Agronegócio

Saúde mental no agro: crise silenciosa avança entre trabalhadores rurais no Brasil 

A saúde mental no campo tem se tornado uma preocupação crescente no Brasil. Um levantamento da Great People Mental Health, intitulado “Saúde Mental no Agronegócio: uma crise silenciosa”, aponta que a depressão atinge 36 em cada 100 trabalhadores rurais, índice muito acima da média da população geral, estimada em 15%. O estudo também revela que pelo menos 9 milhões de pessoas que trabalham no campo desenvolvem algum tipo de problema relacionado à saúde mental.

Para a psicóloga especialista em saúde mental no trabalho, Janaína Fidelis, existe uma dificuldade histórica em falar sobre saúde mental dentro do agro. “Há uma cultura muito forte de resistência emocional no campo. Muitas pessoas acreditam que pedir ajuda demonstra fraqueza, e isso faz com que o sofrimento seja silenciado”, afirma. 

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Janaína Fidelis – Divulgação

A pesquisa foi elaborada com base em revisão de literatura especializada, dados epidemiológicos e estatísticas oficiais de saúde e organização do trabalho. O cenário chama atenção não apenas pelo número de casos, mas também pelas consequências mais graves: o agronegócio concentra taxas de suicídio superiores à média nacional. Entre os principais fatores que contribuem para o adoecimento mental no setor estão a sobrecarga de trabalho, insegurança sobre a permanência na atividade,  pressão financeira, dificuldades na sucessão do negócio, além das adversidades climáticas e perdas de safra. E o isolamento físico e social também aparece como um dos principais agravantes.

A especialista destaca ainda que a subnotificação pode tornar o cenário ainda mais preocupante. “Existe muito tabu em torno da saúde mental no setor rural. Como muitos trabalhadores vivem longe dos centros urbanos e têm dificuldade de acesso a atendimento psicológico, grande parte dos casos nem chega a ser registrada”, explica.

Para Janaína, o tema precisa ser tratado com mais seriedade e acolhimento. “O agro é um dos setores mais importantes da economia brasileira, mas ainda existe muito preconceito quando o assunto é saúde emocional. Falar sobre isso é fundamental para prevenir o adoecimento e salvar vidas”, reforça. A especialista reforça que ampliar o acesso à informação, fortalecer redes de apoio e criar espaços de escuta são passos importantes para enfrentar uma crise que, apesar de silenciosa, já impacta milhões de trabalhadores rurais do país.

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