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Moã: projeto em BH propõe pausa coletiva e reconexão com o essencial por meio da escuta, da literatura e do encontro

Em um contexto de excesso de estímulos, produtividade constante e relações cada vez mais mediadas por telas, uma pergunta tem ganhado espaço: como desacelerar de forma real? É a partir dessa inquietação que nasce a Moã – Vivência e Acolhimento, projeto que estreia no dia 28 de março, em Belo Horizonte, com a proposta de criar pausas coletivas e experiências de presença em meio à vida urbana. 

Idealizado por Juliana Saúde, atriz com trajetória ligada à arte, saúde mental e psicanálise, e Vanessa Mendes, arquiteta, produtora cultural e padeira, a Moã surge do encontro entre duas amigas que se reconheceram nas mesmas inquietações e na forma sensível de olhar o mundo. “Moã significa ‘alma’ no Tupi-guarani. A gente partiu dessa ideia de buscar as origens, os saberes ancestrais, o tempo do silêncio e outras formas de experimentar a presença, mesmo dentro de uma cidade grande”, comenta Juliana.

Com esse ponto de partida, Moã se apresenta como um espaço vivo de criação, onde literatura, ancestralidade e experiências sensíveis se entrelaçam. A proposta é resgatar formas de presença que passam pelo corpo, pela palavra e pela relação com o outro. 

Com duração de uma manhã, a vivência reúne práticas como yoga, meditação com gongo, leitura de textos literários, momentos de pausa, entre outras atividades. Cada encontro será guiado por uma obra ou tema, que funciona como ponto de partida para as experiências. “A palavra tem um efeito no corpo. Ela mobiliza, provoca, desloca. A literatura entra como disparadora de experiências, não como algo para ser explicado, mas para ser vivido”, explica a atriz. 

A programação da primeira edição conta com nomes como Cecília Franco, do Studio Pausa Yoga, a mestre Stela Maris, do Espaço de Luz, e a artista Julia Panadés. “Ao longo da manhã, os participantes são convidados a desacelerar e experimentar o tempo de outra forma. É um convite para olhar com mais cuidado, para escutar com mais atenção. Vamos nos resgatar”, diz Vanessa.

Mais do que uma proposta individual, o projeto parte da ideia de que o cuidado só é possível no coletivo. “A gente não acredita que seja possível se cuidar sozinho. O cuidado acontece no encontro, na troca, na escuta. Moã é estar em roda, partilhar tempo e silêncio”, elucida Juliana.

A iniciativa também propõe um deslocamento no modo de perceber a vida contemporânea. “Existe um distanciamento grande da natureza e da forma de se entender como parte do mundo. A gente esqueceu de olhar para o outro e de se reconhecer como parte de um todo”, reflete Vanessa. 

Sem se posicionar como uma prática terapêutica, o Moã se propõe a ser um espaço de bem-estar e reflexão, onde é possível acolher diferenças e ampliar a percepção sobre si e sobre o coletivo. “O que a gente quer é simples. Provocar as pessoas a sentirem. Sentir o corpo, o tempo, o outro. Isso já transforma a forma como a gente vive”, afirma. 

Com grupos reduzidos, o projeto pretende acontecer mensalmente, de forma itinerante, ocupando diferentes espaços da cidade e ampliando suas possibilidades de encontro.

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Vanessa Mendes e Juliana Saúde – Foto Gilberto Goulart

Sobre as idealizadoras 

Juliana Saúde é atriz, diretora de teatro, ativista antimanicomial, professora de yoga, pedagoga e através desses saberes pesquisa o brincar, a poética da infância e a arte antimanicomial. Há quase vinte e cinco anos se dedica ao trabalho de acolhimento e criação em arte e saúde mental. É fundadora e idealizadora da Plataforma Saúde em Cena, da Ciranda Nacional de Teatro e Saúde Mental e do Sapos e Afogados Núcleo de Criação e Pesquisa em Arte e Saúde Mental, grupo formado por sujeitos atravessados pela experiência da loucura. É idealizadora e curadora do projeto Moã – Vivência e Acolhimento. Foi responsável pela introdução das oficinas de teatro nos centros de convivência na cidade de Belo Horizonte.

Vanessa Mendes é arquiteta e urbanista, formada em 2005, com ampla experiência em projetos de arquitetura, urbanismo, design de interiores e cenografia. Desenvolve projetos autorais que aliam sensibilidade estética, rigor técnico e atenção ao contexto urbano e social. É idealizadora e curadora do Moã – Vivência e Acolhimento.  É Produtora Cultural e integra o Núcleo de Criação e Pesquisa em Arte e Saúde Mental Sapos e Afogados, onde exerce as funções de Cenógrafa, Assistente de Direção e Coordenação Operacional.

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