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41º Festivale, em Botumirim, foi um sucesso e reafirma a força da cultura popular do Vale do Jequitinhonha

Com ruas decoradas, cantorias, apresentações culturais e a participação da comunidade e turistas, Botumirim, no Norte de Minas, viveu cinco dias de intensa celebração da cultura popular. Entre 28 de julho e 1º de agosto, a cidade sediou a 41ª edição do Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha (Festivale), que reuniu artistas, mestres, artesãos e visitantes de diversas localidades.

A programação, que foi gratuita e que celebrou as tradições, os saberes populares e a identidade cultural do Vale do Jequitinhonha, teve oficinas, apresentações teatrais, mostra de arte, feira de artesanato, encontros de mestres da cultura popular, rodas de conversa, manifestações tradicionais, e shows. Ao longo do evento, artistas de diversas regiões de Minas Gerais e de outros estados compartilharam experiências e promoveram um intenso intercâmbio cultural.

Nesta edição, o Festivale homenageou cinco mulheres que marcaram a história da cultura do Vale do Jequitinhonha: a cantora e compositora Déa Trancoso, a artesã Marlice Machado, a poetisa Vilma Baracho, a mestra da cultura popular Jovença Pereira da Costa e a atriz Cristina Gonçalves. Todas foram reconhecidas por contribuições à preservação da identidade cultural da região.

Realizado pelo Instituto Sociocultural Bruta Flor, pela nova diretoria da Federação das Entidades Culturais e Artísticas do Vale do Jequitinhonha (FECAJE) e Prefeitura Municipal de Botumirim, o Festivale consolidou mais uma vez sua importância como um dos principais movimentos de resistência e promoção da cultura popular do país.

Um dos momentos marcantes do festival foi a Noite Literária “Vilma Baracho Vive”, que premiou autores de diferentes cidades mineiras pela excelência na interpretação de poemas. O 1º lugar ficou com Allef Heberton, de Itinga, pelo poema “Velho Jequitinhonha”. A 2ª colocação foi conquistada por Robson, de Botumirim, com a obra “Cordilheira”. Já o 3º lugar foi para Demi Simão, de Itamarandiba, autor do poema “Dois Irmãos Indígenas”. E o prêmio de “Melhor Intérprete” foi concedido a Felipe Cortez, de Taiobeiras, pela apresentação do poema “O Palhaço”, de autoria de Júlio Vieira.

Já o Festival da Canção “Déa Trancoso” revelou novos talentos da música autoral e premiou compositores e intérpretes de diferentes regiões de Minas Gerais. A canção “Fel e Flor”, de Marcelo Fonseca, de Lagoa Santa, conquistou o 1º lugar da competição. A música foi interpretada por João de Ana, com participação de Gabriel Francisco.

O 2º lugar ficou com “Serrinha Botumirim”, de Denisar Mota, representante de Botumirim. Já a composição “É História de Pescador”, de Wesley R. Barcellos, de Itinga, garantiu a 3ª colocação. O prêmio de Melhor Canção do Vale do Jequitinhonha foi concedido à música “Lua Para Clarear”, de Zaak Porto, de Almenara, reconhecendo a valorização da identidade e das tradições da região por meio da música. Já o prêmio de Melhor Intérprete foi para Felipe Cortez, de Taiobeiras, pela apresentação da canção “Raio & Trovão”.

O Primeiro Encontro de Bois do Vale do Jequitinhonha contou com apresentações da Folia de Reis Grande Família Luan e Vanessa, JJ e Elenita, do Mestre Bira, e JB e Divina, do Mestre Jaime, de Pedra Azul; do Boi de Janeiro e Nega Maluca de Maria Trovão, de Itaobim; do Boi do I e Boi dos Guaranis, de Salto da Divisa; e da Folia de Reis de Maria do Bode, de Almenara. O encontro contou ainda com a participação especial do Cordão de Espadas, de Salto da Divisa.

A Feira de Artesanato Marlice Machado foi um dos espaços mais visitados, com a presença de artesãos de diferentes regiões do Vale do Jequitinhonha. O público encontrou trabalhos em barro, esculturas, bonecas, bois, vestuário, bijuterias, colchas, itens de decoração, peças de tecelagem e diversos produtos artesanais.

Houve também o Primeiro Encontro de Mestres que reuniu importantes representantes da cultura popular do Vale do Jequitinhonha para um momento de compartilhamento de conhecimentos, experiências e saberes tradicionais. Participaram da atividade Mestre Antônio, de Minas Novas; Mestra Marlice Machado, de Jequitinhonha; Mestre Ailton Gomes, de Almenara; Mestre Ulisses Mendes, de Itinga; e Mestra Maria Efigênia Costa, de Itaobim, que destacaram a importância da preservação e da transmissão das tradições culturais para as novas gerações.

A Mostra de Teatro Cristina Gonçalves levou ao público o espetáculo “A Mais Forte”, apresentado pela Ícaros do Vale – Cia de Teatro, de Araçuaí, “A Rua a Lama e a Santa” da Carroça Teatral (Sete Lagoas) e “A Morte do Palhaço” do GRUTI (Itinga)

Já na Mostra de Cultura Popular Jovença Pereira da Costa, a Praça João Nassau recebeu apresentações do Congado Nossa Senhora do Rosário – Batuque dos Quilombolas, de Berilo; do Grupo de Catopês, Marujada e Caboclinhos, de Montes Claros; e do Grupo Caboclo Surubim, das comunidades quilombolas de Poções e Porto Alves, em Chapada do Norte.

A música também teve papel de destaque ao longo dos cinco dias de festival, reunindo artistas consagrados, novos talentos da cena mineira e grupos ligados às tradições da cultura popular. Houve apresentações de Saulo Laranjeira, Titane, Novos Trovadores do Jequitinhonha, Banda Congadar, Bete Antunes, Coral Araras Grandes e Projeto Terceira Margem, Bruno Mark, A Outra Banda da Lua, Banda Xumbim com Rapadura, Olga Lívia, Déa Trancoso, Coral Trovadores do Vale, Vinícius Lúcio, vencedor do Festival da Canção da 40ª edição do Festivale, além dos corais Flor da Terra e Água Branca.

Além da programação artística, os visitantes participaram de passeios guiados por atrativos turísticos de Botumirim, conhecendo cenários naturais como o Rio do Peixe e outros pontos de interesse do município. A iniciativa proporcionou uma experiência que uniu cultura, história e natureza, permitindo ao público conhecer de perto as belezas que fazem da cidade um dos destinos mais encantadores do Norte de Minas.

Um dos momentos mais marcantes da 41ª edição do Festivale foi a tradicional Bênção das Águas, no último dia, realizada às margens do Rio do Peixe. A cerimônia reuniu manifestações de fé, ancestralidade e devoção, com a presença do Terno de Catopês de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, de Bocaiúva; o Terreiro São Rafael, de Medina; os Tamborzeiros de Nossa Senhora do Rosário, de Virgem da Lapa; e o Congado de Nossa Senhora da Conceição, de Couto de Magalhães de Minas. O ritual emocionou o público ao unir música, espiritualidade e reverência às águas, simbolizando a força das tradições afro-brasileiras e o respeito à natureza.

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