O Bloco Tchanzinho da Zona Norte (TZN) desfila no Carnaval de Belo Horizonte em 2026, no sábado, dia 14 de fevereiro, com concentração a partir das 8h e cortejo das 9h às 14h, na Avenida dos Andradas, 3560, na Via das Artes, também conhecida como a Avenida Sonorizada da Andradas. Para este ano, o bloco apresenta o tema “O Tchanzinho vai de 1508”, combinando crítica bem-humorada, memória urbana e uma reflexão direta sobre o direito à cidade.
A inspiração do tema deste ano é a uma linha de ônibus extinta de Belo Horizonte, Nova Gameleira / Santa Cruz, criada em 1983 e encerrada em 1998, citada em uma entrevista recente de um agente público ao comentar o debate sobre tarifa zero. Na ocasião, o gestor disse conhecer bem o transporte público, mas citou o ônibus extinto há mais de 20 anos. O Tchanzinho Zona Norte propõe um desfile que olha para o passado para projetar a cidade que deseja viver. A partir dessa provocação, o bloco pauta temas como transporte público gratuito e de qualidade, mobilidade noturna, preservação ambiental, acesso aos espaços públicos, cultura como direito e políticas urbanas que dialoguem com quem vive e circula pela cidade.
Tema do desfile 2026: “O Tchanzinho vai de 1508”
Com o tema “O Tchanzinho vai de 1508”, o Tchanzinho Zona Norte utiliza o humor, a música e o carnaval como ferramentas de reflexão política. A ideia é transformar uma linha de ônibus do passado em símbolo de deslocamento rumo a uma Belo Horizonte que virá: com metrô de verdade, Lagoa da Pampulha revitalizada, Serra do Curral protegida da mineração, espaços públicos para ensaios dos blocos, parques acessíveis e abertos 24h, além de transporte público gratuito, inclusive no período noturno e em todos os dias da semana.
“O transporte público aparece como eixo central porque ele organiza a vida na cidade. Falar de ônibus, metrô e mobilidade é falar de acesso, de trabalho, de lazer e de permanência”, explica Laila Heringer, fundadora e produtora do bloco.
Novidades musicais e artísticas para o desfile
O público pode esperar um cortejo marcado por muita diversão, qualidade musical e, claro, um tantinho de “fuleiragem”, marcas registradas do Tchanzinho Zona Norte. Em 2026, o bloco leva para a avenida o NewZam, ritmo autoral criado a partir das experiências musicais do grupo, presente tanto em releituras de músicas consagradas quanto em composições próprias.
Duas músicas autorais estreiam no desfile: “Na ZN Tem”, de Rodrigo Picolé, é um funk chiclete de exaltação à cultura periférica da Zona Norte e integra a playlist oficial do Carnaval de Belo Horizonte, com curadoria de Henrique Portugal (ex-Skank). Já “Mina de Rolê”, de Thanya Canela, aposta em um balanço malemolente no ritmo NewZam e chega acompanhada de coreografia autoral.
Outra novidade é a estreia da Ala de Frente, posicionada à frente do trio elétrico, responsável por evoluções artísticas, interações com o público e diálogos diretos com a bateria e o Balezinho do Tchanzinho.
Formação do bloco
A bateria do Tchanzinho Zona Norte contará com cerca de 120 percussionistas, formados majoritariamente a partir da oficina percussiva Pra-tu-Batê!. O bloco também conta com o Balezinho do Tchanzinho, ala de dança comandada pelas bailarinas Naline Ferraz e Vânia Cristina, além da nova Ala de Frente.
A banda do TZN será composta por 14 músicos no carnaval, além de convidados, com a inclusão de sopros e percussões. A vocalista do grupo é Thanya Canela. A regência geral e a direção musical são de Rodrigo Picolé, um dos fundadores do bloco.
Um clássico do carnaval de Belo Horizonte
Criado em 2012, em meio à retomada das ruas no carnaval de Belo Horizonte, o Tchanzinho Zona Norte se tornou um dos blocos mais emblemáticos da cidade. Com um repertório que inicialmente dialogava com o que tinha de mais popular na axé music das décadas de 1990 e 2000 — passando por É o Tchan, Terra Samba, Gera Samba, Companhia do Pagode, Tchakabum e Asa de Águia — o bloco adquiriu identidade própria, apostando alto nas músicas autorais e na performance de outros gêneros da música pop contemporânea, mesclando, assim, a nostalgia despertada pela memória afetiva dos foliões com tecnologias musicais próprias.
Desde sua criação, o TZN aposta em um carnaval periférico e democrático, questionando desigualdades territoriais e a concentração das políticas culturais na região centro-sul da cidade. A bateria e a ala de dança reúnem profissionais e pessoas que aprenderam a tocar e dançar nos próprios ensaios do bloco, realizados majoritariamente em espaços públicos e com acesso gratuito.
Ao longo dos anos, o Tchanzinho Zona Norte consolidou uma forte relação com o grupo É o Tchan, promovendo encontros históricos, como ensaios com Cumpadre Washington (2024) e Beto Jamaica (2025), além de participação no trio do grupo baiano no pós-carnaval de 2024. Essa ponte mineiro-baiana reforça o diálogo do bloco com manifestações musicais afro-diaspóricas e com pedagogias inclusivas e decoloniais.
O bloco se destaca pela produção autoral. São nove músicas próprias, das quais sete já estão disponíveis em todas as plataformas de streaming musical. A qualidade musical do bloco, reafirmada nas produções autorais, culminou com a indicação do Tchanzinho Zona Norte e da vocalista Thanya Canela ao Prêmio Claro de Música 2025, na categoria melhor música de axé, concorrendo com nomes consagrados da cena brasileira.
Ensaio geral aberto ao público
Como parte da preparação para o Carnaval 2026, o Tchanzinho da Zona Norte realiza seu ensaio geral no sábado, dia 31 de janeiro, a partir das 9h, na Praça Manoel dos Reis Filho, no bairro Jaraguá. O encontro marca a primeira grande ativação pública do tema “Tchanzinho vai de 1508” e convida o público a vivenciar a origem descentralizada do bloco já em clima de desfile. Aberto, gratuito e festivo, o ensaio reúne bateria, banda, ala de dança e a recém-criada ala de frente, funcionando como um aquecimento coletivo para o cortejo oficial e reafirmando o compromisso do bloco com a ocupação dos espaços públicos e a construção de um carnaval democrático, popular e participativo.



