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Empreendedorismo feminino transforma trajetórias e amplia a humanização na gestão da saúde

O empreendedorismo feminino tem ganhado cada vez mais relevância no cenário atual, não apenas pelo crescimento do número de mulheres à frente de empresas, mas também pela capacidade de transformar realidades, gerar oportunidades e propor novas formas de liderança. Em diferentes setores, mulheres têm conquistado espaço em áreas estratégicas e demonstrado que competência, preparo e sensibilidade podem caminhar juntos na condução de negócios.

Na área da saúde, essa atuação assume uma importância ainda maior. Administrar uma clínica envolve decisões relacionadas a resultados, custos, legislação, processos, tecnologia e inovação, mas também exige atenção permanente às necessidades de pacientes que, muitas vezes, chegam fragilizados e em busca de acolhimento. É nesse contexto que a trajetória da gestora Bianca Luísa, da clínica Prima Cordis, ganha destaque.

Filha de pernambucanos e nascida em Petrópolis (RJ), Bianca cresceu em uma família simples e transformou as próprias origens em fonte de força. Desde cedo, acompanhou de perto a história de superação da mãe, vítima de violência doméstica, mas capaz de reconstruir a própria vida. Essa experiência ajudou a formar sua visão sobre resiliência, determinação e capacidade de recomeçar. “Minha trajetória começou muito antes de eu me tornar empreendedora. Nunca tive vergonha das minhas origens; pelo contrário, minhas raízes são parte da mulher que me tornei. A história da minha mãe me ensinou que uma realidade difícil não precisa determinar o nosso futuro”, afirma Bianca.

Ao longo do caminho, a gestora conta que também enfrentou momentos de dúvida, descrédito e negativas. Para ela, a construção de uma carreira não ocorre sem obstáculos, mas depende da disposição para continuar avançando mesmo quando o reconhecimento ainda não chegou. “Eu cresci sonhando e acreditando que poderia mudar a minha realidade. Fui desacreditada, ouvi muitos ‘nãos’ e precisei acreditar em mim quando outras pessoas não acreditavam. O que me sustentou foi a fé, a determinação e, principalmente, o propósito”, relata.

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Bianca Luísa – Crédito: Maria Duarte

Liderança feminina combina preparo e sensibilidade

Para Bianca, o empreendedorismo feminino representa uma oportunidade de ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão e incentivar novas gerações a acreditarem em seu potencial. Apesar dos avanços, ela avalia que ainda existem barreiras culturais e profissionais que precisam ser enfrentadas, especialmente quando mulheres assumem posições de liderança ou comandam negócios em setores tradicionalmente marcados pela presença masculina.

“Uma mulher não pode entregar para outras pessoas o poder de definir o tamanho dos seus sonhos. Liderança não significa perder a sensibilidade. Podemos ser firmes e acolhedoras ao mesmo tempo”, afirma. Bianca também considera importante reconhecer limites, ouvir a equipe e admitir erros. Em sua avaliação, liderar não significa controlar todas as etapas de um negócio, mas construir uma equipe preparada, delegar responsabilidades e criar um ambiente de confiança.

“Uma mulher forte não é aquela que nunca cai. É aquela que conhece seu propósito, levanta e continua seguindo em frente. Chorar faz parte, porque somos humanas”, destaca. Na Prima Cordis, essa visão se relaciona diretamente ao desafio de conciliar gestão eficiente e atendimento humanizado. Para Bianca, uma clínica precisa ter equilíbrio financeiro para crescer, gerar empregos e oferecer serviços de qualidade, mas nenhum indicador pode se sobrepor ao cuidado com as pessoas.

A gestora acredita que a humanização precisa estar presente na rotina e não apenas em campanhas institucionais ou mensagens expostas nas paredes. Ela deve aparecer na recepção, no atendimento, na condução de situações difíceis e na forma como os colaboradores são tratados. “Eu acredito em metas, indicadores, processos e resultados. Mas nenhum resultado vale a pena se, para alcançá-lo, perdermos a relação humana. Para mim, excelência é conseguir crescer sem perder a essência”, ressalta.

Incentivo para outras mulheres

A experiência de Bianca também reforça a importância da representatividade. Para ela, mulheres que alcançam posições de liderança devem utilizar sua trajetória para abrir caminhos e estender a mão a outras profissionais que ainda estão começando. “Não quero ocupar o espaço de ninguém. Quero que as mulheres tenham a oportunidade de ocupar os espaços que sua competência, sua preparação e seu trabalho lhes permitirem alcançar. E, principalmente, quero que uma mulher que chegue à liderança possa olhar para trás e apoiar outra mulher”, afirma.

A gestora alerta, entretanto, que conhecimento técnico, embora essencial, não é suficiente para transformar uma atividade em negócio. Profissionais que decidem empreender precisam desenvolver competências relacionadas a gestão, finanças, processos, estratégia, negociação, pessoas e liderança.

Na área da saúde, Bianca acredita que a presença feminina pode contribuir para decisões mais plurais e para modelos de gestão que combinem firmeza, estratégia, escuta e sensibilidade. Ela ressalta, porém, que não existe uma única maneira de liderar como mulher, já que cada profissional carrega uma história, uma personalidade e uma forma própria de conduzir equipes.

Tecnologia sem perder o olhar humano

Entre as tendências que devem influenciar os negócios de saúde nos próximos anos estão a inteligência artificial, a análise de dados, a automação, a medicina preventiva e a personalização do cuidado. Bianca avalia que as empresas precisarão acompanhar essas transformações para manter a qualidade, a eficiência e a capacidade de atender às novas necessidades dos pacientes.

Ao mesmo tempo, ela defende que a tecnologia deve ser utilizada como ferramenta de apoio, sem substituir a relação humana. “Quem lidera uma empresa não pode ter medo do novo. Mas, quanto mais tecnológica a saúde se tornar, mais importante será preservar aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: o olhar humano”, afirma.

A trajetória da gestora também é marcada por sonhos pessoais que simbolizam a distância percorrida desde a infância. Entre eles está o desejo de conhecer a jornalista e apresentadora Patrícia Poeta, da Rede Globo. Para Bianca, esse sonho representa a possibilidade de alcançar lugares que pareciam muito distantes para uma menina de origem humilde.

“Eu aprendi que sonhos não têm tamanho. Eles precisam de fé, trabalho e propósito. Nunca permiti que a minha origem definisse até onde eu poderia chegar. Minhas raízes não me diminuem; elas me lembram da força que precisei ter para chegar até aqui”, conclui.

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