Os jovens mineiros Lucas Afonso Silva, 15 anos, e Maria Fernanda Machado, 18 anos, tiveram contato com a música de concerto ainda na infância, ele na igreja que frequentava com a família, ela por influência do pai, que é cantor e instrumentista. Ao longo dos anos, eles desenvolveram uma trajetória pautada pela música, que culmina agora com a participação no 14º Festival Internacional Sesc de Música, que acontecerá em Pelotas (RS), um dos maiores eventos de música de concerto da América Latina.
A história de Lucas com a música começou por meio da orquestra sacra da igreja que frequentava, em Belo Horizonte, onde nasceu seu interesse pelo violino durante as celebrações. O aprendizado tomou impulso com a ajuda do primo, que já tocava no grupo. E foi esse mesmo primo que apresentou Lucas a um professor do projeto de Orquestras Jovens do Sesc. “Foi aí que percebi que era possível fazer música”, explica.
A evolução musical trouxe um desafio decisivo: a necessidade de adquirir um violino. O instrumento custa cerca de R$ 8 mil, valor fora da realidade financeira da família. Diante da dificuldade, Lucas e a mãe encontraram uma alternativa: juntos, passaram a vender salgados para arrecadar o dinheiro. “Minha mãe e eu finalmente conseguimos pagar o violino”, conta o músico.
O esforço rendeu conquistas importantes: viagens, apresentações solos em teatros, eventos privados, casamentos. “O que marcou minha carreira foi perceber o quanto consegui progredir e evoluir”, destaca Lucas.
Já Maria Fernanda cresceu ouvindo música em virtude da profissão do pai. Mas, apesar da familiaridade, não imaginava seguir carreira profissional até ingressar no projeto do Sesc Palladium, aos 13 anos. “Na minha cabeça, seria só mais uma atividade extracurricular. Hoje, com 18 anos, tenho uma visão completamente diferente e a música faz parte dos meus planos futuros”, afirma.
Ela lembra que o Sesc foi decisivo para ampliar sua relação com a música e enxergá-la de outra forma. O projeto contribuiu não apenas para o desenvolvimento artístico, mas também pessoal. “A música foi me ajudando a superar a timidez e me dando mais segurança como pessoa e como violista”, relata.
Com carinho, ela lembra um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: a viagem ao Rio de Janeiro, onde se apresentou no Sesc ao lado de um coro de idosos. “Essa experiência me fez perceber que a música pode unir gerações, histórias, vidas e grupos sociais”, destaca.
A jovem também lembra que a música teve papel fundamental em sua recuperação de um princípio de depressão. “Ir ao projeto quase todos os dias ocupou minha mente me salvou”.
Lucas e Maria Fernanda estarão junto com outros alunos dos projetos de orquestra do Sesc, desenvolvido em 11 estados, entre eles três colegas de Minas Gerais. No total, 51 estudantes integrarão a Orquestra Jovem Sesc Brasil, que se apresentará no dia 28 de janeiro, no Theatro Guarany, sob a regência do maestro Geovane Marquetti. O grupo também participará de aulas e ensaios com diversos professores convidados do evento. Após o término do festival, eles retornam a seus estados, mas o vínculo com a orquestra continua por meio de ensaios on-line, que os prepararão para futuras apresentações.

Intercâmbio cultural marca o Festival Internacional Sesc de Música
O Festival de Pelotas reúne 400 alunos e 59 professores de 12 nacionalidades, em uma programação com mais de 115 apresentações gratuitas, espalhadas por teatros, praças, igrejas da cidade gaúcha. Pela primeira vez, o evento recebe estudantes de fora do continente americano em seu eixo educacional. Seis jovens do Reino Unido participam da classe de choro, gênero genuinamente brasileiro e símbolo da identidade musical nacional, ampliando o alcance internacional do festival e promovendo um encontro direto entre culturas.
A iniciativa é fruto da parceria entre o Sesc/RS, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Bath Spa University, e reforça o caráter internacional do festival. Além de ampliar o alcance do choro para novos públicos, o intercâmbio promove um encontro direto entre culturas, aproximando jovens europeus de um repertório tradicional ainda pouco difundido no exterior. Além do grupo inglês, o evento contará com a presença de jovens da Argentina, Colômbia, México, Peru, Uruguai e Venezuela, reforçando o caráter latino-americano e global da programação.


