Em uma época marcada pelo hiperconectividade e, paradoxalmente, pelo isolamento, a solidão se tornou uma das experiências mais urgentes do nosso tempo. Mas e se ela não fosse apenas um sintoma de afastamento, e sim um ponto de partida para o encontro? É dessa reflexão que parte o psicólogo e escritor Alexandre Coimbra Amaral em seu novo livro, Cuidar da solidão até virar encontro, que será lançado em Belo Horizonte durante o Sempre um Papo.
Na ocasião, Alexandre divide a mesa com o escritor angolano José Eduardo Agualusa para uma conversa sobre vínculos, afetos, literatura e as formas contemporâneas de viver a solidão. O encontro será mediado pelo jornalista Afonso Borges e acontece no dia 20 de maio, às 19h30, no Auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (Av. Raja Gabáglia, 1315, Luxemburgo), em Belo Horizonte.
Para o autor, a solidão não é apenas ausência do outro, mas sintoma de um modo de viver que promete conexão permanente e entrega relações apressadas, distraídas, fragmentadas. Ao longo das páginas, Alexandre propõe que, em vez de silenciá-la ou apressar sua cura, possamos cuidar da solidão com delicadeza, permitindo que ela nos conduza de volta à presença, à escuta e aos encontros.
Alexandre começa pelo que parece mais simples, mas é decisivo: dar nome às experiências que costumamos confundir. Ele diferencia isolamento social, solitude e solidão, mostrando que nem todo estar só é sofrimento e que nem todo sofrimento nasce da ausência física do outro. Ao reconhecer o desamparo como parte da condição humana, e não como falha individual, o autor desloca o olhar da culpa para a experiência compartilhada. Nomear o que sentimos, sugere, já é uma forma de companhia.
Cuidar da solidão até virar encontro está organizado como uma travessia, avançando do reconhecimento íntimo para o cenário coletivo. Alexandre examina o cansaço emocional das multidões, os silêncios que atravessam vínculos aparentemente estáveis, o impacto dos algoritmos que prometem companhia e aprofundam a desconexão, além das defesas que erguemos para evitar a própria vulnerabilidade, como o medo e o ressentimento. Na etapa final, a reflexão ganha direção prática: um manifesto da lentidão como ética do vínculo e uma aposta na amizade, no amor e na comunidade como espaços concretos de reconstrução afetiva.
Alexandre Coimbra Amaral é um dos psicólogos mais lidos e ouvidos do país. Mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, é terapeuta familiar e ganhou projeção nacional ao atuar como psicólogo no programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo. Também é colunista das revistas Vida simples, Crescer e do portal Lunetas e apresenta o podcast Cartas de um terapeuta. Autor dos best-sellers Cartas de um terapeuta para seus momentos de crise e Toda ansiedade merece um abraço, consolidou-se como uma voz relevante no debate público sobre saúde mental no Brasil.
Mais informações: www.grupoautentica.com.br.



