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ENEM 2026: professor aponta cinco possíveis temas de redação e dá dicas para melhorar a argumentação

Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2026, uma das maiores preocupações dos estudantes é o tema da redação. Embora não seja possível prever o assunto escolhido, acompanhar debates contemporâneos e desenvolver a capacidade de argumentação são estratégias importantes para chegar à prova mais preparado.

Para José Ricardo, professor de Produção de Texto do Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Belo Horizonte (MG), cinco questões sociais merecem a atenção dos candidatos: os impactos das mudanças ambientais sobre populações vulneráveis, a inclusão de pessoas neurodivergentes, a saúde mental nas novas relações de trabalho, a cidadania digital diante do avanço da inteligência artificial e a preservação das culturas e línguas indígenas.

O professor ressalta, porém, que estudar possíveis temas não significa tentar adivinhar a proposta da prova. O mais importante é desenvolver repertório cultural, pensamento crítico e capacidade de construir argumentos consistentes.

Cinco possíveis temas para a redação do ENEM 2026

  1. Os impactos das mudanças ambientais em populações vulneráveis

As enchentes, secas severas e outros eventos climáticos extremos registrados no Brasil evidenciam que as consequências das mudanças ambientais não atingem todos os grupos sociais da mesma maneira.

Segundo o professor, comunidades periféricas, ribeirinhas e famílias de baixa renda estão entre as mais expostas à perda de moradias, à insegurança alimentar e à falta de infraestrutura adequada.

A relação entre meio ambiente, desigualdade social e direitos humanos torna essa uma temática relevante para a preparação dos estudantes.

  1. Desafios para a inclusão de pessoas neurodivergentes na educação e no mercado de trabalho

O crescimento das discussões sobre autismo, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), acessibilidade e combate ao capacitismo também coloca a neurodiversidade entre os possíveis assuntos.

O professor lembra que o ENEM já abordou questões relacionadas à inclusão de grupos sociais, como os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil, em 2017, e a valorização de comunidades e povos tradicionais, em 2022.

Nesse contexto, os obstáculos enfrentados por pessoas neurodivergentes na escola e no mercado de trabalho oferecem diferentes possibilidades de reflexão.

  1. Saúde mental e precarização nas novas relações de trabalho

O debate sobre jornadas de trabalho, a escala 6×1, o esgotamento profissional e o crescimento do trabalho mediado por aplicativos também pode inspirar uma proposta de redação.

Para José Ricardo, essas discussões permitem relacionar direitos trabalhistas, saúde pública, qualidade de vida e transformações nas relações profissionais.

  1. Cidadania digital, ética e uso da inteligência artificial na sociedade

A expansão da inteligência artificial no cotidiano, especialmente na educação, trouxe novos questionamentos sobre ética, aprendizagem, desinformação e responsabilidade no ambiente digital.

O professor observa que o ENEM abordou, em 2018, a manipulação do comportamento dos usuários pelo controle de dados na internet. Atualmente, o avanço das ferramentas de inteligência artificial amplia as possibilidades de discussão sobre tecnologia e cidadania.

  1. Preservação da memória, do território e das línguas originárias no Brasil

A proteção das línguas indígenas e do patrimônio cultural dos povos originários é outra possibilidade apontada pelo especialista.

O tema permite discutir diversidade cultural, direitos territoriais, preservação da memória coletiva e a relação entre conhecimentos tradicionais e conservação ambiental.

Como treinar a redação sem depender de temas prontos?

Apesar das apostas, José Ricardo alerta que a preparação não deve se limitar à memorização de citações ou à reprodução de modelos de redação.

Segundo o professor, a escrita exige amadurecimento intelectual e capacidade de relacionar conhecimentos adquiridos ao longo da formação escolar com o problema apresentado na prova.

Uma estratégia é praticar a elaboração de textos a partir de grandes eixos temáticos, como educação, tecnologia, saúde, meio ambiente e cidadania. Em vez de decorar argumentos específicos, o estudante deve aprender a adaptar conceitos e referências a diferentes propostas.

O professor também recomenda trabalhar a construção de projetos de texto, organizando a tese, os argumentos e as relações entre as ideias antes de começar a escrever.

O que priorizar nos últimos dias antes da prova?

Na reta final, a orientação é evitar a tentativa de aprender muitos conteúdos novos e concentrar os esforços nas dificuldades individuais identificadas ao longo do ano.

Para José Ricardo, o estudante deve revisitar as correções feitas pelos professores e observar os pontos que ainda precisam de atenção, como organização textual, coesão e desenvolvimento dos argumentos.

A prioridade deve variar conforme as necessidades de cada candidato. Quem apresenta dificuldade para estruturar a redação, por exemplo, precisa de um treino diferente daquele que já domina a estrutura, mas ainda encontra obstáculos para aprofundar suas ideias.

Argumentação é um dos principais desafios

Entre os erros observados nas redações, o professor destaca a dificuldade de construir uma argumentação consistente e bem fundamentada.

Enquanto aspectos como o uso de conectivos e a estruturação da proposta de intervenção podem ser aprimorados com orientações mais objetivas, desenvolver bons argumentos exige leitura, conhecimento e reflexão.

Nas questões objetivas de Linguagens, o especialista também chama a atenção para dificuldades recorrentes na interpretação de poemas, obras artísticas, estratégias argumentativas e relações entre diferentes textos.

Para ampliar a capacidade de argumentação, José Ricardo recomenda investir na leitura aprofundada de livros, além de aproveitar os conhecimentos construídos nas diferentes disciplinas escolares.

Filmes e documentários também podem contribuir para ampliar o repertório cultural, desde que o estudante compreenda as questões apresentadas e saiba relacioná-las ao tema solicitado.

Quatro produções para ampliar o repertório antes do ENEM

O professor indica filmes, séries e documentários que ajudam a desenvolver reflexões sobre diferentes questões sociais:

  • Dopesick (série): aborda saúde pública, ética empresarial, dependência de medicamentos e responsabilidade das instituições reguladoras.
  • 12 Homens e uma Sentença (filme): apresenta a importância da análise de evidências, do pensamento crítico e da construção de argumentos para questionar preconceitos e conclusões precipitadas.
  • O Sal da Terra (documentário): acompanha a trajetória do fotógrafo Sebastião Salgado e permite refletir sobre meio ambiente, direitos humanos, conflitos e migrações.
  • Que Horas Ela Volta? (filme): discute desigualdade social, relações de trabalho, estruturas de classe e mobilidade social no Brasil.

Mais do que acumular referências, a recomendação é compreender como cada obra dialoga com questões sociais mais amplas.

A mensagem do professor para a reta final é que uma boa redação não depende de acertar previamente o tema, mas de conseguir interpretar a proposta, mobilizar conhecimentos relevantes e defender um ponto de vista com clareza e consistência.

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