A Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF) celebrou, na noite do último dia 16 de abril, seus 50 anos de atuação com um evento carbono neutro, marcado pela posse do novo Conselho Deliberativo para o período 2026-2030. Realizada em Belo Horizonte, a comemoração reuniu autoridades, empresários e representantes do setor produtivo, consolidando o protagonismo da agroindústria florestal mineira na agenda climática e no desenvolvimento sustentável.
A cerimônia teve como destaque a posse de Júlio Ribeiro, CEO da Cenibra, como presidente do Conselho Deliberativo da AMIF, ao lado da presidente executiva Adriana Maugeri, que permanece à frente da gestão da entidade. O evento também simbolizou um novo ciclo estratégico para o setor, com foco em inovação, bioeconomia e fortalecimento institucional.
Além do caráter comemorativo, a celebração foi planejada para ser carbono neutro, com a mensuração, redução e compensação de todas as emissões de gases de efeito estufa geradas, reforçando, na prática, o compromisso da AMIF com uma economia de baixo carbono.
“A gente construiu, ao longo desses anos, uma prova concreta de que é possível produzir muito e conservar muito ao mesmo tempo. Esse é o desenvolvimento sustentável que queremos para o país. O setor florestal está presente em mais de 814 municípios mineiros, levando desenvolvimento econômico e aquecimento da economia regional a praticamente todo o estado, ao mesmo tempo que é a atividade produtiva que mais conserva vegetação nativa em todo Estado”, afirmou Adriana Maugeri.
Produção, conservação e protagonismo global
Os números apresentados durante o evento evidenciam a relevância do setor. Minas Gerais possui cerca de 2,3 milhões de hectares de florestas plantadas — aproximadamente 22% da base nacional —, distribuídos em 94% dos municípios. Paralelamente, o setor conserva mais de 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa, área equivalente à cultura do café no estado.
Para o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, o setor é exemplo de equilíbrio entre produção e preservação. “As florestas plantadas são hoje a maior cultura agrícola de Minas Gerais. E o mais interessante é o quanto o setor preserva. Ele não só produz, mas conserva em escala significativa, mostrando que é possível crescer com responsabilidade ambiental”, destacou.
Já o presidente do Sistema FAEMG/SENAR, Antônio Pitangui, reforçou a importância econômica e estratégica da atividade e defendeu maior visibilidade para o setor. “Somos um dos maiores pilares do agro mineiro e brasileiro, mas ainda precisamos deixar de ser tão tímidos. Se a madeira é o futuro, precisamos valorizar quem produz, quem está no campo e impulsiona essa cadeia. É fundamental avançarmos juntos, com união entre os setores, para garantir reconhecimento e protagonismo”, afirmou.
Novo ciclo com foco em integração e inovação
Ao assumir a presidência do Conselho Deliberativo, Júlio Ribeiro destacou a continuidade como eixo central da nova gestão, aliada à necessidade de evolução estratégica. “Recebo essa responsabilidade com a convicção de que este é um momento de dar continuidade a uma trajetória sólida. Precisamos mostrar ao mundo que nossas florestas são parte da solução, não apenas um ativo produtivo, mas um modelo sustentável que alia eficiência, conservação e inovação”, destacou.
Ribeiro também chamou atenção para o diferencial ambiental do setor brasileiro. “Para cada 60 hectares de florestas plantadas, conservamos 40 hectares de vegetação nativa. É o dobro do exigido por um dos códigos florestais mais rigorosos do mundo. Isso mostra que produção e preservação caminham juntas”. Outro ponto enfatizado foi a necessidade de maior integração entre os elos da cadeia. “Cerca de 50% da base florestal está nas mãos de pequenos e médios produtores. Fortalecer essa integração é essencial para a competitividade e sustentabilidade do setor”, disse.
Minas como referência na economia verde
Durante o evento, foi reforçado que Minas Gerais já reúne condições para se consolidar como uma potência global da bioeconomia. Segundo Adriana Maugeri, o estado possui características únicas para liderar esse movimento. “As florestas plantadas, somadas às áreas conservadas, já são capazes de neutralizar as emissões de carbono de Minas Gerais. Isso nos coloca em uma posição estratégica no cenário global de transição energética e soluções baseadas na natureza”, afirmou. Ela também destacou o potencial de crescimento do setor. “O futuro é feito de madeira. É um dos principais materiais que vão substituir fontes fósseis no mundo. Minas tem todas as condições para ser protagonista nesse processo”, finalizou.
Com meio século de história, a AMIF encerra o ciclo comemorativo reforçando sua atuação como articuladora do setor e agente estratégico para o desenvolvimento sustentável. O evento, além de celebrar conquistas, projetou os próximos anos com uma agenda voltada à inovação, integração e consolidação da agroindústria florestal como um dos principais motores da economia verde no Brasil.



