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Na engenharia, mulheres projetam o futuro e lideram a transformação de um setor histórico

Um transformador com especificações diferenciadas. Um equipamento com altura de transporte de 4,8 metros, o mais alto já fabricado. Subestações elétricas em um dos maiores projetos de infraestrutura do país. E, no cotidiano, cálculos e desenhos para garantir que o que sai do papel saia igual na fábrica. São exemplos de trabalhos que mostram que, na engenharia, projetar o futuro é liderado por elas.

O cenário ajuda a dimensionar esse movimento. Segundo o censo de 2024 do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), as mulheres representam 20% dos profissionais registrados no Sistema Confea/Crea. O sinal de mudança aparece quando se olha para a base: entre os profissionais com menos de 30 anos, elas já representam um terço.

Aos 27 anos, Tássia Morais faz parte dessa faixa etária que ingressou no mercado com mais espaço para crescer. Formada em Engenharia Mecânica, com intercâmbio na Alemanha, ela entrou na TSEA, empresa referência mundial na produção de transformadores de potência e reguladores de tensão, com sede em Contagem (MG), como estagiária, em 2020, e atualmente é engenheira de projetos. 

No dia a dia, seu trabalho é feito de cálculos mecânicos de resistência, desenhos de fabricação e uma conexão constante com a fábrica. “A gente supervisiona tudo o que acontece na produção para garantir que o projeto saia exatamente como planejado”. 

Na graduação, a presença feminina era rara em algumas disciplinas. “Ser mulher na engenharia pode ser solitário; em muitas matérias, eu era a única na sala, especialmente nos laboratórios.” No mercado, no entanto, as mudanças começaram a ficar mais visíveis. Atualmente, Tássia é chefiada por uma mulher.

“Na TSEA, a régua é alta para todos; o que realmente conta é o mérito e o que entregamos. Ver uma mulher em uma posição de gestão serve de inspiração. Mostra que o gênero não é um impeditivo.” 

Para as jovens que almejam entrar no mercado, mas que ainda estão encontrando o caminho, a engenheira deixa um recado: “Não duvidem de si mesmas. Aprendam a lidar com a situação e busquem ser inspiração para outras. A confiança é fundamental.” 

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Natalia e Tássia são engenheiras e trabalham na TSEA – Divulgação

Estratégia e protagonismo

Josilaine Prochnow, 42, coordenadora de engenharia da TSEA em Curitiba (PR), lembra com clareza o dia em que viu sua aprovação no vestibular para Engenharia Elétrica: era a única mulher na lista. Natural de Blumenau (SC), ela ingressou em um curso noturno e desafiador, com muitas desistências ao longo do caminho. “Foi difícil conciliar a jornada dupla de trabalho e estudo, mas eu sempre buscava me desafiar para ser tão boa ou melhor que eles”. 

Com mais de 20 anos de trajetória, Josilaine acumula projetos em diversos setores da empresa, mas um dos de que mais se orgulha envolve a transposição do Rio São Francisco. “Atuei na gestão da engenharia na implantação de subestações elétricas que alimentavam as estações de bombeamento no Pernambuco. Foi um desafio de logística, coordenação de equipes e cumprimento de prazos.” 

Atualmente, a engenheira lidera times em projetos de subestações móveis e híbridas e acompanha de perto a expansão da TSEA para os Estados Unidos.  “Hoje, olhando para o mercado, vejo que o cenário está mudando. Procuro aconselhar as engenheiras mais novas, mostrando que, às vezes, na nossa carreira, precisamos saber contornar situações e ser estratégicas para alcançar nossos objetivos.” 

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Josilaine na TSEA em Curitiba – Divulgação

Movida pelos desafios

Natalia Cristina de Matos, 39 anos, entrou na TSEA em 2004 como estagiária e, ao longo de 21 anos, tornou-se engenheira de projetos sênior na fábrica em Contagem. É especialista na parte ativa dos transformadores, a estrutura interna do equipamento, onde ficam as decisões mais sensíveis do projeto. “Eu trabalho com a parte que ninguém vê”, define. 

Sua lista de entregas é marcada por projetos desafiadores. Em 2023, com oito meses de gestação, desenvolveu um transformador para Palo Alto, nos Estados Unidos. Também assina o equipamento mais alto já fabricado pela empresa, com 4,8 metros, que exigiu um transporte planejado sob medida. 

Natália é movida pelo desejo de se desafiar. “Os projetos complexos, com muitos acessórios e especificações exigentes, me motivam, pois são sempre oportunidades de aprendizado.”

Mãe de três filhos, Natália guarda um episódio que resume bem o ambiente que encontrou na empresa: recebeu um aumento salarial enquanto estava de licença-maternidade. “Foi a primeira vez na vida que escutei falar nisso”, conta. O reconhecimento no dia a dia, ela atribui ao domínio técnico. “No meu trabalho, não vejo diferença. Quando você domina o que faz, acaba tendo o respeito das pessoas.” 

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