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Paulo Santos lança o álbum “ÁraTekoha” 

O multi-instrumentista, compositor e pesquisador sonoro Paulo Santos, integrante fundador do grupo Uakti, lança seu novo álbum ÁraTekoha em Belo Horizonte com uma série de apresentações e encontros formativos em centros culturais da cidade, entre abril e maio deste ano. O show de lançamento acontece no dia 9 de abril de 2026 (quinta-feira), às 19h30, no Teatro Raul Belém Machado, na regional Noroeste, com entrada gratuita. No mesmo dia, o artista conduz a masterclass Os Sons”, das 16h às 18h, ao lado da musicista e luthier Josefina Cerqueira, em uma imersão prática nas sonoridades e instrumentos criados para o projeto. “ÁraTekoha nasce de um processo longo de escuta e reflexão sobre o nosso lugar no mundo. A música, para mim, é uma forma de pensar o tempo, a natureza e a relação que temos com a Terra. Este trabalho é um convite para percebermos o planeta com mais sensibilidade e responsabilidade”, afirma Paulo Santos. 

Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Originalmente concebido sob o título Terra, o projeto amadureceu conceitual e poeticamente ao longo do processo de composição e construção dos instrumentos, culminando na adoção do nome ÁraTekoha. Na língua Guarani Kaiowá, ÁraTekoha significa “o tempo e o lugar do nosso modo de ser”, um conceito que articula inseparavelmente território, temporalidade, existência e cultura.

Essa noção atravessa todo o álbum, que propõe uma escuta atenta às dimensões invisíveis da terra: não apenas como matéria física, mas como espaço-tempo de vida coletiva, memória, espiritualidade e relação com a natureza. A música emerge como como gesto de conexão e reflexão, dialogando com cosmovisões indígenas e com urgências contemporâneas ligadas à preservação ambiental e cultural.

O álbum apresenta uma sequência de composições que dialogam com elementos do cosmos, da natureza e da relação ancestral entre humanidade e território. O repertório reúne as peças Preâmbulo – A Gruta (O Profundo do Ser), As Plêiades (Ñokoatero Poero), O Ovo Planetário, Terra (Tekoha), Ar (Ára), Trilobita III, Sete Mares, Sementes Intergalácticas, Vulcão, 14º Baktun (Vibrações do Universo) e Átomo, além do conjunto Ára – Solos, formado pelas peças A Trilobita, Água Percutida, TriMi, Flautaques, Garrafão, Taquará, Girassino, Flaubambú e Tambor de Cabaça, Folhas e Sementes, explorando instrumentos singulares e paisagens sonoras construídas a partir de materiais diversos.

Assim como em trabalhos anteriores, Paulo Santos parte da criação de instrumentos musicais com materiais alternativos, muitos deles desenvolvidos em parceria com a musicista e luthier Josefina Cerqueira, explorando timbres singulares e possibilidades acústicas pouco convencionais. “Os instrumentos que construímos não são apenas ferramentas para produzir som. Eles fazem parte da própria narrativa musical e ajudam a construir o sentido das obras”, explica o músico.

O álbum Tekoha foi gravado no Estúdio As Três Luas, com mixagem e masterização de Mauricio Takara. Já Ára – Solos foi gravado, mixado e masterizado no Estúdio Engenho, por André Cabelo. A capa e o projeto gráfico são de Pedro Vilela, com diagramação de Albino Papa. A criação e direção do projeto são assinadas por Daniel Nunes. Todas as músicas foram compostas e arranjadas por Paulo Santos, que também executa todos os instrumentos. Os instrumentos acústicos foram construídos por Josefina Cerqueira, e a cantora Lisa Santos participa com vocal na faixa “Ára”.

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Capa “ÁRATEKOHA” – Paulo Santos

Show ÁraTekoha

O show de lançamento de ÁraTekoha foi concebido como uma experiência sonora e performativa, que evidencia o processo de criação dos instrumentos e das composições, aproximando o público da dimensão artesanal e investigativa do trabalho.

A apresentação se estrutura em dois eixos complementares. O primeiro é a formação em trio, com Paulo Santos (instrumentos, eletrônica e direção musical), Josefina Cerqueira (instrumentos construídos e objetos sonoros) e Daniel Nunes (eletrônica, processamento sonoro e performance). O segundo reúne peças solo assinadas por Paulo Santos, que aprofundam a escuta em texturas, camadas rítmicas e paisagens sonoras construídas em tempo real. O concerto alterna momentos de grande densidade sonora com passagens de silêncio e sutileza, criando um fluxo que convida o público a uma escuta expandida e sensorial. Um espetáculo que dialoga diretamente com a música contemporânea, experimental e instrumental.

Reconhecido internacionalmente por sua trajetória como integrante do Uakti — grupo com o qual atuou por 37 anos — Paulo Santos construiu uma obra marcada pela invenção sonora, pela transversalidade entre música, artes visuais e tecnologia, e por colaborações com artistas como Milton Nascimento, Paul Simon e Philip Glass. Em sua carreira solo, lançou os álbuns Música para Performances e Chama (Selo Sesc, 2022), este último dedicado à temática ambiental e apresentado em diversos palcos do Sesc no Brasil. 

Paulo Santos é uma das figuras centrais da música experimental brasileira. Além de sua atuação no Uakti, compôs trilhas sonoras para cinema, dança e artes visuais, colaborando com nomes como o cineasta e o Grupo Corpo, além de projetos com orquestras sinfônicas e artistas da cena experimental internacional.

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