“enxame” é o novo livro de poesia de Thaís Campolina (editora orlando), autora de “eu investigo qualquer coisa sem registro” e “estado febril”. Na obra, ela constrói uma poética na qual o espaço doméstico e o instinto selvagem se fundem com naturalidade, transformando a casa e o próprio corpo em ecossistemas vivos e pulsantes. O blurb é assinado pela escritora Dia Bárbara Nobre, o texto de orelha pela também escritora Bárbara Mançanares e o posfácio é de Maria Emanuelle Osório Prates, escritora, educadora popular, ativista ambiental, etnoecóloga e doutoranda em Biodiversidade e Uso dos Recursos Naturais.
O livro será lançado em São Paulo no dia 9 de setembro, quarta-feira, às 19h, na Livraria Ponta de Lança. A programação contará com um bate-papo sobre atmosfera do sonho, corpo e poesia, com a participação da poeta Laura Redfern Navarro, autora da plaquete Um sonho lúcido, também publicada pela editora orlando, e mediação da jornalista Marcela Güther, da editora. Em seguida, no dia 12 de setembro, Thaís realiza sessão de autógrafo na Bienal do Livro de São Paulo, às 11h, no espaço da orlando no estande Escreva, Garota!.
Com uma linguagem precisa e madura, Thaís utiliza metáforas zoológicas e anatômicas para mapear inquietações. O livro é dividido em seções que evocam diferentes agrupamentos animais — “A Colmeia”, “A Onça”, “O Bando”, “Rotas Migratórias” e “O Zumbido” — e cada uma delas investiga, à sua maneira, a intrincada relação entre o humano e o bicho. “Um fóssil não é uma ossada, é uma cicatriz preservada do movimento de um corpo caindo”, escreve a poeta, definindo o tom de uma obra que se debruça sobre vestígios, memórias e transformações.
A poeta Ana Estaregui, no poema que abre o volume, define o gesto central do livro: “um poema não termina / até que encontre no ouvido / de quem lê / o outro que o habita / duas vozes / à procura do enxame”. É essa busca por uma voz múltipla, que se desdobra em enxame, que guia os versos de Thaís Campolina. “um pássaro sozinho é só um pássaro sozinho / uma revoada de pássaros é muito maior que isso”, lê-se em um dos poemas, ecoando a ideia de que a potência está no coletivo, no agrupamento, na comunhão entre espécies.
Dia Bárbara Nobre destaca que “mais do que um livro de poesia, é um convite irrecusável para nos deixarmos devorar de dentro para fora”. Já a escritora Bárbara Mançanares ressalta a potência luminosa da escuridão como prerrogativa para o retorno ao sonho: “cada poema é um fóssil de beleza estarrecedora”. A orelha do livro aponta ainda para a figura da voz poética como uma “Indiana Jones mineira”, que nos convida a romper a casca e adentrar a língua.
“venho do faroeste mineiro / onde grande parte do ano / o céu parece derramar prosecco / na população / que sem abandonar / as britadeiras busca na terra / alguma coisa que não seja / poeira”, escreve Thaís, ancorando sua poesia na paisagem de Minas Gerais e na experiência de quem habita um território de britadeiras e poeira, mas também de afetos e bichos. A mineiridade, no entanto, não é um fim em si mesma, mas um ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre o corpo, a memória e a animalidade que nos constitui.
O corpo, em “enxame”, é território de conflito e acolhimento. A poeta investiga desde a memória celular de um peixe abissal até a gestação de um teratoma, passando pela pele de lagartixa e pelas garras de gata. “sou uma praga / acostumada a se atacar / para nunca ficar / sem o que roer”, afirma um dos versos, numa imagem que a posfaciadora Maria Emanuelle Osório Prates conecta às doenças autoimunes, lembrando que as mulheres são 78% das pessoas afetadas por esse tipo de condição. A leitura de Thaís, segundo Prates, “para além da dimensão ecológica e contemporânea de seus versos, me leva a reflexões imunológicas”.
“enxame” chega ao público em um momento de efervescência da poesia brasileira contemporânea, trazendo a voz de uma autora que já se consolidou como uma das vozes mais instigantes de sua geração. O livro é dedicado a Tagore e Adelaide, seus gatos, numa homenagem que já anuncia o tom afetuoso e selvagem que percorre toda a obra.

Sobre a autora
Thaís Campolina (Divinópolis, 1989) é autora dos livros de poesia “eu investigo qualquer coisa sem registro” (Crivo Editorial, 2021) e “estado febril” (Macabéa, 2024), além das plaquetes “noticiosas”, “línguas soltas” (Primata, 2024) e “frigideira” (Tato Literário, 2024). Publicou também o conto “Maria Eduarda não precisa de uma tábua ouija” (2020) em formato ebook. É mediadora de leitura nos clubes Cidade Solitária, Leia Mulheres Divinópolis e Casa das Poetas, e curadora da página Bafo de Poesia.
Sobre a orlando
A editora orlando, fundada pelos jornalistas Karol Lopes, Marcela Güther e Vincent Sesering (também sócios da agência de comunicação literária com.tato), nasceu para dar voz a escritores independentes com qualidade e profissionalismo. Com o lema “Histórias que desafiam o tempo”, oferece serviços completos de edição, revisão, design e divulgação, além de catálogos organizados em selos específicos: ziguezague (infantil), dobradura (poesia), espiral (ficção) e brecha (não ficção). Mais que publicar livros, aposta em estratégias de visibilidade para conectar autores e leitores. Saiba mais em editoraorlando.com.br e no Instagram @editoraorlando.
AGENDA
Lançamento de “enxame” em São Paulo
Quando: 9 de setembro, quarta-feira, às 19h
Onde: Livraria Ponta de Lança, São Paulo (SP)
Programação: bate-papo sobre atmosfera do sonho, corpo e poesia com a poeta Laura Redfern Navarro, autora de Um sonho lúcido, e mediação da jornalista Marcela Güther, da editora Orlando.
Bienal do Livro de São Paulo
Quando: 12 de setembro, sábado, às 11h
Onde: Espaço da Editora Orlando no estande Escreva, Garota!
Programação: sessão de autógrafos com Thaís Campolina.



