fazenda Hiáia une a riquíssima biodiversidade deste importante bioma brasileiro à nossa acolhedora cultura mineira. Seu grande trunfo está no equilíbrio entre a “rusticidade do mato” e o conforto de alto padrão, o que reduz a barreira de entrada de quem tem receio da natureza selvagem e das atividades de ecoturismo”, avalia guia da passarinhada.

A mágica do Birdwatching
Pode começar no quintal de casa, nas praças e parques urbanos, com equipamentos acessíveis, como o próprio celular ou binóculos simples. E cada vez mais, a primeira experiência dos iniciantes se transforma em hobby, pois a mágica da observação de aves está na pausa das preocupações pessoais e da rotina urbana, proporcionando uma profunda conexão com a natureza. “A transição envolve consistência, mudança de mentalidade e uma imersão gradual na comunidade e na técnica. Passa a ser uma lente pela qual se enxerga o mundo: você começa a ouvir passarinhos em reuniões de trabalho e até no trânsito”, brinca Juliana. O que transforma o passarinhar em um hobby viciante é acompanhar sua própria evolução. “O passarinheiro amador evolui quando entende que o dia ‘ruim’ de passarinhada ainda é melhor do que o melhor dia trancado em um escritório. O foco muda do resultado (a ave) para o processo (estar na natureza)”, diz uma guia apaixonada pelo que faz.
Assim, praticar observação de aves é contemplar a natureza com atenção e familiarizar-se com os cantos das aves mais comuns de cada território, aumentando este repertório, aprendendo e atualizando o uso de ferramentas que auxiliam a prática. Isso porque grande parte das espécies não são facilmente identificadas visualmente, pois se camuflam na paisagem. “À medida em que os iniciantes conseguem distinguir as aves pelos cantos, eles aprimoram a sensibilidade de observar e identificar características acústicas, visuais e comportamentais. De forma geral, quando exercitamos a atenção plena (mindfulness) nos elementos da fauna e da flora de diferentes ecossistemas, também refinamos nossa sensibilidade para detalhes da natureza que, antes, eram invisíveis e imperceptíveis”, destaca a especialista. Ou seja, é uma forma de lazer que alia qualidade de vida e bem-estar à paciência e emoção da descoberta.
A primeira grande evolução é a abertura dos portais da percepção: é quando você passa por uma praça onde “só existiam pombos e bem-te-vis” e, de repente, ela te revela 15, 20 ou 30 espécies diferentes. “O birder começa a entender o habitat de cada pássaro: sabe que em um tronco seco pode ter um pica-pau, no chão úmido um pula-pula e, no pasto, um suiriri-cavaleiro. A evolução está em aprender a ler a linguagem da floresta”, diz Juliana. Assim, o birdwatching desenvolve a sensibilidade para sons, cores e movimentos da vida, evoluindo gradualmente na técnica e para uma ressignificação da relação humana com a natureza. “Além de saúde mental e física, isso agrega educação e aprendizado, ampliando a consciência ambiental e fortalecendo a ciência cidadã”, enfatiza Juliana.
Principais aspectos e benefícios das passarinhadas que agregam bem-estar
Silêncio interno: para ouvir e avistar um pássaro é preciso desacelerar, apurar os sentidos e focar no momento presente.
Conexão com a natureza: estudos mostram que passar tempo em áreas verdes reduz os níveis de cortisol (o hormônio do estresse) e melhora a regulação do humor. Passarinhar é muito mais do que um passatempo: é um exercício profundo de desaceleração e reeducação dos sentidos. Em um mundo hiper conectado e focado no imediatismo, a atividade opera uma transformação silenciosa, mas radical, em como o ser humano se posiciona diante da natureza.
Movimento sem pressão: ao contrário da obrigação de ir para uma academia treinar, a caminhada no birdwatching é contemplativa. Sem perceber, caminha-se quilômetros em parques, reservas ou até no próprio bairro.
Socialização e redes de apoio: o crescimento de grupos de observação de aves exclusivamente femininos (como o “OrnitoMulheres”, entre outros) cria espaços seguros de convivência, troca de experiências e amizades profundas, combatendo o isolamento social.
Desenvolvimento de habilidades: aprender a identificar espécies pelos cantos, entender comportamentos complexos e dominar equipamentos como binóculos e câmeras fotográficas gera um forte sentimento de competência e capacidade intelectual.
Conquista e autonomia: a sensação de “desafio e recompensa” ao encontrar uma espécie rara ou conseguir registrar um pássaro arisco valida a persistência e a paciência.
Viajar, contemplar e fotografar a natureza agregam saúde mental
Estudos científicos e pesquisas na área da psicologia, neurociência e saúde pública demonstram que viajar e praticar hobbies como observação de aves e fotografia de natureza trazem benefícios significativos e mensuráveis para a saúde física e mental. Essas atividades funcionam como intervenções de bem-estar, reduzindo o estresse, melhorando a função cognitiva, memória e a longevidade.
Viajar quebra a rotina e expõe o cérebro a novos estímulos, o que é crucial para formar novas conexões neurais e prevenir o declínio cognitivo. Levantamentos como o da Edith Cowan University (2024) indicam que pessoas que viajam com frequência podem ter uma saúde mental melhor em comparação com as que não o fazem, diminuindo casos de demência e aliviando a ansiedade. Esse estudo sugere uma nova abordagem sobre “terapia de viagem”, que pode ter um impacto positivo no bem-estar mental, principalmente para pessoas com demência, e que muitos aspectos de uma viagem – como conhecer pessoas, dormir melhor, viver novas experiências e atividades relaxantes – podem evitar o envelhecimento precoce.
