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Mulheres ampliam liderança em BH e redesenham o mercado local

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, escancara uma contradição do mercado brasileiro: embora as mulheres sejam maioria entre as pessoas com ensino superior no país, ainda ocupam menos de 39% dos cargos gerenciais, segundo o IBGE. É nesse descompasso que as histórias locais ganham relevância. Em Belo Horizonte, mulheres têm assumido a linha de frente de restaurantes, blocos de carnaval, hubs de inovação, marcas de bebidas e grandes eventos, sustentando negócios em setores onde a presença feminina nem sempre foi regra. A seguir, reunimos mini perfis de mulheres que hoje ocupam posições estratégicas e ajudam a moldar o cenário econômico e cultural da capital.

Aline Prado – Sócia do Grupo Marchê
@grupomarche

À frente do Niê, do Montê, Complexo 104 e de uma unidade do Tatu Bola, Aline Prado construiu uma atuação que conecta gastronomia, entretenimento e construção de marcas, com olhar atento para o centro de Belo Horizonte. Sua relação com o empreendedorismo começou cedo, ainda como caixa em uma loja comandada por mulheres, experiência que moldou valores que carrega até hoje. Depois de passar por multinacionais, fundou a agência Bauhaus, foi sócia de uma grande balada na capital e consolidou uma trajetória marcada pela criação de negócios que dialogam com comportamento, experiência e identidade.

Para Aline, empreender na economia criativa é entender sobre o comportamento das pessoas. Por isso, estudar gestão e marketing faz parte da sua rotina, assim como analisar tendências e movimentos que impactam diretamente a experiência e o consumo. Como mulher em posição de liderança, reconhece que ainda é minoria em muitos ambientes. “Não é simples. Mas também significa abrir caminho. Eu gostaria muito de dividir cada vez mais posições de liderança com outras mulheres e viver um presente, e um futuro próximo, em que isso seja algo natural”, conclui.

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Aline Prado – Grupo Marche (Foto_Renata Melo)

Aline Calixto – Cantora e idealizadora do Bloco da Calixto

Com mais de duas décadas dedicadas ao samba, Aline Calixto consolidou seu nome como uma das principais vozes do gênero em Minas Gerais. Natural do Rio de Janeiro e radicada em Belo Horizonte, construiu uma carreira marcada pela valorização do samba tradicional e presença constante nos palcos. Entre seus marcos está o Bloco da Calixto, hoje tradicional no Carnaval da capital, que a tornou a primeira mulher a comandar sozinha um trio elétrico em BH e ampliou sua atuação também para a gestão da própria carreira.

Para Aline, ocupar esse espaço como mulher exige consciência e resistência. “Ser mulher nesse mundo ainda é muito complicado, por razões óbvias. Por isso mesmo, cada conquista deve ser celebrada com ainda mais intensidade.” Orgulhosa da artista e da gestora que se tornou, ela defende a sororidade como força transformadora e lembra que não é preciso ser forte o tempo todo — caminhar ao lado de outras mulheres também faz parte da construção.

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Aline Calixto – Divulgação

Jana Barozzo – Chef do Cabernet Butiquim e Rex Bibendi
@cabernetbutiquim @orexbibendi

Chef de cozinha desde 2013, Jana Barrozo construiu sua trajetória na prática, aprendendo “no erro e no acerto”. A experiência acumulada no dia a dia da cozinha consolidou repertório técnico e desenvolveu sua confiança profissional, que ganhou novos contornos quando morou na França. De volta a Belo Horizonte, passou por restaurantes importantes, participou de festivais, projetos gastronômicos, programas de televisão e assumiu grandes operações e eventos nacionais. Desde 2016 está à frente do Cabernet Butiquim e, em 2024, passou também a comandar a cozinha do Rex Bibendi.

Hoje, ocupando posição de destaque, Jana encara o reconhecimento como consequência de anos de preparo e responsabilidade. Para ela, liderança feminina na cozinha não é exceção, mas sim competência sustentada por método e visão, qualidades que orientam seu modo de conduzir equipes e processos. Essa consciência ganha mais uma dimensão quando atravessada pela maternidade. “Conseguir liderar uma cozinha e, ao mesmo tempo, ser mãe presente exige equilíbrio e clareza. Quando essa posição se alinha à maternidade, ela traz ainda mais consciência sobre escolhas e prioridades. Se minha presença abre caminho para outras mulheres entenderem que é possível construir carreira e maternidade com responsabilidade, isso já tem valor”, afirma a chef.

