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Amizades de escola continuam vivas e transformam reencontro em celebração de gerações

O uniforme ficou para trás, as carreiras começaram, famílias foram formadas e novos círculos de convivência surgiram. Ainda assim, para muitos ex-alunos, algumas das relações construídas durante os anos de escola resistiram às mudanças da vida adulta.

Há amigos que seguem se encontrando semanalmente, casais que se conheceram ainda no colégio e turmas que, mesmo décadas depois da formatura, mobilizam redes sociais e antigos contatos para reunir novamente quem dividiu uma etapa importante da vida. As histórias estarão reunidas, no dia 29 de agosto, durante a tradicional Festa do Ex-aluno do Colégio Santo Agostinho – que será realizada neste ano nas unidades Belo Horizonte e Nova Lima. Mais do que um reencontro anual, o evento ajuda a revelar como vínculos formados durante a infância e a adolescência podem atravessar diferentes fases da vida e continuar funcionando como uma rede de afeto, pertencimento e memória.

Neste ano, duas gerações ajudam a contar essa história. Formada em 1986, na Unidade Belo Horizonte, Liliane Lacerda completa 40 anos de formada e está à frente da mobilização de antigos colegas para uma homenagem especial durante a festa. A última grande reunião da turma ocorreu na celebração dos 25 anos de formatura. Desde então, alguns grupos permaneceram próximos, enquanto outros colegas acabaram se afastando.

Para encontrá-los novamente, a turma iniciou uma verdadeira busca. Cada ex-aluno ficou responsável por localizar pessoas com quem ainda mantinha algum contato, enquanto WhatsApp, Facebook, Instagram e até ligações telefônicas ajudaram a reconstruir a rede. “Alguns núcleos de amigos nunca perderam o contato ao longo de todo esse tempo, mas foi a comemoração dos 25 anos de formados que funcionou como um grande divisor de águas. Percebi que, após aquele reencontro, a relação entre muitos colegas se fortaleceu ainda mais e o vínculo se reascendeu de forma muito bonita”, conta Liliane.

Há colegas que não se veem desde a época da escola e que voltarão a se encontrar na festa. Para a homenagem, a turma prepara um vídeo com fotografias antigas, trilha sonora da juventude, lembranças dos eventos escolares e referências a professores e colaboradores que fizeram parte da trajetória do grupo.

Quatro décadas depois, Liliane diz que as mudanças naturais da vida parecem desaparecer quando os antigos colegas estão juntos. “Naturalmente, o tempo passou e as vidas mudaram. Construímos nossas carreiras, formamos famílias, acumulamos experiências e responsabilidades. Mas o impressionante é que, quando nos reencontramos, tudo isso fica em segundo plano. O humor, o afeto, a cumplicidade e aquela energia boba de quando tínhamos 17 anos permanecem exatamente os mesmos. É como se o tempo não tivesse passado”, relata.

Dez anos depois e quase nenhuma distância
Na outra ponta dessa história está a geração formada em 2016, que comemora dez anos de conclusão do Ensino Médio. Também na Unidade Belo Horizonte, antigos alunos têm se mobilizado para reencontrar colegas e participar da programação oficial da Festa do Ex-aluno.

Nina Castro conta que, para parte do grupo, o reencontro não significa retomar uma amizade interrompida, mas celebrar relações que nunca deixaram de existir. “Os meus melhores amigos de hoje em dia ainda são meus amigos da época do Colégio Santo Agostinho”, conta.

O grupo cresceu, ganhou namorados, namoradas, noivos e esposas, mas continua se encontrando com frequência. Nina define algumas dessas amizades como relações familiares. “Somos, assim, quase que uma família. Somos irmãos. A nossa família mesmo, o lugar que a gente vai para onde a gente quer conforto, o lugar que a gente vai para onde a gente quer celebrar alguma coisa, ou que a gente precisa de forças, é sempre esse grupo”, relata.

Entre as amigas da antiga turma C, a tradição já dura uma década. Desde 2016, elas celebram juntas o Natal todos os anos, acompanham os aniversários umas das outras e permanecem presentes na rotina. “São minhas irmãs que não são de sangue”, resume Nina.

Do álbum de formatura para o Instagram
Para chegar aos colegas com quem haviam perdido contato, a turma de 2016 precisou recorrer a uma espécie de investigação digital. Os ex-alunos recuperaram a senha do perfil de Instagram utilizado pelo terceirão há dez anos e, com o antigo álbum de formatura em mãos, montaram uma lista com os nomes de quem concluiu o Ensino Médio em 2016. A partir das fotografias, começaram a procurar um a um nas redes sociais.

O antigo perfil, praticamente parado desde 2017 ou 2018, voltou então a funcionar como canal de mobilização dos ex-alunos. A movimentação também deve ajudar a reunir pessoas que não se encontram há anos e colegas que hoje vivem fora de Belo Horizonte. Nina diz que completar dez anos de formada produz uma percepção diferente sobre o tempo e sobre as relações que permaneceram. “Vai ser muito emocionante e muito curioso também, porque tem pessoas que a gente não tem contato mais e que participaram de histórias, de lembranças que a gente tem”, pontua.

Separadas por 30 anos, as histórias das turmas de 1986 e 2016 têm um ponto em comum: a escola permanece como referência afetiva mesmo depois que a vida segue por caminhos diferentes. Para Liliane, voltar ao Colégio Santo Agostinho quatro décadas depois é “como fazer uma viagem no tempo”. “Caminhar pelos corredores e pátios desperta uma memória afetiva única. É reconectar com as nossas origens e com a nossa história.”

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