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Exposição (Re)conheça de PAFY segue em cartaz até 29 de março no encerramento do VAC 2026

Verão Arte Contemporânea (VAC) 2026 encerra sua 16ª edição reafirmando sua vocação como território de formação, pensamento crítico e leitura sensível do mundo contemporâneo apresentando a exposição “(Re) conheça”, em cartaz no Complexo Cultural Funarte (Rua Januária, 68, Centro, BH/MG), até 29 de março de 2026, de quarta a domingo, sempre das 16h às 20h. A entrada é gratuita. 

Composta por fotografias e intervenções visuais, “(Re) conheça” se estrutura a partir da pesquisa do mineiro Alonso Pafyeze, o PAFY, artista visual, diretor de arte e fotógrafo, cujo trabalho se concentra na investigação da arte urbana como linguagem estética, política e social. Em suas imagens, Pafy documenta práticas que nascem e crescem na rua, revelando camadas de significado que extrapolam o gesto artístico e dialogam com contextos históricos, sociais e afetivos da cidade. 

Criado na Cabana do Pai Tomás, uma das maiores favelas de Belo Horizonte (MG), PAFY construiu uma trajetória singular no cinema e nas artes visuais brasileiras com reconhecimento internacional. Ao longo da carreira, colaborou com nomes fundamentais do cinema nacional e internacional, como Hector Babenco, Helvécio Ratton, Petra Costa e Suzana Amaral;  experiências que ampliaram sua pesquisa estética sem afastá-lo de sua origem territorial. Pelo contrário: a vivência periférica permanece como eixo conceitual da obra do artista, orientando um olhar atento às narrativas invisibilizadas, às marcas da cidade e às disputas simbólicas inscritas no espaço urbano.

Essa perspectiva ganha forma em “(Re) conheça”, exposição que promove o encontro entre a pesquisa fotográfica de PAFY e a trajetória de João Goma, o Goma; grafiteiro, pixador, arte-educador e figura emblemática da arte urbana brasileira. A mostra parte da história de Goma para discutir temas como criminalização da arte urbana, pertencimento, memória, resistência cultural e reinvenção de trajetórias periféricas.

Mais do que um recorte estético, a exposição propõe uma reflexão sobre visibilidade, identidade, ocupação do espaço urbano e direito à cidade, temas que dialogam com a tradição crítica do VAC desde sua criação, em 2007. “O VAC sempre foi um lugar de escuta do tempo em que vivemos. A rua, a cidade, o corpo e a palavra são métodos de criação e também de pensamento. Encerrar o festival com uma exposição que nasce desse território é afirmar a arte como forma de leitura crítica do mundo“, afirma Ione de Medeiros, diretora artística do Verão Arte Contemporânea.

A história do Goma revela como a arte urbana é um campo de disputa simbólica. Ela nasce no conflito, mas também produz transformação. É exatamente esse deslocamento (da criminalização ao reconhecimento) que interessa ao VAC trazer para o debate.

Ao encerrar a programação do VAC 2026, “(Re) conheça” sintetiza o espírito do festival: a arte como ferramenta de formação, reflexão e reinvenção do olhar. Assim como as oficinas, mostras de cinema, encontros de dança, literatura e música apresentados ao longo do evento, a exposição reafirma a rua como lugar de conflito, criação e futuro.

O VAC não busca espetacularizar a arte, mas criar processos de pensamento. A rua é um desses processos: ela forma, tensiona, educa e produz linguagem“, conclui Ione de Medeiros.

A mostra convida o público a perceber como corpo, imagem e cidade se atravessam: na fotografia e no pixo, o olhar registra, confronta e reescreve narrativas muitas vezes invisibilizadas, ampliando o debate contemporâneo sobre quem pode aparecer, quem pode ocupar e quem pode narrar a cidade.

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