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Xadrez contribui para o desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças e adolescentes

O xadrez vem sendo considerado cada vez mais uma ferramenta importante para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes. A prática estimula habilidades como concentração, memória, raciocínio lógico, tomada de decisões e controle emocional, competências que refletem diretamente no desempenho escolar e na convivência cotidiana.

Muitas escolas já têm implementado a modalidade. No Instituto Ramacrisna, o xadrez faz parte das atividades oferecidas aos alunos do Centro de Apoio Educacional Ramacrisna (CAER) e vem contribuindo significativamente para o crescimento pessoal de dezenas de crianças e adolescentes. Durante as aulas, os participantes aprendem muito além dos movimentos das peças: desenvolvem disciplina, paciência, planejamento e confiança em si mesmos.

Segundo a psicóloga do Instituto Ramacrisna, Jéssica Tauane, o jogo também pode ser um importante aliado no fortalecimento emocional das crianças. “O xadrez trabalha habilidades cognitivas essenciais, mas também contribui para questões emocionais, como autocontrole, tolerância à frustração e autoestima. Muitas crianças encontram no jogo um espaço seguro para desenvolver confiança e aprender a lidar com desafios de forma saudável”, explica.

Ela esclarece como funciona o processo. “O nosso córtex frontal se desenvolve até os 25 anos. Ele é a área do cérebro responsável pelas funções executivas avançadas, controle emocional, atenção, planejamento, tomada de decisões e construção da personalidade. O jogo exige antecipação e autocontrole, promovendo o desenvolvimento de conexões neurais que melhoram o planejamento, o julgamento e a tomada de decisões, é como se o cérebro estivesse sendo treinado para determinadas situações”, conclui.

O professor de xadrez, Bruno Jacomini, destaca que o impacto das aulas pode ser percebido tanto dentro quanto fora do tabuleiro.  “O xadrez ensina a pensar antes de agir. A criança aprende que cada escolha gera uma consequência e isso ajuda no desenvolvimento da responsabilidade e da capacidade de adaptação e de resolução de problemas complexos. Além disso, vemos uma melhora significativa na concentração e no comportamento deles”, afirma.

Entre as histórias que demonstram a força transformadora do esporte está a da pequena Maria Eduarda Reis, de 10 anos, participante das atividades de xadrez desde os 6. A mãe da aluna, Josiane Reis, conta que a filha sofria crises intensas de ansiedade e, após iniciar nas atividades, as crises diminuíram cerca de 80%. “A Maria começou a ter crises de ansiedade muito nova, era extremamente tímida e tinha dificuldade para fazer interação social. O xadrez foi essencial para a virada de chave dela. Além da redução das crises de ansiedade, ela passou a se concentrar melhor em suas tarefas, melhorou sua comunicação e se expressa bem em diversos assuntos”, relata.

E a pequena já coleciona diversas conquistas nos tabuleiros. “Maria tem um forte lado competitivo e já participa de torneios há um bom tempo. Ao longo destes anos, conquistou diversas medalhas e troféus. O xadrez é o momento dela de se expressar, ela ama. E isso impacta nos estudos dela também. Desde que iniciou, é nítida a melhora dela de concentração, raciocínio lógico e também na postura, ensinamentos que ela levará pela vida toda. Me sinto muito orgulhosa ”, finaliza.

Além dos benefícios cognitivos e emocionais, o xadrez também promove inclusão, socialização e desenvolvimento da autonomia. Em uma época em que crianças e adolescentes convivem diariamente com estímulos rápidos e excesso de telas, atividades que incentivam a atenção, o pensamento estratégico e a interação saudável tornam-se ainda mais relevantes.

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