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Candidatos do PT injustiçados e sem verba do fundo eleitoral contestam critérios da direção do partido e entregarão manifesto a Lula

“É uma contradição gigante. Um equívoco inexplicável que justamente o PT venha a ser o único partido que trata com tanto desprezo os seus candidatos novatos, militantes do movimento popular que disputam um mandato na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa. Lula defende a igualdade. Nós somos o partido que defende a igualdade de oportunidades, a igualdade racial, a igualdade de direitos”, afirma o presidente do PT de Belo Horizonte, Guima Jardim. Na manhã desta quinta-feira, Guima Jardim, junto e mais quatro dos candidatos, concederam entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira na sede do partido na capital para expressar o descontentamento dos candidatos que foram excluídos do repasse do fundo eleitoral e das inserções partidárias de rádios e televisões pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT).

Guima Jardim, além de presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores da capital mineira, é também um dos candidatos atingidos e surpreendidos pela decisão da direção nacional do partido na última terça-feira à noite. Junto à Guima, que é candidato a deputado estadual, também participaram da coletiva os candidatos Vinícius Venades, jovem natural do Barreiro e único candidato portador de deficiência física e candidato a Deputado Estadual; Júnio Aguiar, funcionário público que também postula uma vaga na Assembleia Legislativa, além dos candidatos à Câmara Federal: Viviane Silva, congadeira e liderança do movimento cultural, e Edinaldo Soares, candidato LGBTQIAP+ e também presidente do diretório da partido na cidade de Vespasiano.

MUDANÇAS QUESTIONÁVEIS NOS REPASSES

Os critérios da direção nacional para o repasse dos R$ 615 milhões do Fundo Eleitoral atingiu candidatos a deputados estadual e federal de todo o país. A redução dos repasses na classificação feita pelo partido privilegia candidatos que já possuem mandatos com maiores valores, sendo que os candidatos a estadual do G3 e federal do G4 – últimas classificações – não terão direito a nenhum recurso do fundo eleitoral e nem direito a tempo de televisão e rádio nas inserções do partido. ” E ainda pior, além de não repassar um centavo, não estão dando a esse grupo de candidatos  sequer o lugar de fala, o direito a voz, pois eles não terão também acesso às inserções de TV e rádio. Essa decisão atrapalha a todos e pode prejudicar a campanha de Lula no país inteiro, pois provoca uma crise interna no PT”, acredita Guima Jardim.

O presidente Guima questiona e dispara: “esse desprezo pelos candidatos militantes não representa o DNA do PT. Está na nossa essência lutar contra os privilégios. A defesa da igualdade de direitos está na essência do PT. É a razão da nossa existência. O que nós temos de mais forte e bonito na trajetória do PT é a força da nossa militância. Como podemos defender a igualdade na sociedade e dentro do PT tratarmos nossos companheiros de jornada de forma tão desigual?”.

MANIFESTO DOS CANDIDATOS DE TODO PAÍS CLAMA POR JUSTIÇA E REVISÃO DA DECISÃO

Guima Jardim, que é o único presidente de diretório de uma capital brasileira que não receberá recurso do fundo eleitoral, lidera junto com os outros companheiros presentes na coletiva uma ação que entregará o manifesto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à direção nacional do Partido dos Trabalhadores. Essa ação parte dos petistas mineiros injustiçados e já começa a receber adesões de lideranças e representações do partido de outros estados como Maranhão e Pernambuco.

“Em conjunto com os demais candidatos, reduzidos a nada pela direção nacional, estamos escrevendo uma carta manifesto dirigida ao presidente Lula, ao Edinho e demais membros do Diretório Nacional. Confiamos com tranquilidade que eles vão rever essa decisão e corrigir a injustiça praticada,  nos colocando no ar na TV e no rádio com os demais companheiros do PT que já têm mandatos”, defende Guima.

Além do Manifesto, Guima articula um movimento nacional para somar forças e reverter a situação, e lança uma campanha de captação de doações pela conta de campanha do PT-BH para arrecadar recursos que serão divididos por igual com os candidatos excluídos de todo estado. Dividir os recursos por igual é, inclusive, a cultura do Diretório Municipal de BH. Foi assim na campanha de 2024 para vereador.

“Eu sou presidente do PT-BH que disputei o cargo. Eleito e reeleito. Não me acho melhor do que nenhum militante. Como militante que continuo a ser eu não posso me calar diante dessa contradição. Afinal, é normal e legitimo que haja nomes prioritários. Mas tamanha desigualdade não é justa. A minha candidatura não é um projeto pessoal. Eu fui convocado pelos militantes que são historicamente a essência do partido”, afirma Guima Jardim.

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