A Assembleia Legislativa de Minas Gerais realiza, no dia 11 de maio de 2026 (segunda-feira), uma reunião especial em homenagem ao rapper, escritor e compositor Djonga. A cerimônia reconhece sua trajetória artística e sua atuação na luta contra o racismo e as desigualdades e pela valorização da cultura mineira. Requerida pela deputada Ana Paula Siqueira, a reunião acontece às 19h, no Plenário Juscelino Kubitschek, com transmissão ao vivo pelo YouTube e pela TV Assembleia. A iniciativa celebra não apenas o artista, mas também a força da população negra, periférica e da juventude.
O momento simboliza um movimento de resistência. A trajetória de Djonga reflete a denúncia das desigualdades estruturais que ainda impactam essas comunidades e reforça a importância da cultura como ferramenta de transformação social.
“Cada conquista minha, principalmente de quem vem de onde eu vim, é resultado de muitas quedas, frustrações e medos, que a gente consegue reverter em fé ou é obrigado a isso, porque a falta de fé na vida é um privilégio que só quem sempre teve tudo pode ter. As portas que hoje estão abertas, umas eu arrombei, outras abri com jeitinho, mas a maioria delas só está como está hoje graças ao esforço dos meus ancestrais, dos mais distantes aos mais contemporâneos. Tomara que, no futuro, lembrem do que estamos fazendo e dos espaços que estamos ocupando ou, se não se lembrarem, que possam usufruir de uma vida mais leve e propositiva que a minha”, comenta Djonga.
Para a deputada Ana Paula Siqueira, o reconhecimento marca um avanço histórico. “Demorou mais de 300 anos para Minas Gerais eleger uma mulher negra como deputada estadual. Eu chego com o compromisso de amplificar vozes que, historicamente, foram amordaçadas e silenciadas e de garantir vez a corpos que não se viam representados. A reunião especial na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, para além de homenagear o Djonga, em reconhecimento à sua brilhante atuação na cultura, no hip hop e na luta antirracista, é um marco, um divisor de águas. É reconhecimento à população negra, periférica e à juventude. Um movimento de resistência e coragem para denunciar o quanto a desigualdade ainda segue impactando e matando essa parcela significativa e fundante da população. Quando um de nós avança, toda a estrutura da sociedade se move. Porque, quando sonhar é possível, a mudança começa a acontecer.”
O momento evidencia que as mesmas mãos negras e periféricas que, com papel e caneta, escrevem versos também escrevem leis. Reforça, ainda, que a política institucional não seguirá sem essa presença, pois não existe democracia sem a efetiva participação dessas vozes.
“Cola na assembleia para receber essa homenagem comigo, porque, no fundo, essa homenagem é para vocês também”, convida o artista.
Sobre Djonga
Gustavo Pereira Marques, mais conhecido pelo nome artístico Djonga, é artista, escritor, compositor e filho de Ronaldo Marques e Rosângela Pereira Marques. Nascido na Favela do Índio, em Belo Horizonte, Djonga foi criado nas ruas dos bairros São Lucas e Santa Efigênia, na Região Leste da capital mineira. Nos palcos e nas ruas, nas rimas afiadas e nas batidas pulsantes, DJONGA é uma força inegável no cenário do rap nacional. Sua trajetória, marcada pela autenticidade e pela crítica social contundente, o estabelece como um dos mais proeminentes artistas do hip hop nacional. Nascido e criado na periferia de Belo Horizonte, ele transformou suas vivências em letras carregadas de emoção e de verdade, transformando dor em poesia e injustiça em protesto. Ao longo de sua carreira, de Heresia (2017) a Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto! (2025), DJONGA demonstrou uma habilidade notável de evoluir e se reinventar, mantendo-se fiel à sua autenticidade enquanto expande não apenas seus próprios limites, mas os limites do rap brasileiro Seu trabalho, uma fusão de lírica urbana e crítica social, recebe aclamação do público e da crítica especializada. Enquanto acumula milhões de streams, discos de ouro, platina e platina duplo, duas indicações ao Grammy Latino ( “Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa” com Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto! e “Melhor Interpretação Urbana” com Demoro a Dormir, música com participação do lendário Milton Nascimento), Gustavo Pereira Marques – o DJONGA – figura no seleta lista FORBES UNDER 30 como um dos jovens de maior destaque na música brasileira, é o primeiro brasileiro a receber uma indicação ao prestigiado BET AWARDS e coleciona prêmios em território nacional e no exterior, como o troféu Los Angeles International Music Video Festival (LAMV), que premiou “Conversa Com Uma Menina Branca” como videoclipe do ano em 2023.
Inspirando uma geração inteira com sua autenticidade e mensagem, DJONGA também tem o respeito e o carinho dos mais velhos. Do rap ao samba, colaborações no estúdio e nos palcos com nomes como Jorge Aragão, Mano Brown, Marcelo D2 e Zeca Pagodinho são uma constante em sua carreira. Em um panorama musical muitas vezes dominado por fórmulas comerciais e superficialidade, DJONGA destaca-se como uma voz autêntica e poderosa. Sua jornada, desde as ruas de Belo Horizonte até os palcos mais prestigiados do mundo, é um testemunho do poder da arte como instrumento de transformação e do seu impacto duradouro na cultura brasileira.