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Chef Jana Barrozo – Cab e Rex (Foto_Bia Braz)

Márcia Andrade – Gestora de Comunidade no P7 Criativo
@p7.criativo

Conectar criatividade a desenvolvimento econômico é o que move a atuação de Márcia Andrade há quase três décadas na FIEMG. À frente do P7 Criativo, liderou a consolidação do primeiro hub de Economia Criativa do Brasil, transformando o espaço em um polo estratégico que reúne mais de 70 empresas e impacta diretamente mais de mil profissionais. Paralelamente, no IEL e na Educação Executiva, conduz o Hub de Carreiras, desenvolvendo projetos que acompanham profissionais desde o início de suas trajetórias até cargos executivos.

Márcia entende a liderança feminina como compromisso público. “É preciso mostrar, com resultados, que mulheres podem conduzir projetos estruturantes e influenciar decisões que moldam o desenvolvimento econômico”, afirma. Para ela, ocupar esse lugar significa ter responsabilidade direta sobre políticas, conexões e impactos que reverberam no mercado e na sociedade.

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Márcia Andrade – P7 Criativo (Foto_Spot Marketing)

Lêda Nunes Soares – Técnica de Instalação e Reparação na Valenet
@valenet_oficial

Há três anos, Lêda Soares decidiu mudar de rota. Aos 38 anos, deixou a área administrativa para ingressar no setor técnico de Telecomunicações, movida pelo interesse por tecnologia. Entrou na Telemont por meio de um curso de instalação e reparação e o que começou como uma experiência em um universo totalmente novo acabou se consolidando como carreira. Hoje, atua como técnica de instalação e reparação na Valenet, empresa que integra há dois meses.

O principal desafio foi enfrentar o preconceito inicial, tanto de colegas quanto de clientes que questionavam sua capacidade técnica. Com agilidade e eficiência, Iêda transformou a desconfiança em reconhecimento profissional. Para ela, ocupar posição de destaque é provar, na prática, que competência não tem gênero. “O destaque vem da capacidade de unir a técnica ao cuidado e à presteza”, afirma. Ao olhar para o futuro, busca evolução constante dentro da empresa e vislumbra, adiante, a possibilidade de assumir funções de liderança.

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Leda – (Foto_Arquivo Valenet)

Verônica Palhares – Sócia da Manza Apple Cider
@manzacider

Formada em Publicidade e Propaganda, Verônica Palhares encontrou no empreendedorismo um caminho natural de sua trajetória profissional. Iniciante na moda, um mercado majoritariamente feminino, em 2024 direcionou sua criatividade para desenvolver um novo projeto: a  Manza Apple Cider, marca de bebidas mineira da qual é sócia e onde atua como diretora de marketing. Na Manza, encontrou a possibilidade de unir propósito e negócio, com a missão de ressignificar a sidra no Brasil.

A transição para o mercado de bebidas alcoólicas não veio sem desafios. “Tive que aprender a lidar com um mercado totalmente diferente e muito masculino. Enquanto nos meus projetos anteriores, era esperado que a profissional envolvida fosse uma mulher, quando falamos de bebida alcoólica, a maior parte dos negócios são comandados por homens”, pontua. Hoje, como única mulher no comando da Manza, Verônica reconhece a qualidade de seu trabalho e entende que ocupar essa posição tem um “sabor agridoce”. Se, por um lado, o espaço que ocupa exige preparo constante, resiliência e atenção aos detalhes, por outro, a sensação é de dever cumprido e vontade de conquistar muito mais.

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Verônica Palhares – Manza (Foto_Foto_Lucas Henrich)

Danila Maya – Produtora da Feirinha Aproxima
@projetoaproxima

Com formação em Relações Internacionais e MBA em Gestão Empresarial pela FGV, Danila Maya construiu sua trajetória profissional na produção executiva de eventos, área em que atua há mais de dez anos. No início da carreira, enfrentou o desafio de conquistar respeito de equipes em que, muitas vezes, era a única mulher e também a mais jovem, cenário que a levou a reafirmar sua competência e construir sua credibilidade no mercado por meio de muita consistência e entrega. Hoje, integra a produção da “Feirinha Aproxima”, onde lidera uma equipe alinhada e bem treinada.

Em posição de destaque, Danila reconhece que ser mulher no mercado ainda significa precisar se provar continuamente. “Ser escutada e respeitada não necessariamente vem naturalmente”, afirma. No “Projeto Aproxima”, procura imprimir um olhar mais humano à gestão, criando oportunidades, principalmente, para que outras mulheres também se sobressaiam e construam espaço profissional com menos obstáculos. Para o futuro, busca equilibrar a intensidade da carreira com a vida familiar, mantendo equipes unidas e entregas consistentes, mesmo em um setor exigente.

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Danila Maya – Projeto Aproxima (Foto_Arquivo Aproxima)

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