A partir do dia 18 de abril, Belo Horizonte recebe as gravações de Encontro e Despedida, novo filme escrito e dirigido por Guilherme Araponga. Inspirada em uma história real vivida na capital mineira, a produção tem no elenco José de Abreu, Bernardo Filaretti, Luiza Filaretti e Eda Costa, e tem pré-estreia prevista para o segundo semestre de 2026. O filme conta com realização da Filaretti Produções, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet) e patrocínio master da Gasmig.
Com narrativa centrada no reencontro entre pai e filho após anos de afastamento, o roteiro acompanha estes dois personagens em um leito de hospital, no momento final da vida do pai. A partir dessa situação limite, o filme se debruça sobre temas como abandono afetivo, relações familiares e os atravessamentos emocionais que emergem quando não há mais tempo para reorganizar o passado.
“O cinema que me interessa nasce muito mais do que não é dito do que do que é falado. Em Encontro e Despedida, o silêncio tem peso. Ele atravessa o quarto, preenche os intervalos, está entre pai e filho o tempo inteiro. O filme não tenta fechar feridas que passaram a vida inteira abertas. Ele observa o momento exato em que dois homens, unidos por um abandono que nunca cicatrizou, são obrigados a permanecer um diante do outro até o fim. Sem redenção”, afirma o diretor Guilherme Araponga.
A encenação aposta em um caminho naturalista, com uma câmera que acompanha a ação de forma discreta, quase como uma observadora. O hospital, mais do que cenário, funciona como um espaço de confinamento emocional, onde o tempo se dilata e não há possibilidade de fuga. A escolha pelo formato de imagem 4:3 e pelo preto e branco contribui para essa sensação de proximidade e intensidade, destacando os rostos, os gestos e o desgaste físico e emocional dos personagens.
José de Abreu, que vive o pai, destaca a força do tema e sua conexão pessoal com a história. “Essa relação pai e filho é uma coisa que me interessa muito. Eu perdi um filho quando ele tinha 21 anos e isso deixa uma marca muito grande. O roteiro é extremamente interessante, me pegou, e as conversas com o diretor são sempre muito boas. Estou bastante animado”, conta.
Encontro e Despedida se constrói como uma investigação sensível sobre memória, culpa e herança emocional. “Dirigir esse filme em Minas, com uma equipe majoritariamente mineira, diversa e formada em sua maioria por mulheres, tem um peso simbólico enorme pra mim. Voltar a Belo Horizonte, onde essa história real aconteceu, é quase como fechar um ciclo que ficou aberto dentro de mim. Trabalhar com José de Abreu, Bernardo Filaretti, Luiza Filaretti e Eda Costa é uma responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma honra imensa, porque são atores talentosíssimos dando corpo e voz a algo que foi muito meu”, finaliza o diretor.
Bernardo Filaretti, também mineiro, reflete sobre a profundidade de seu personagem: “Eu tenho buscado histórias que me coloquem em conflito de verdade. Eu gosto de personagens que eu preciso fazer uma pesquisa imensa pra entender o que se passa dentro dele, descobrir os porquês, investigar minha vida e meus sentimentos. Além disso, ter José de Abreu como meu pai no cinema é um privilégio enorme. Me sinto muito alimentado”, comenta.
A locação escolhida é o Hospital São Rafael, em Belo Horizonte, que dará ainda mais veracidade ao filme.



