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Ataque a garota de Ibirité acende alerta para perigo de picadas de abelhas. Você sabe o que deve fazer? 

Ataque a garota de Ibirité acende alerta para perigo de picadas de abelhas. Você sabe o que deve fazer? 

No último dia 14, uma garota de 12 anos foi atacada por um enxame nas proximidades de uma escola municipal em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Atendida inicialmente em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), ela foi transferida para um hospital em Contagem, onde segue em observação no CTI. 

O incidente ocorre em meio a uma alta nacional. De janeiro a agosto de 2026, o Brasil registrou 24.137 acidentes com abelhas e 75 mortes, superando o total de todo o ano de 2025 (74 óbitos em 24.835 ocorrências), segundo dados do Painel Epidemiológico de Animais Peçonhentos. O avanço das temperaturas na primavera intensifica a enxameação, momento em que os insetos buscam novos locais para colmeias. 

Uma picada pode causar alergia grave 

Segundo a alergista e imunologista Aline Gomes, da Hapvida, é importante diferenciar uma reação alérgica de uma reação causada pela grande quantidade de veneno recebida. Em uma reação alérgica localizada, os sintomas costumam aparecer na região da picada, como vermelhidão, dor e inchaço. “É preciso lavar o local com água e sabão, aplicar uma compressa fria e, quando indicado, utilizar um antialérgico e uma pomada”, explica. 

Em algumas pessoas, porém, uma única picada pode desencadear uma reação alérgica grave, conhecida como anafilaxia. Nesse quadro, podem surgir urticária, inchaço pelo corpo, falta de ar e edema de glote, dificultando a passagem de ar. “Uma única picada pode desencadear desde uma reação leve e localizada até uma reação alérgica grave. Por isso, é fundamental observar atentamente os sintomas após a picada e procurar atendimento médico diante de sinais de gravidade”, alerta Aline. 

Muitas picadas intoxicam o organismo 

Uma pessoa também pode apresentar um quadro grave sem ter alergia ao veneno. Isso acontece quando recebe muitas picadas e, consequentemente, uma grande quantidade de veneno entra no organismo. “A reação tóxica não tem relação com alergia. Ela acontece pelo excesso de veneno recebido após várias ferroadas”, explica a especialista. 

Por esse motivo, pessoas que sofreram muitas picadas devem procurar uma emergência mesmo que não tenham histórico de alergia. A gravidade pode variar de acordo com a quantidade de veneno recebida e com a espécie de abelha, já que a composição e a potência do veneno podem ser diferentes. “Uma pessoa pode falecer tanto por uma reação alérgica grave quanto por uma intoxicação causada pelo veneno. Não é possível prever a evolução dos sintomas apenas pela aparência inicial da picada”, afirma a alergista. 

Como agir depois da picada 

Quando o ferrão permanece na pele, a orientação é retirá-lo o quanto antes, mas sem apertar a região. Aline explica que uma das formas é utilizar a ponta de cartão bancário, uma régua ou a unha rente à pele para empurrar o ferrão para cima. “Não é recomendado espremer o local, porque isso pode favorecer a liberação de mais toxina no corpo”, orienta. 

Depois da retirada do ferrão, é necessário observar o aparecimento de outros sintomas. Coceira, urticária, dor abdominal, vômitos, falta de ar ou sensação de fechamento da garganta são sinais que exigem atendimento médico imediato. 

Pessoas que já têm diagnóstico de alergia ao veneno de abelha devem seguir a orientação do alergista e manter consigo a adrenalina autoinjetável, indicada para situações de anafilaxia. O antialérgico também pode fazer parte da orientação individual de cada paciente, conforme prescrição médica. 

Tratamento pode prevenir novas reações 

Para quem já apresentou uma reação alérgica ao veneno de abelha, a avaliação com um alergista ajuda a identificar o tipo de reação e o risco em uma nova exposição. Em casos de alergia grave confirmada, existe a imunoterapia específica para veneno de abelha. 

O tratamento utiliza doses controladas do veneno para modificar gradualmente a resposta do sistema imunológico. “A imunoterapia para veneno de abelha faz com que o organismo não reaja de forma tão intensa caso a pessoa seja picada novamente”, explica a médica. 

Nos casos graves, o atendimento médico é feito de acordo com a reação apresentada. Quando há anafilaxia, a adrenalina é o principal medicamento de emergência, enquanto outras medicações e medidas de suporte podem ser utilizadas conforme o quadro clínico. Em situações de intoxicação por múltiplas picadas, o tratamento também é feito no ambiente hospitalar, com acompanhamento dos sinais e controle dos efeitos provocados pelo excesso de veneno. 

Cuidados ajudam a evitar acidentes 

Não há um repelente específico para afastar abelhas. Os repelentes convencionais são destinados principalmente a mosquitos e não devem ser usados com a expectativa de afastar enxames. Em locais com maior presença desses insetos, a doutora recomenda evitar perfumes e outros produtos com cheiros fortes, além de roupas muito coloridas. Bebidas muito doces também merecem atenção em ambientes externos, pois podem atrair abelhas para os copos e aumentar o risco de uma picada, até mesmo se o inseto cair dentro do líquido por acidente. 

Ao perceber um enxame, a orientação é não tentar mexer na colmeia. Corra imediatamente para um local fechado, como uma casa ou um carro. Proteja o rosto e os olhos durante a fuga. Não tente espantar as abelhas com as mãos. Nunca pule em rios, lagos ou piscinas, pois as abelhas podem permanecer sobre a água esperando você retornar à superfície. 

Em caso de ataque, acione equipes especializadas, como o Corpo de Bombeiros, para fazer a retirada dos animais. Depois que estiver em segurança, procure atendimento médico, principalmente se houver muitas picadas, dificuldade para respirar, inchaço intenso ou tontura. 

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