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Dia Internacional da Mulher: SBM-MG chama a atenção para a dificuldade do acesso ao diagnóstico

O Brasil deve registrar cerca de 74 mil novos casos de câncer de mama , segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2023–2025. A doença permanece como a mais incidente entre mulheres e principal causa de morte por câncer na população feminina. Apesar dos avanços terapêuticos, o país ainda enfrenta um problema estrutural: o diagnóstico tardio.
Em nações com rastreamento organizado, como Canadá e Estados Unidos, a maioria dos tumores é identificada em estágios iniciais, o que amplia significativamente as taxas de sobrevida. No Brasil, entretanto, uma parcela relevante das pacientes atendidas no sistema público inicia tratamento com doença localmente avançada ou metastática — cenário associado a maior mortalidade e maior custo assistencial.

Para Henrique Lima Couto, mastologista e presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais, o fator determinante é o tempo. “Em oncologia, tempo é prognóstico. Quando o diagnóstico atrasa, a chance diminui. O problema não é apenas a incidência elevada, mas a demora entre o primeiro sintoma, o exame e o início do tratamento.”

O especialista destaca que o país ainda não dispõe de um rastreamento nacional organizado e universalizado por mamografia, o que gera desigualdades regionais e impacto direto na sobrevida das pacientes. “Quando o sistema demora, a doença avança. E o atraso se reflete nas taxas de mortalidade. Não estamos falando apenas de números, mas de desfechos que poderiam ser diferentes com organização e acesso.”

No Dia Internacional da Mulher, o debate sobre câncer de mama ultrapassa a conscientização simbólica e se consolida como questão de política pública. Especialistas defendem que ampliar acesso, estruturar rastreamento e reduzir o intervalo entre diagnóstico e tratamento são medidas essenciais para alterar o panorama da doença no país.

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