
Quando a mãe adoeceu gravemente, Vanuza dos Santos Pereira precisou abandonar a estabilidade do emprego formal para se dedicar aos cuidados da família. O que parecia uma interrupção na vida profissional acabou se transformando em uma trajetória de empreendedorismo. Hoje, ela produz roupas em alfaiataria, gera empregos e encontra na Feira da Silva Lobo uma importante vitrine para seu negócio. A história dela se repete, de diferentes formas, entre os 135 expositores da Feira de Inclusão Produtiva, na Região Oeste de Belo Horizonte.
Mais do que um espaço de comercialização, a Feira da Silva Lobo se consolidou como uma porta de entrada para o empreendedorismo. Entre barracas de alimentação, artesanato, vestuário e jardinagem, histórias de superação se transformam em pequenos negócios que geram renda, movimentam a economia local e ajudam a sustentar dezenas de famílias.

O empreendedorismo como recomeço
Vanuza dos Santos Pereira é feirante do setor de vestuário da Feira da Silva Lobo e trabalha com a fabricação própria de roupas em alfaiataria. Seu negócio gera emprego para duas a três pessoas de forma direta, além de envolver profissionais parceiros, como modelista e cortador.
Sua trajetória no empreendedorismo nasceu de um momento desafiador da vida. Quando sua mãe adoeceu gravemente, Vanuza precisou conciliar o trabalho com os cuidados e as constantes idas ao hospital. Diante da dificuldade de manter um emprego formal nessas condições, decidiu alugar um estande em uma feira no Barro Preto e começou a produzir suas próprias peças de roupa.
“Foi assim que tudo começou. Eu precisava de flexibilidade para cuidar da minha mãe e encontrei no empreendedorismo uma alternativa para seguir trabalhando”, relembra.
Após a perda da mãe, Vanuza enfrentou outro grande obstáculo. Ao retornar ao negócio, descobriu que uma funcionária havia desviado praticamente toda a mercadoria da loja. Sem estoque e emocionalmente abalada, precisou encerrar as atividades. “Fechei a loja com apenas uma sacolinha de roupas, avaliada em cerca de R$ 930,00 na época. Não tinha mais condições financeiras nem psicológicas para continuar”, conta.
Determinada a recomeçar, ela voltou a trabalhar na tradicional Feira do Mineirinho. Mais tarde, por indicação de uma cliente lojista, conheceu a Feira da Silva Lobo, onde construiu uma nova fase de sua trajetória profissional e permanece até hoje.
O diferencial do trabalho de Vanuza está na qualidade das peças e na atenção aos detalhes. Ela produz roupas em tecido plano e alfaiataria, acompanhando de perto todas as etapas da criação. Frequentemente viaja para São Paulo em busca de matérias-primas que aliem qualidade e bom custo-benefício. “Sempre procurei estar à frente, trazendo novidades, oferecendo qualidade e praticando preços justos”, afirma.
Grande parte dessa visão foi construída durante os anos em que trabalhou em uma loja atacadista no Barro Preto, onde participou de diversos cursos de vendas. Um dos ensinamentos que leva para a vida veio de um antigo empregador: “Quem chega na frente bebe água limpa”. A frase se tornou um princípio em sua carreira, motivando-a a buscar constantemente inovação e diferenciação.

A Engrenagem da Inclusão: Como Funciona o Acesso
Atualmente, a feira reúne 135 expositores e conta com o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte. O modelo é um exemplo de fomento à economia local: a PBH oferece infraestrutura e subsídios, garantindo o funcionamento do espaço sem a cobrança de taxas dos expositores. Com participação definida por edital público, a iniciativa assegura um acesso democrático e transparente para quem deseja tirar uma ideia do papel e começar a empreender.
O processo de seleção para ocupar uma das barracas segue critérios administrativos definidos para garantir igualdade de oportunidades. Para se candidatar, é preciso residir em Belo Horizonte, ter idade mínima de 18 anos e se inscrever dentro dos prazos estipulados pelos editais.
A alta procura reflete a importância do espaço: no edital de 2020, por exemplo, 537 inscritos concorreram a 120 vagas nas áreas de artesanato e artes plásticas. Ao longo de quatro anos, todos os aprovados foram convocados, já que o processo utiliza um cadastro de reserva para preencher vagas em caso de desistências.
Para manter o padrão de qualidade, a seleção inclui sorteios (após a validação documental) e, em segmentos específicos, a exigência de comprovação de habilidade na produção artesanal. O desejo de empreender na Silva Lobo continua em alta: hoje, há 185 pessoas aguardando vaga no setor de alimentação e 83 em segmentos diversos, como plantas, livros, antiguidades e artesanato.

