Poucas regiões de Belo Horizonte carregam uma relação tão direta com a origem da cidade quanto a Boa Viagem. Foi em torno da antiga capela dedicada a Nossa Senhora da Boa Viagem que se desenvolveu o Arraial Curral del Rey, núcleo urbano que antecedeu a construção da capital. Mais de três séculos depois, o território vive uma nova transformação: novos empreendimentos residenciais e de uso misto, estabelecimentos comerciais e espaços de convivência começam a redesenhar a experiência de morar, trabalhar e circular na região.
O movimento acontece justamente em uma área em que passado e futuro convivem lado a lado. De um lado está o Santuário Nossa Senhora da Boa Viagem, cuja história remonta ao século XVIII e cujo atual templo, inaugurado em 1923, é reconhecido como patrimônio cultural. De outro, uma nova geração de projetos imobiliários busca responder a mudanças no comportamento urbano, com apartamentos de diferentes tamanhos, espaços corporativos, lojas, serviços e áreas de convivência integradas ao espaço público.
Um dos exemplos dessa transformação é o ALDEA Pernambuco, da Construtora Sudoeste, localizado no bairro Funcionários e próximo à Igreja da Boa Viagem. O projeto reúne apartamentos de um, dois e três quartos, com metragens de 33 a 109,78 metros quadrados, e foi concebido estabelecendo uma relação direta com a paisagem e com a Praça Memorial existente na região. A proposta arquitetônica busca justamente integrar o empreendimento ao entorno e fortalecer os espaços de convivência, conforme destaca Diogo Guerra, gerente de Comercial da Construtora Sudoeste e responsável pela bandeira ALDEA. “O movimento acompanha uma transformação mais ampla no perfil da região, que passa a reunir patrimônio histórico, novos empreendimentos, comércio e serviços em uma mesma dinâmica urbana. Nesse cenário, projetos como o ALDEA Pernambuco ajudam a inserir novos usos em um território tradicional de Belo Horizonte, aproximando a região de um modelo de ocupação mais diversificado e conectado às necessidades atuais de moradores e investidores”, afirma.
A mudança também acompanha uma tendência mais ampla de reocupação e requalificação da região central de Belo Horizonte. Em 2025, a Prefeitura incluiu parcialmente Boa Viagem e bairros vizinhos em uma proposta de requalificação urbana voltada à recuperação de espaços públicos e áreas verdes, proteção do patrimônio cultural, incentivo à moradia e modernização de imóveis. Em 2026, a discussão avançou com a aprovação da Operação Urbana Simplificada voltada à regeneração dos bairros do Centro.
Esse processo cria um novo perfil de circulação na região. A Boa Viagem deixa de ser percebida apenas como território de passagem ou como entorno de um patrimônio histórico e passa a incorporar novos usos: moradia, trabalho, comércio, gastronomia, serviços e espaços de convivência. É uma transformação que aproxima a região de um conceito de cidade mais compacta, na qual diferentes atividades podem estar concentradas em um mesmo território, o que, segundo Guerra, também acompanha uma mudança no comportamento de quem compra imóveis, especialmente entre investidores que buscam ativos com maior praticidade de operação. “Hoje, o investidor não quer necessariamente comprar um imóvel para depois assumir uma série de reformas, adaptações e custos até colocá-lo no mercado. Ele procura um produto que já esteja preparado para a dinâmica atual, com boa localização, estrutura adequada e potencial de uso ou locação. O ALDEA Pernambuco nasce dentro dessa lógica, combinando um endereço consolidado com uma proposta de moradia contemporânea e mais prática para quem pensa no imóvel também como investimento”, destaca.
A própria história do lugar ajuda a entender essa vocação. A antiga Matriz da Boa Viagem funcionava como centro de uma pequena aglomeração urbana e estava relacionada à circulação de moradores, viajantes e atividades comerciais do antigo arraial. Séculos depois, a lógica de reunir pessoas, atividades e diferentes usos volta a aparecer nos projetos contemporâneos, agora sob outra escala e com novas necessidades urbanas.
A chegada de novos empreendimentos, portanto, não precisa significar ruptura com a identidade histórica. Ao contrário, a discussão que se coloca para a Boa Viagem é justamente como crescer preservando aquilo que torna a região reconhecível. O desafio urbanístico passa por criar uma convivência equilibrada entre novas construções, patrimônio protegido, espaços verdes, comércio e circulação de pessoas.
Para a arquiteta Letícia Castro, da Construtora Sudoeste, essa transformação representa também uma oportunidade de pensar o empreendimento imobiliário para além dos limites do terreno. “A arquitetura passa a dialogar com a rua, com o patrimônio e com os espaços públicos, em uma lógica na qual o valor de um endereço também está relacionado à experiência urbana que existe ao seu redor”, disse.
A “nova Boa Viagem”, nesse sentido, não substitui a antiga, conforme ressalta a arquiteta. “Essa transformação acrescenta novas camadas a uma região que já nasceu como ponto de encontro, circulação e convivência. O que está em transformação não é apenas o perfil imobiliário do bairro, mas a maneira como Belo Horizonte se relaciona com um dos lugares que ajudam a explicar a própria origem da cidade”, conclui.


