Em menos de duas décadas, o percentual de adultos com obesidade mais que dobrou nas capitais brasileiras e no Distrito Federal. Segundo a pesquisa Vigitel Brasil 2006–2024, divulgada em 2026 pelo Ministério da Saúde, o índice passou de 11,8% para 25,7%, uma alta de 118%. Em outubro, mês do Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado no dia 11, os números reforçam a importância de entender como a doença é identificada. O alerta também é mundial: segundo o World Obesity Atlas 2025, metade dos adultos do planeta poderá viver com sobrepeso ou obesidade até 2030, o equivalente a aproximadamente 2,9 bilhões de pessoas.
Para Fernanda Lopes, nutricionista e responsável técnica da Six Clínic, iniciativa 100% online voltada ao atendimento desse público, estar acima do peso nem sempre significa ter obesidade. “O sobrepeso é a faixa que vem antes da doença. A obesidade começa quando o IMC chega a 30 e é dividida nos graus I, II e III. Conforme essa classificação aumenta, os riscos também podem crescer, mas o número não deve ser analisado sozinho. Exames, medida da cintura, composição corporal e histórico clínico ajudam a compreender a situação de cada paciente”, explica.
A seguir, a especialista apresenta quatro fatores que merecem atenção. Confira:
1. A vida corrida aumenta o consumo de ultraprocessados
Jornadas longas, deslocamentos demorados e pouco tempo para cozinhar favorecem a procura por refrigerantes, biscoitos, salgadinhos, embutidos e refeições prontas. Embora sejam práticos, esses produtos costumam ter muitas calorias, açúcar, gordura e sódio, além de poucas fibras. “Não é preciso mudar todo o cardápio de uma vez. Preparar algumas refeições com antecedência, levar um lanche para o trabalho ou deixar frutas disponíveis em casa já facilita escolhas mais equilibradas”, orienta Fernanda.
2. O sedentarismo ocupa boa parte do dia
Trabalhar sentado, utilizar o carro em trajetos curtos e passar várias horas diante de telas reduzem o movimento diário. Mesmo quem treina durante a semana pode permanecer longos períodos sem se levantar. Caminhadas de dez minutos, uso de escadas e pequenas pausas durante o expediente ajudam a diminuir o tempo de inatividade. “Associar o movimento a tarefas comuns, como caminhar depois do almoço ou atender a uma ligação em pé, torna a mudança mais fácil de manter”, destaca.
3. Sono ruim e estresse interferem na alimentação
Dormir pouco, manter horários irregulares e viver sob tensão podem afetar a fome, a sensação de saciedade e a disposição para cozinhar ou fazer exercícios. Ansiedade, tristeza e cansaço também podem estimular o consumo de alimentos como forma de conforto. “Se a vontade de comer aparece logo após uma refeição ou em momentos de estresse, é importante identificar o que provoca essa resposta. Quando há perda de controle, culpa ou sofrimento, o apoio psicológico deve fazer parte do acompanhamento”, recomenda.
4. Condições de saúde podem influenciar
Alterações hormonais, dificuldades de mobilidade, determinadas enfermidades e o uso de certos medicamentos podem contribuir para o aumento da massa corporal ou dificultar sua redução. Mudanças rápidas nas medidas, cansaço constante, irregularidades no ciclo menstrual, aumento da fome, sono ruim e inchaço devem ser relatados durante a consulta. “Isso não quer dizer que todos os pacientes tenham uma alteração hormonal. No entanto, tentativas repetidas sem resultado precisam ser avaliadas. Remédios não devem ser interrompidos, e substâncias para emagrecer não podem ser usadas sem orientação”, alerta a profissional.
A nutricionista ainda ressalta que buscar acompanhamento não significa perseguir um padrão de aparência. “O objetivo é reduzir riscos, melhorar os exames, recuperar a mobilidade e desenvolver uma relação mais equilibrada com a alimentação. Por se tratar de uma condição crônica, o tratamento precisa ser contínuo e adaptado às diferentes fases da vida”, conclui.


