Ano novo, novos planos e, para muitas mulheres, recai uma dúvida: ter ou não ter filhos? Quando tê-los? Esses são questionamentos que se tornam cada vez mais comuns e, apesar disso, o tema nem sempre é discutido nos consultórios ginecológicos.
Sem a orientação correta, um grande número de mulheres acaba perdendo o momento ideal para organizar seus planos reprodutivos, como por exemplo, optar por adiar a maternidade e realizar um congelamento de óvulos.
“Essa falta de conversa faz com que muitas pacientes se surpreendam ao descobrir que o tempo afetou suas chances de engravidar. O relógio biológico da mulher é implacável e, com o avançar da idade, a reserva ovariana vai diminuindo consideravelmente, principalmente após os 35 anos, reduzindo as chances de uma gravidez espontânea“, explica a ginecologista e especialista em reprodução assistida da Huntington Pró-Criar, Dra. Leci Amorim.
A médica ressalta que conversar com o ginecologista sobre seus planos futuros em relação a ter ou não filhos é essencial, pois o profissional trará orientações importantes que, muitas vezes, as pacientes desconhecem.
Segundo a Dra. Leci, o congelamento de óvulos, por exemplo, é uma boa opção para as pacientes que estão indecisas ou que pretendem adiar a gravidez. Mas o ideal é que ele seja realizado antes dos 35 anos, pois, com o avanço da idade, além da diminuição natural da quantidade de óvulos, há uma alteração da qualidade deles.
“O planejamento reprodutivo é uma forma de dar mais autonomia às mulheres, oferecendo conhecimento e alternativas para que elas possam alinhar seus sonhos pessoais e profissionais ao desejo de formar uma família, no tempo adequado, sem comprometer suas chances de engravidar. Daí a importância de uma boa conversa com o ginecologista sobre o assunto“, afirma a especialista.
A divulgação de experiências pessoais por mulheres com perfil público tem sido um fator de visibilidade para o procedimento. Figuras como Paolla Oliveira, Monique Alfradique, Tata Werneck, Carla Diaz, Mariana Ximenes, Nanda Costa, Nicole Bahls e Mariana Goldfarb relataram publicamente a opção pelo congelamento. Para Dra.Leci, essa exposição contribui para a circulação de informações sobre métodos de planejamento familiar.

Busca na internet por informações sobre congelamento de óvulos cresceu
Dados do Google Trends indicam crescimento consistente, nos últimos anos, das buscas pelos termos “congelar óvulos” e “congelamento de óvulos”, com picos recorrentes no mês de fevereiro. O fenômeno aponta para uma inclusão da preservação da fertilidade no planejamento de longo prazo das mulheres no Brasil.
A análise do comportamento de busca sugere que o interesse não resulta obrigatoriamente na realização imediata do tratamento. Muitas pesquisas são iniciadas por mulheres na faixa dos 20 anos com o intuito de obter dados sobre o funcionamento do sistema reprodutivo ao longo do tempo, os limites biológicos da fertilidade em diferentes idades e as possibilidades técnicas oferecidas pela medicina.
Na opinião da Dra. Leci, a implementação de protocolos específicos, tratamentos com abordagens individuais e o uso de inteligência artificial em processos laboratoriais elevaram os índices de confiança nos métodos. Além do fator tecnológico, a redução de tabus sobre a fertilidade feminina é associada à maior presença do tema nos meios de comunicação.
“A expectativa para 2026 é que a avaliação da fertilidade se integre à rotina de exames ginecológicos preventivos, funcionando como uma ferramenta de gestão de saúde e liberdade de escolha”, completa a especialista da Huntington Pró-Criar.


