Mesmo antes da chegada oficial do inverno, a redução da umidade do ar e as oscilações de temperatura já começam a impactar a saúde respiratória da população em Belo Horizonte. O período mais seco do ano favorece o aumento de alergias, irritações nas vias aéreas e agravamento de doenças respiratórias, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, o que também contribui para o crescimento das internações neste período.
Segundo o pneumologista cooperado da Unimed-BH, Daniel Cruz Bretas, os impactos à saúde começam a se intensificar quando a umidade relativa do ar cai abaixo dos níveis considerados ideais pela Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 50% e 60%. “O risco à saúde aumenta significativamente quando a umidade fica abaixo de 40%. Quanto mais seco o ar, maiores são os danos ao sistema respiratório, especialmente para pessoas com rinite, asma, bronquite e outras doenças pulmonares”.
De acordo com o especialista, os efeitos variam conforme os índices de umidade. Abaixo de 40%, já são comuns sintomas como ressecamento das vias aéreas, irritação nos olhos e aumento das alergias. Quando a umidade cai abaixo de 30%, aumentam os casos de sangramento nasal, garganta seca, desidratação e agravamento das doenças respiratórias. Em níveis inferiores a 20%, cresce o risco de crises de asma, bronquite e infecções respiratórias mais graves.
Entre os sintomas mais frequentes provocados pelo clima seco estão espirros, coriza, congestão nasal, coceira nos olhos, nariz e garganta, além de tosse seca e irritativa. Em alguns casos, podem surgir reações na pele, chiado no peito e falta de ar.
Segundo o médico, é importante diferenciar alergias de infecções respiratórias. “Na alergia, a coriza costuma ser clara e contínua, há muita coceira e espirros em sequência. Já nas infecções respiratórias, geralmente aparecem sintomas sistêmicos (manifestações que afetam o corpo como um todo), como febre, mal-estar, fraqueza e secreção mais espessa”.
Cuidados começam dentro de casa
Medidas simples ajudam a reduzir os impactos do tempo seco e podem evitar agravamentos. A principal recomendação é manter boa hidratação ao longo do dia e atenção à qualidade do ambiente interno.
O uso de umidificadores pode ajudar, desde que feito corretamente. “Os umidificadores auxiliam na hidratação das vias respiratórias e no alívio dos sintomas, mas precisam ser higienizados regularmente. O excesso de umidade favorece mofo e proliferação de ácaros, o que também piora quadros alérgicos”, orienta o pneumologista.
Outras recomendações incluem manter os ambientes ventilados, evitar acúmulo de poeira, reduzir o uso de tapetes e cortinas, fazer lavagem nasal com soro fisiológico e manter o uso correto das medicações prescritas para doenças respiratórias crônicas.
Crianças e idosos exigem atenção redobrada
As crianças estão entre os grupos mais vulneráveis durante o período seco, principalmente devido à imaturidade do sistema imunológico. Entre os cuidados recomendados estão lavagem nasal frequente, hidratação constante e atenção aos sinais de piora respiratória.
Já os idosos exigem atenção especial devido à maior fragilidade do sistema imunológico e à presença de doenças pré-existentes. Em muitos casos, os sintomas podem surgir de forma menos evidente, incluindo episódios de confusão mental e sonolência excessiva.
Bretas reforça que “é fundamental buscar avaliação médica ao primeiro sinal de agravamento, especialmente em idosos e crianças. Falta de ar, febre persistente, cansaço intenso, dificuldade para respirar e alterações no estado de consciência são sinais de alerta”.
Além disso, o especialista recomenda manter a vacinação em dia, evitar contato com pessoas gripadas, higienizar frequentemente as mãos e utilizar máscara em locais fechados ou em situações de maior circulação de vírus respiratórios.