O papel das feiras no fortalecimento do empreendedorismo
Para o analista do Sebrae Minas, Renato Lana, as feiras de rua desempenham um papel estratégico no fortalecimento dos pequenos negócios e no desenvolvimento econômico das comunidades. Segundo ele, além de serem importantes espaços de lazer e convivência para famílias e consumidores que buscam atividades ao ar livre, as feiras representam oportunidades concretas para que empreendedores divulguem, testem e comercializem seus produtos e serviços.
“As feiras de rua criam oportunidades de comercialização e divulgação para os pequenos negócios. Além de gerar vendas imediatas, permitem que os empreendedores testem produtos, fortaleçam suas marcas, ampliem o relacionamento com clientes e desenvolvam competências comerciais“, explica.
Renato destaca ainda que esses espaços contribuem diretamente para o fortalecimento do empreendedorismo local ao valorizar a produção da comunidade, ampliar o acesso ao mercado para pequenos produtores, artesãos e comerciantes e estimular a circulação de recursos dentro do próprio território. No caso da Feira da Silva Lobo, o impacto vai além dos expositores, promovendo inclusão produtiva e fortalecendo a economia da região.
“Espaços como a Feira da Silva Lobo oferecem oportunidades para que pequenos produtores, artesãos e comerciantes gerem renda por meio da venda direta ao consumidor. O resultado é uma economia mais dinâmica, com fortalecimento do comércio de bairro, atração de visitantes e aumento da circulação de recursos na região“, afirma.
Mesmo diante do crescimento das vendas pela internet, Renato Lana avalia que as feiras presenciais mantêm características que continuam sendo fundamentais para a sustentabilidade dos pequenos empreendimentos.
“O contato direto com o consumidor permite criar vínculos de confiança, obter feedback imediato e proporcionar experiências sensoriais que muitas vezes não podem ser reproduzidas no ambiente digital. Além disso, as feiras favorecem o networking entre empreendedores, a construção de parcerias e o fortalecimento da identidade local“, observa.
Para ele, a combinação entre presença física e estratégias digitais representa um caminho promissor para os pequenos negócios.”Quando associadas às ferramentas digitais, as feiras se tornam uma importante estratégia para ampliar a visibilidade, aumentar as vendas e garantir a sustentabilidade dos empreendimentos“, conclui.

O empreendedorismo que passa de geração em geração
Sara Juraci Moitinho é representante do setor alimentício da Feira da Silva Lobo e proprietária de uma barraca onde vende macarrão na chapa, biscoitos caseiros, bala delícia e bebidas. Sua escolha para representar os feirantes do segmento aconteceu por meio de uma eleição interna realizada entre os próprios trabalhadores da feira.
A relação de Sara com a gastronomia e com a Feira da Silva Lobo começou há mais de 15 anos. Na época, sua mãe, conhecida como Tuca, mantinha uma barraca de café, roscas, biscoitos e doces. Desde cedo, Sara participava de todas as etapas do trabalho, ajudando na produção, no transporte e nas vendas. “Aprendi tudo com a minha mãe”, conta. Hoje, Tuca continua na feira com a tradicional barraca Tropeiro da Tuca.
Após a interrupção das atividades durante a pandemia de Covid-19 e a realização de uma nova licitação para retomada da feira, Sara conquistou o espaço para abrir sua própria barraca, dando continuidade à tradição familiar.

Para ela, a feira representa muito mais do que uma fonte de renda. “É dela que tiramos o sustento das nossas famílias. Muitos clientes acompanham nossa trajetória há anos e fazem parte do crescimento dos nossos negócios”, afirma. Segundo Sara, a Feira da Silva Lobo desempenha um papel fundamental para a comunidade ao oferecer alimentos frescos, de qualidade e com preços acessíveis, além de funcionar como um importante espaço de convivência e preservação da cultura popular.
Ela também destaca o impacto econômico da atividade.
“A feira movimenta um verdadeiro ecossistema, envolvendo montadores de barracas, carregadores, ajudantes e até catadores de latinhas. Não beneficia apenas os feirantes, mas sustenta direta e indiretamente diversas famílias.”
Na avaliação de Sara, o setor alimentício é um dos grandes diferenciais da feira. Os alimentos são preparados na hora, diante dos clientes, garantindo frescor, qualidade e confiança. “Cada barraca tem seu próprio tempero, suas receitas e uma relação muito próxima com os fregueses. A gente conhece os clientes pelo nome e sabe até o que eles gostam de comer”, relata.
Ela ressalta ainda que a experiência vai além da gastronomia. “A feira é um ambiente vivo, acolhedor e agradável. As pessoas vêm para comer, conversar, encontrar amigos e aproveitar o momento. O cheiro da comida, o movimento e a convivência tornam tudo muito especial.”
Sobre o futuro da Feira da Silva Lobo, Sara é otimista. Para ela, a atividade tem grande potencial de crescimento porque preserva uma característica que dificilmente perde valor: o contato humano. “As pessoas sempre vão precisar de alimentos frescos e de qualidade e desse atendimento próximo que só a feira oferece.”
Apesar das perspectivas positivas, ela acredita que ainda são necessários investimentos em infraestrutura, organização, divulgação e realização de eventos, além de maior apoio do poder público. “Com esses avanços, a feira pode se fortalecer ainda mais, beneficiando não apenas os feirantes, mas toda a comunidade que depende dela.”

