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Cigarro e álcool formam combinação que aumenta  o risco de câncer de boca

Uma ferida na boca que demora a cicatrizar ou manchas persistentes são sinais que costumam ser ignorados ou confundidos com problemas simples. Mas podem ser os primeiros indícios de um dos cânceres mais comuns no Brasil, e dos que mais matam por diagnóstico tardio: o de boca, também chamado de câncer de cavidade oral. 

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 17 mil novos casos da doença por ano até 2028. Porém, há mais chance de cura para a doença quando detectada de forma precoce. O tabagismo é o principal fator de risco, responsável por 80% a 90% dos casos, como também alerta o Inca. E o consumo excessivo de álcool potencializa o perigo. 

“Quando a gente fala em risco, dois velhos conhecidos ligaram o ranking para o câncer de boca, o cigarro, que é um dos mais importantes, mas o álcool também tem um papel relevante. Quando combinados, o perigo se multiplica, não apenas se soma. Além disso, a infecção pelo vírus do HPV, que é transmitido sexualmente, também tem um papel importante”, alerta o oncologista especialista em câncer de cabeça e pescoço do Hospital da Baleia, Dr. Mauro Bina. A exposição solar sem proteção também está associada ao câncer de lábio.

Alguns dos sinais iniciais que merecem atenção são: ferida ou úlcera que não cicatriza em mais de 15 dias; manchas brancas ou vermelhas persistentes na mucosa oral; nódulo, caroço ou endurecimento na boca ou no pescoço; dor persistente sem causa aparente; sangramento inexplicável em área específica; dificuldade progressiva para mastigar, engolir ou mover a língua; e dormência ou formigamento nos lábios, língua ou face.

Para muitas pessoas, a relação entre dentista e câncer não é imediata. Mas cirurgiões-dentistas são  frequentemente os primeiros profissionais capazes de identificar lesões suspeitas na boca. 

O oncologista do Hospital da Baleia indica que, na dúvida, um médico ou dentista seja procurado. “São profissionais habilitados a reconhecer o tipo de lesão e, a partir do tipo, indicar ou não uma conduta mais invasiva, como uma biópsia do tecido, por exemplo. Se a gente encontra ainda no início, a chance de cura é altíssima. Infelizmente, a maioria da população não sabe disso, procura pouca assistência médica e já descobre a doença em cenários mais avançados”, afirma.

Autoexame mensal, proteção solar nos lábios, abandono do tabaco e moderação no consumo de álcool são medidas que, combinadas com consultas no dentista a cada seis meses, mesmo sem sintomas, podem reduzir significativamente o risco. A vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS para meninos e meninas entre 9 e 14 anos, também integra a estratégia de prevenção.

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