Já o contato com a natureza, conforme dados do estudo neurocientífico publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS 2015), reduz a ruminação mental e a atividade na região do cérebro associada ao estresse (córtex pré-frontal subgenual). Segundo pesquisas, observar aves traz bem-estar mental imediato e melhora o humor. Entre esses estudos existe um do Instituto de Pesquisa Rotman (Canadá), publicado em março deste ano no The Journal of Neuroscience, que revelou que a observação intensiva de pássaros pode modificar a densidade do tecido cerebral. O estudo sugere que o treinamento especializado em tarefas de percepção e atenção plena deixa uma marca física no cérebro adulto, aprimorando habilidades que podem ser mantidas na velhice.
Os resultados mostraram que os praticantes experientes apresentaram maior complexidade estrutural em regiões essenciais relacionadas à atenção e memória, retardando os efeitos e sintomas do envelhecimento mental. Especialistas destacam que os benefícios podem ser multifatoriais, já que a observação de aves combina contato com a natureza, exercício físico e socialização — aspectos que reduzem o risco de declínio cognitivo e melhoram a velocidade de processamento de informações.
Por fim, também é consenso entre especialistas em saúde mental e publicações especializadas que ter a arte de fotografar a natureza como hobby também é uma forma de praticar mindfulness (atenção plena) em movimento. É como meditar com atenção focada no presente, desacelerando o pensamento e, consequentemente, diminuindo a ansiedade, estimulando a atividade cerebral, a criatividade e o desenvolvimento da habilidade técnica e da expressão artística, ativando áreas do cérebro que regulam o emocional e o prazer (dopamina).
Como começar a “passarinhar”
É um hobby democrático que não exige equipamentos caros de imediato. “O ‘kit básico’ envolve muito mais disposição e ferramentas certas para treinar os olhos e os ouvidos”, afirma a especialista Juliana Oliveira. Confira suas dicas.
1. Comece perto: observe as aves no seu quintal, bairro, praças ou parques da cidade.
2. Silencie, observe e exercite seus sentidos: contemple a natureza em silêncio para treinar a audição e a visão para reconhecer as aves pelos cantos, perceber movimentos, identificar locais, detalhes e características da fauna e da flora, antes invisíveis e imperceptíveis. O segredo está em se preparar para vivenciar um contato íntimo com a natureza, com o corpo e a mente desacelerados, abertos e focados na observação do ambiente.
3. Equipamentos básicos: ouvidos e olhos atentos, um par de binóculos (recomendado 8x ou 10x), máquina fotográfica ou celular com lentes de longo alcance ou tipo ‘super zoom’. O binóculo é o equipamento mais icônico e transformador. Ele revela cores, detalhes de plumagem e expressões das aves que seriam invisíveis a olho nu. Já o smartphone é uma ferramenta poderosa, pois além de boas imagens, substitui os livros pesados de apoio por aplicativos gratuitos, como WikiAves, e-bird, Merlin.
4. Roupas e cuidados: de cores e tons terrosos, folhosos e cinzas para se camuflar nas matas, calça, botas, blusa de mangas longas, chapéu ou boné, protetor solar, repelente e água.
5. Aprenda o básico: estude ornitologia básica, aprenda a usar tecnologias (como apps de registro) e identifique as espécies locais em plataformas como a Wiki Aves, maior comunidade de observadores de pássaros do Brasil, e a eBird, a maior do mundo.
6. Melhor horário: quem madruga colhe os melhores avistamentos. Pela manhã, bem cedo, é o horário em que as aves estão mais ativas.
7. Boas práticas: não alimentar os animais e não se afastar dos guias e sair das trilhas sinalizadas. Contrate guias especializados para uma experiência segura e imersiva.
Programação Fazenda Hiáia 2026: natureza, bem-estar e mineiridade
Com datas pré-definidas até setembro, a programação é composta por cinco eventos, até o momento, para grupos de até 15 pessoas. A cada data, uma vivência diferente, guiada por um anfitrião especialista em um tema. A vivência Fotografia de Natureza foi realizada de 29 a 31/05 e sua segunda edição está agendada para setembro, com o fotógrafo Tiago Degaspari, famoso por seus workshops. A segunda vivência foi o Cozinha Mineira Raiz, nos dias 27 e 28/06, com Dona Dalva Mendonça, mãe de Hélida, também cofundadora e autora da receita de pão de queijo Forno de Minas. A próxima será a Passarinhada, de 21 a 23/08.

O pacote inclui transfer ida e volta entre BH e a propriedade, hospedagem nos quartos da casa da família, alimentação com receitas típicas da cozinha mineira (pensão completa), com ingredientes colhidos na fazenda e na região.
A Fazenda Hiáia também atende eventos corporativos, como treinamentos, workshops, encontros e reuniões. Mais informações no site e nas redes sociais da Fazenda Hiáia ou com a agência Taste The World (veja serviço).
Serviço
Endereço: Estrada da Bandeira (entre Santa Rita de Ouro Preto e Piranga) – Santo Antônio do Pirapetinga – Piranga – MG – CEP: 36480-000
Informações e reservas: agência Taste The World – Paolla Vieira
WhatsApp: (48) 99201-4345 – paolla@tastetheworld.travel
Site: https://fazendahiaia.com.br/ – Instagram: @fazendahiaia_


