A discussão sobre felicidade e bem-estar deixou de ser apenas um tema subjetivo para ocupar espaço central nos debates sobre desenvolvimento, produtividade e qualidade de vida. Um reflexo disso é o avanço do Brasil no Relatório Mundial da Felicidade, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2025, o país subiu oito posições no ranking e passou a ocupar a 36ª colocação.
O tema ganha ainda mais relevância em um momento em que a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) amplia a atenção das organizações aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, reforçando a importância de práticas voltadas ao bem-estar, à saúde mental e à qualidade das relações.
Entre os reflexos dessa mudança de olhar está uma conquista inédita para o Terceiro Setor. O Instituto Ramacrisna, organização social mineira com 67 anos de atuação nas áreas de educação, formação profissional, esporte, cultura e desenvolvimento humano, recebeu oficialmente a Certificação Internacional FIB/GNH – Felicidade Interna Bruta, concedida pelo Reino do Butão. Com a conquista, o Ramacrisna torna-se a primeira organização social das Américas a receber o reconhecimento.
A entrega ocorreu durante o encontro “Quando o Bem-Estar se Torna Estratégia”, realizado nesta semana em Belo Horizonte. O reconhecimento foi entregue por Pedro Lins, facilitador oficial da metodologia FIB/GNH e parceiro institucional do Center for Bhutan Studies and GNH, órgão responsável pela disseminação da metodologia criada no Reino do Butão.
A metodologia FIB/GNH avalia aspectos como bem-estar psicológico, relações interpessoais, governança, propósito e qualidade de vida. Nesta primeira participação, o Ramacrisna recebeu três estrelas, em uma escala que vai de uma a cinco.
Segundo a vice-presidente do Instituto Ramacrisna, Solange Bottaro, a certificação reconhece uma cultura construída ao longo de décadas. “O Ramacrisna não precisou mudar sua essência para receber essa certificação. O que a metodologia fez foi reconhecer e validar práticas que já fazem parte da nossa cultura há muitos anos. Desde a fundação da instituição, acreditamos que desenvolvimento humano e resultados caminham juntos”, afirma.

Uma conversa sobre o futuro das organizações
A entrega da certificação ocorreu durante o encontro “Quando o bem-estar se torna estratégia”, reuniu lideranças empresariais, profissionais de gestão de pessoas, especialistas, representantes de organizações sociais e estudantes para discutir temas como saúde mental, cultura organizacional, desenvolvimento humano e sustentabilidade institucional.
A programação contou com a palestra “Felicidade S.A. – Pessoas Felizes, Empresas Melhores”, ministrada por Everton Lima, especialista em felicidade corporativa e desenvolvimento humano, o painel “Propósito, Bem-Estar e Resultado de Negócios: a tríade de impacto das organizações de hoje”, que reuniu especialistas das áreas de comunicação, gestão de pessoas, ESG e desenvolvimento organizacional, além da apresentação da metodologia FIB/GNH conduzida por Pedro Lins.
O encontro reforçou uma reflexão que tem ganhado espaço em organizações de diferentes setores: como construir resultados sustentáveis sem perder de vista as pessoas.
O cuidado com as pessoas como compromisso institucional
Em 2025, a Felicidade passou a integrar oficialmente os valores institucionais do Ramacrisna, fortalecendo uma diretriz que já fazia parte da trajetória da organização: colocar as pessoas no centro de sua atuação.
A busca pela certificação FIB/GNH nasceu desse movimento, como uma forma de avaliar, com método e profundidade, práticas relacionadas ao bem-estar, à governança, às relações e ao desenvolvimento humano.
A certificação dialoga com práticas já adotadas pelo Ramacrisna, especialmente na área de saúde mental. Somente em 2025, a instituição realizou 704 atendimentos psicológicos para colaboradores e 807 para alunos e aprendizes, reforçando seu compromisso com a promoção da saúde mental e do desenvolvimento integral das pessoas.
De acordo com a coordenadora de Recursos Humanos, Aline Michelli, iniciativas estruturadas de cuidado contribuem para ambientes mais saudáveis e seguros. “Quando o cuidado com a saúde mental é tratado de forma aberta e responsável, as pessoas se sentem mais seguras para buscar apoio. Isso fortalece as relações, contribui para a prevenção e gera impactos positivos para toda a organização”, afirma.


