A percepção de violência contra a mulher tem mudado ao longo dos anos. Humilhações constantes, manipulação, ameaças, isolamento social, chantagens emocionais e controle excessivo passaram a ser reconhecidos pelas próprias vítimas como formas de agressão. Isso é o que aponta a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do Instituto DataSenado. Segundo o levantamento, 88% das mulheres afirmaram já ter vivenciado algum tipo de agressão psicológica ao longo da vida.

O estudo mostra um cenário, infelizmente, muito comum em diversos lares brasileiros. A mineira K.M é um dos muitos exemplos dessa estatística. Durante o relacionamento com o pai de seu filho, ela passou por diversos episódios de agressão psicológica, que trazem reflexos até hoje para sua saúde emocional. K.M é uma das atendidas no Programa Violeta, iniciativa criada pela operadora mineira Aurora Saúde para oferecer suporte especializado a mulheres em situação de vulnerabilidade à violência.
O Programa Violeta
A proposta do programa é ampliar o olhar sobre o cuidado em saúde, entendendo que a proteção emocional e psicológica também faz parte de uma assistência integral. Por meio de um questionário sigiloso, disponível no aplicativo da operadora, o programa busca identificar pacientes que possam ter enfrentado ou estão enfrentando situações de risco dentro de seus relacionamentos ou ambientes familiares.
Após essa identificação, as beneficiárias passam a ter acesso a acolhimento especializado, suporte psicológico e acompanhamento contínuo de saúde, em um ambiente pensado para oferecer segurança, escuta qualificada e apoio.
“O grande desafio da violência psicológica é justamente o silêncio. Muitas mulheres demoram anos para reconhecer que estão vivendo uma relação abusiva. Quando a saúde suplementar amplia seu olhar para essas questões, ela também passa a atuar de forma preventiva e humana”, afirma Marcela Meneses, CEO e sócia-fundadora da Aurora Saúde.
A executiva destaca que o objetivo do projeto não está relacionado com canais de denúncias policiais ou serviços emergenciais, mas criar um espaço de cuidado capaz de acolher mulheres em sofrimento emocional. “Queremos que nossas beneficiárias saibam que existe um lugar seguro para falar sobre suas dores sem medo, culpa ou julgamento. E, em muitos casos, o primeiro passo para romper um ciclo de violência é justamente encontrar escuta, acolhimento e atendimento médico, ou terapêutico assistencial”, afirma.
Segundo Marcela, iniciativas desse tipo refletem uma transformação importante no conceito de saúde. “Cuidar da saúde não é apenas tratar doenças. É enxergar o indivíduo em sua totalidade, compreender contextos e oferecer suporte também para questões emocionais e sociais que impactam diretamente o bem-estar”, completa.



