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Hepatites virais podem permanecer anos sem sintomas e atrasar o diagnóstico

Julho é o mês de conscientização sobre as hepatites virais, doenças que provocam inflamação no fígado e que podem ser causadas pelos vírus A, B, C, D e E. Embora algumas infecções apresentem sintomas logo no início, as hepatites B e C costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença durante anos sem saber. 

Em alguns casos, a infecção só é descoberta em exames periódicos ou quando já provocou complicações como cirrose e câncer de fígado. Segundo o Ministério da Saúde, as hepatites B e C são responsáveis pela maior parte das mortes relacionadas às hepatites virais no Brasil. Entre 2000 e 2024, 75,3% dos óbitos associados às hepatites tiveram relação com a hepatite C e 22% com a hepatite B. 

O hepatologista da Rede Mater Dei, Dr. Osvaldo Couto, explica que justamente por não provocar sintomas na maioria dos pacientes, a doença pode permanecer sem diagnóstico por muito tempo.

“O grande desafio das hepatites B e C é que elas podem permanecer silenciosas durante muitos anos. Grande parte dos pacientes não sente absolutamente nada e só descobre a infecção quando realiza um exame de rotina ou quando o fígado já apresenta algum comprometimento. Por isso, a testagem é tão importante, principalmente para quem faz parte dos grupos de maior risco”, explica. 

As formas de transmissão variam conforme o tipo de hepatite. A hepatite A é transmitida principalmente pelo consumo de água e alimentos contaminados ou por condições inadequadas de higiene e saneamento. Já as hepatites B e C estão relacionadas ao contato com sangue contaminado. O compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas, alicates de manicure, escovas de dente e materiais utilizados em tatuagens e piercings sem esterilização adequada são algumas das principais formas de transmissão. A hepatite B também pode ser transmitida por relações sexuais desprotegidas e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.

Embora qualquer pessoa possa ser infectada, alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver formas crônicas da doença ou de permanecer anos sem diagnóstico. Entre eles estão pessoas acima dos 40 anos, usuários de drogas injetáveis ou inaláveis, pacientes em hemodiálise, profissionais da saúde expostos a material biológico, pessoas que receberam transfusão de sangue antes da implantação dos testes de triagem e indivíduos com múltiplos parceiros sexuais ou que mantêm relações sem preservativo.

A evolução da infecção também varia de acordo com o tipo do vírus e com a resposta do organismo. A hepatite A, por exemplo, costuma ser eliminada espontaneamente, levando à cura na grande maioria dos casos. Já nas hepatites B e C, algumas pessoas conseguem eliminar naturalmente o vírus por meio da resposta imunológica, enquanto outras desenvolvem infecção crônica, que exige acompanhamento médico e tratamento para evitar complicações futuras.

Quando presentes, os sintomas podem incluir pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura, náuseas, vômitos, dor abdominal, cansaço intenso e fezes claras. No entanto, como esses sinais geralmente aparecem apenas em fases mais avançadas da doença, os especialistas reforçam que o diagnóstico não deve depender do surgimento de sintomas.

Por isso, a recomendação é que todas as pessoas realizem pelo menos uma vez na vida os testes para hepatites B e C. A indicação é ainda mais importante para pessoas com fatores de risco ou acima dos 40 anos, faixa etária em que a infecção é mais frequente.

Vacinação como principal forma de prevenção 

Além da testagem, a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra parte das hepatites virais. Atualmente, existem vacinas seguras e eficazes contra as hepatites A e B, para a hepatite C, ainda não existe vacina, tornando ainda mais importantes os cuidados para evitar a exposição ao vírus. 

Outras medidas preventivas incluem o uso de preservativos nas relações sexuais, não compartilhar objetos perfurocortantes ou de uso pessoal que possam entrar em contato com sangue, exigir materiais esterilizados em procedimentos como tatuagens e piercings e manter hábitos adequados de higiene e saneamento.

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