Saúde

Vacina contra gripe precisa ser tomada todos os anos?

Com a chegada do outono e o aumento da circulação de vírus respiratórios, volta também uma dúvida recorrente: é mesmo necessário se vacinar contra a gripe todos os anos? A resposta é sim. Segundo o epidemiologista do Hermes Pardini, Dr. José Geraldo Leite Ribeiro, a vacinação anual é necessária porque o vírus influenza sofre mutações frequentes, o que exige atualização periódica da fórmula vacinal.

“Sob orientação da Organização Mundial da Saúde, essa reformulação é feita a partir das análises de uma rede internacional de vigilância que monitora os vírus em circulação em diferentes regiões do mundo”, explica o especialista.

Neste ano, as vacinas foram atualizadas para as cepas com maior circulação global. A vacina tetravalente, indicada a partir dos seis meses de idade, protege contra quatro tipos de vírus: duas linhagens de influenza A (H1N1 e H3N2) e duas linhagens de influenza B. Já a Efluelda, indicada para pessoas com mais de 60 anos, é trivalente em 2026. A linhagem Yamagata foi retirada da formulação por não apresentar circulação desde 2023, sem comprometer a proteção oferecida.

De acordo com o epidemiologista, a resposta imunológica adequada ocorre em até duas semanas após a aplicação. A proteção máxima costuma durar entre três e quatro meses, com efeito residual que pode se estender por até um ano. Por isso, a recomendação é se vacinar antes do período de maior circulação viral, geralmente entre março e maio.

Para idosos, a Efluelda apresenta diferencial importante: contém quatro vezes mais antígenos do que a vacina convencional, elevando em cerca de 24% a eficácia nessa faixa etária. “Com o envelhecimento, o sistema imunológico tende a responder com menos intensidade. A dose reforçada ajuda a compensar essa diferença”, explica Dr. José Geraldo Leite Ribeiro. Segundo ele, não há aumento relevante de efeitos adversos em relação à vacina padrão, e o esquema permanece anual, com dose única.

Entre crianças de seis meses a oito anos que nunca receberam a vacina, o esquema inicial prevê duas doses, com intervalo de um mês. Nos anos seguintes, basta uma dose anual. “Vale a regra: crianças que receberam duas doses na primeira vacinação devem receber apenas uma dose nos anos posteriores”, esclarece o médico. A partir dos nove anos, o esquema vacinal é o mesmo dos adultos.

Crianças menores de seis meses não devem ser vacinadas, pois ainda não há evidências suficientes de eficácia e segurança nessa faixa etária. “A melhor forma de proteção para esse grupo é a vacinação da gestante, que transfere anticorpos ao bebê”, orienta.

Pessoas com alergia a ovo também podem receber a vacina normalmente. Segundo o especialista, a quantidade residual presente na formulação é insuficiente para provocar reações na maioria dos casos. Apenas pacientes com histórico de anafilaxia grave devem buscar orientação médica antes da aplicação.

O que a vacina não previne

A vacina contra gripe não protege contra resfriados provocados por outros vírus respiratórios, como rinovírus, adenovírus, metapneumovírus e vírus sincicial respiratório. “Ela imuniza exclusivamente contra a gripe causada pelo influenza”, reforça o epidemiologista. Essa distinção ajuda a explicar por que algumas pessoas acreditam ter adoecido mesmo após a vacinação.

As reações adversas costumam ser leves e passageiras. Quando ocorrem, limitam-se a dor ou vermelhidão no local da aplicação, febre baixa e mal-estar nas primeiras horas após a dose, desaparecendo geralmente em até 48 horas.

Gripe ou COVID-19?

Segundo o Dr. José Geraldo Leite Ribeiro, os sintomas das duas doenças podem ser muito semelhantes. “Com as variantes mais recentes da COVID-19, o quadro clínico ficou ainda mais parecido com o da gripe”, afirma. Nesses casos, o diagnóstico correto depende de testes laboratoriais.

A vacina contra gripe pode ser aplicada no mesmo dia que a vacina contra a COVID-19, sem necessidade de intervalo. A única contraindicação é estar com alguma infecção aguda em curso, como gripe, dengue ou COVID. “Não é recomendado se vacinar se estiver com alguma doença infecciosa aguda. O ideal é que a pessoa esteja sem febre e sem sintomas no dia da aplicação”, alerta.

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