O retorno do maximalismo à decoração vem marcando os projetos residenciais nos últimos anos. Muitas cores, estética chamativa, sobreposição de texturas, mistura de objetos afetivos e exuberância sem regras rígidas. O maximalismo, antes visto como exagero, ganha nova leitura: identidade, memória e expressão cultural.
Segundo o estudo “O Novo Desejo de Morar 2025/2026“, realizado pela consultoria de inteligência de mercado Humanova, foram analisadas duas décadas de pesquisas no Google e, desde 2020, as buscas pela palavra “maximalismo” aumentaram 300%. Em contrapartida, as buscas por “minimalismo” caíram pela metade no mesmo período. Uma mudança expressiva nas preferências estéticas nos últimos cinco anos.
Entretanto, segundo a arquiteta Manuela Lolato, a tendência pede cautela. “Maximalismo não se reduz a colocar muitas coisas em um ambiente. É uma linguagem estética que exige intenção, repertório e coerência com quem mora ali. Nem toda pessoa se sente bem em espaços visualmente intensos”, afirma.
O movimento conversa com um momento cultural de valorização do morar, de experiências sensoriais e da estética afetiva, um contraponto ao minimalismo neutro que dominou a década passada. Porém, a arquiteta chama atenção para três pontos fundamentais antes de aderir ao estilo:
1. Autoconhecimento
Ambientes maximalistas são cheios de estímulos visuais. Para algumas pessoas, isso é energia. Para outras, pode ser cansaço mental. “A casa precisa regular emoções, não amplificar ansiedade. Por isso, é muito importante se conhecer para fazer essas escolhas”, pontua.
2. Investimento financeiro
Diferente do que muitos imaginam, maximalismo não é improviso. Misturas harmônicas exigem curadoria, peças de qualidade, arte e marcenaria pensada. “É um estilo que pode ser mais caro porque depende de composição e não de vazio”, reitera.
3. Manutenção e organização
Mais objetos significa mais cuidado. Limpeza de todos os objetos para não acumular poeira e organização do espaço são fundamentais. Diferentes materiais demandam rotina de manutenção mais intensa.
O risco da tendência replicada
Para a arquiteta, o problema não está na estética, mas na reprodução automática de tendências vistas nas redes sociais. “Quando o maximalismo nasce da personalidade, ele é potente, criativo e acolhedor. Quando é apenas reprodução, pode virar apenas cenário e não casa”, pontua.
Ela observa que alguns clientes chegam pedindo ambientes vibrantes, vindos de inspirações das redes sociais, mas ao longo do processo percebem que preferem uma base mais neutra com pontos de cor e expressão.
Para Manuela, o estilo é artístico e muito bem-vindo, desde que seja uma escolha consciente e responsável. “É necessário pensar que a casa é um processo de autoconhecimento. ‘Eu realmente gosto disso ou só me empolguei? Faz sentido na minha rotina?’ A casa deve ser nossa extensão, precisamos primeiro pensar em quem somos antes de cair em tendências”, finaliza.

Sobre Manuela Lolato
Manuela Lolato é arquiteta e designer de interiores com 12 anos de experiência no mercado, atuando em projetos de arquitetura residencial, comercial e decoração. Já participou de quatro edições da Casa Cor Minas, é sócia do escritório Bernadette Corrêa Arquitetura e, em 2025, criou seu próprio escritório, o LOLA Studio, especializado em projetos de arquitetura e decoração contemporâneos de alto padrão.


