Por muito tempo, a vacina contra o HPV (papilomavírus humano) ficou associada quase exclusivamente às meninas adolescentes, o que acabou centralizando o vírus como causador apenas de câncer de colo de útero. Mas o HPV é mais abrangente e está por trás, também, de cânceres de ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe (boca e garganta), além das verrugas genitais.
“O ideal é fazer a vacinação antes do contato sexual. Entretanto, mesmo após o contato inicial, há benefícios da vacinação, com redução no risco de câncer e proteção contra os outros subtipos virais”, afirma a Dra. Melissa Valentini, infectologista do Hermes Pardini. Portanto, adultos, pessoas já sexualmente ativas e até quem já teve contato com o HPV podem se beneficiar da vacina.
Quem mais pode, e deve, se vacinar
A vacina não é só para adolescentes. Alguns grupos, mais vulneráveis a infecções persistentes pelo HPV, têm indicação estendida.
“É indicada para pessoas de 9 a 45 anos, para vítimas de violência sexual, para pacientes imunossuprimidos, inclusive os que vivem com HIV e Aids, transplantados ou em tratamento de câncer, e para mulheres que já tiveram diagnóstico de lesões no colo do útero. Usuários de PrEP, a profilaxia pré-exposição sexual ao HIV, também têm indicação da vacina”, detalha a médica.
Fora dos grupos prioritários, a recomendação também é ampla. A vacina é indicada para todas as pessoas, homens e mulheres, entre 9 e 45 anos de idade. Após os 45 anos, pode ser feita com pedido médico.
Além da proteção individual, há o benefício coletivo da vacinação. “Quanto mais pessoas vacinadas, menor a circulação do HPV”, a especialista confirma.
Existe diferença de eficácia?
Uma dúvida frequente é se a idade compromete a eficácia da vacina. Não é bem assim, como explica a Dra. Melissa Valentini. Apesar de a resposta imunológica ser robusta em adultos, com queda discreta em relação à observada em adolescentes, o que muda com o tempo não é a força da vacina, e sim a probabilidade de a pessoa já ter tido contato com o vírus.
“Como a pessoa já pode ter tido contato com o vírus, ela pode ter uma proteção menor pelo contato, e não porque a imunidade é pior”, esclarece.
Nonavalente
O Hermes Pardini disponibiliza a vacina nonavalente, que protege contra nove subtipos associados à maior parte dos casos de câncer e verrugas genitais, o que amplia a proteção.
“Ela protege contra todos os subtipos da quadrivalente, além de mais cinco subtipos de alto risco, que são os subtipos 31, 33, 45, 52 e 58. Esses subtipos seriam responsáveis por cerca de 20% dos cânceres de colo de útero”, explica a especialista. Isso se soma à proteção contra os subtipos 6 e 11, associados a verrugas genitais, e 16 e 18, de alto risco, ligados a cerca de 70% dos cânceres de colo uterino.
O número de doses da vacina nonavalente muda conforme a idade. “Na rede privada, a vacina nonavalente deve ser aplicada em duas doses, com intervalo de seis meses, para pessoas entre 9 e 20 anos. Após os 20 anos, são três doses”, explica a infectologista. Já no esquema de três doses, o intervalo segue um padrão de segunda dose em dois meses após a primeira, e terceira dose em seis meses após a primeira dose.



