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Hipertensão: estilo de vida saudável é principal fator de prevenção

A hipertensão arterial, condição que afeta cerca de 27,9% dos brasileiros segundo dados do Vigitel 2023, segue como um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Silenciosa na maioria dos casos, ela pode evoluir sem sintomas até provocar complicações graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal.

Diante desse cenário, a prevenção tem ganhado ainda mais destaque nas diretrizes atuais. Segundo o cardiologista Dr. Daniel Marotta, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o controle da pressão arterial começa principalmente fora do consultório.

“A hipertensão é, em grande parte, consequência do estilo de vida. Intervenções precoces, como ajuste da alimentação, prática regular de atividade física, melhora do sono e controle do estresse, são fundamentais tanto para prevenir quanto para tratar a doença”, explica o médico.

Um dos pontos importantes para prevenção ou tratamento é a alimentação, pois a dieta impacta diretamente o volume de sangue circulante no organismo e a elasticidade das artérias. O sal é o principal tempero a ser evitado e controlado tanto por quem tem hipertensão quanto para prevenção da doença.

“O excesso de sódio aumenta o volume de sangue circulante e eleva a pressão arterial. O ideal é consumir menos de 5 gramas de sal por dia e evitar alimentos ultraprocessados e embutidos”, ressalta Marotta. No entanto, segundo o especialista, o potássio é benéfico nessa situação pois esse mineral atua como contraponto ao sódio, facilitando sua eliminação e promovendo o relaxamento dos vasos. Ele está presente em alimentos como bananas, abacate, espinafre e feijão.

Além disso, a atividade física é fundamental para fortalecer o coração e bombear sangue com eficiência. A recomendação, de acordo com o médico, geralmente é de 150 minutos semanais da prática de alguma atividade aeróbica. Com isso, o corpo reduz a pressão arterial naturalmente. 

“Manter a consistência diária de 30 minutos no mínimo cinco vezes na semana é mais efetivo que treinos longos e esporádicos. Outra dica é realizar pausas ativas de cinco minutos a cada meia hora sentado, pois elas também ajudam na melhora da circulação sanguínea. A consistência é o que realmente gera benefício cardiovascular.”

Outros fatores que podem reduzir o risco de hipertensão são evitar estresse, parar de fumar, moderar o consumo de álcool e priorizar a qualidade do descanso, por meio do sono e da meditação, sempre que possível.  

O sono também tem papel direto na regulação da pressão arterial. “Dormir mal aumenta o risco de hipertensão e dificulta o controle em quem já tem a doença. Por isso, distúrbios como a apneia do sono precisam ser investigados”, explica o cardiologista.

Do total de pessoas hipertensas no país, cerca de 5% são crianças e adolescentes, de acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), reforçando que a condição também tem um componente genético.

12 por 8 já é considerado pré-hipertensão

As mais recentes diretrizes cardiológicas brasileiras, divulgadas pela pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em parceria com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), ajustaram a classificação dos níveis de pressão arterial com um foco na prevenção. Agora, é considerada normal a pressão abaixo de 120/80 mmHg. Já as pressões entre 120/80 mmHg e 139/89 mmHg são classificadas como pré-hipertensão.

“O critério de diagnóstico para hipertensão se mantém, mas a alteração da classificação de alguns níveis visa ampliar a prevenção da doença, por meio da identificação de indivíduos sob maior risco. Com isso, a intervenção no estilo de vida é feita precocemente antes que o tratamento farmacológico se torne necessário”, explica Marotta.

Mesmo com mudanças no estilo de vida, o acompanhamento com um cardiologista é essencial para avaliação individualizada e monitoramento contínuo. “A hipertensão exige vigilância. O acompanhamento regular permite ajustar condutas, prevenir complicações e garantir um tratamento mais eficaz ao longo do tempo”, conclui o cardiologista.

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