O empreendedorismo que transforma paixão em negócio
Ana Cristina Marinho Gonçalves é feirante da Feira da Silva Lobo e atua no segmento de jardinagem e decoração. Em sua barraca, comercializa plantas ornamentais em vasos, incluindo suculentas e espécies tropicais, além de kokedamas, suportes artesanais e insumos para jardinagem, como adubos e substratos prontos para uso.
Atualmente, Ana Cristina também representa o setor de artesanato da feira. A escolha ocorreu durante um processo de organização promovido pelo programa Jornada Produtiva, da Prefeitura de Belo Horizonte, que orientou os feirantes a elegerem representantes para os diferentes segmentos da feira. Inicialmente, havia dois candidatos para representar o setor de artesanato, mas o outro concorrente retirou sua candidatura antes da votação. Com isso, Ana Cristina assumiu a função de representante dos artesãos.
A relação dela com a Feira da Silva Lobo começou antes mesmo de se tornar feirante. Formada em Design de Ambientes pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), ela conheceu a feira por volta de 2010, quando ainda frequentava o local apenas como visitante. Na época, no entanto, a percepção era diferente. “A feira ainda funcionava de forma mais informal e eu a considerava um pouco tumultuada”, recorda.
Durante alguns anos, Ana Cristina se afastou da feira. Em 2019, porém, ao já atuar profissionalmente com plantas ornamentais e jardinismo, viu no edital lançado pela Prefeitura de Belo Horizonte uma oportunidade para expandir seu negócio e decidiu se inscrever. Os planos precisaram ser adiados devido à pandemia de Covid-19, mas em 2022 a feira retomou suas atividades em um novo formato, seguindo os padrões das feiras regionais organizadas pelo programa Jornada Produtiva.
“A feira voltou muito mais estruturada, com barracas padronizadas, feirantes licenciados e acompanhamento da Prefeitura. Hoje temos um espaço organizado, estruturado e preparado para receber expositores e consumidores. ”, destaca.
Após quatro anos atuando como expositora, Ana Cristina acredita que a Feira da Silva Lobo se consolidou como um importante espaço de convivência para os moradores da região. Segundo ela, o local reúne famílias, crianças, turistas e tutores de animais de estimação em um ambiente seguro e agradável.
“A feira é um verdadeiro ponto de encontro. Muitas pessoas vêm não apenas para fazer compras, mas para passear, encontrar amigos e aproveitar o espaço arborizado. Os turistas ficam encantados com o ambiente, com o atendimento dos feirantes e com a qualidade dos produtos artesanais”, afirma.
Ela ressalta ainda que a movimentação da feira beneficia diretamente a economia local, impulsionando o comércio da região e atraindo consumidores para lojas, bares e restaurantes instalados ao longo da Avenida Silva Lobo.
Para Ana Cristina, o que torna a feira especial é justamente a combinação entre estrutura, diversidade e acolhimento. O espaço oferece produtos verdadeiramente artesanais, gastronomia variada, atendimento próximo e um ambiente onde crianças e pets podem circular livremente, proporcionando uma experiência diferenciada para os visitantes.
Nos últimos anos, os próprios feirantes também têm investido em ações para fortalecer o comércio local. Um exemplo foi a promoção de Natal realizada no fim de 2024, que contou com o sorteio de cestas e registrou grande adesão do público. Segundo Ana Cristina, a campanha gerou um aumento significativo nas vendas e incentivou novas iniciativas promocionais, como as ações desenvolvidas para o Dia das Mães.
Ao falar sobre o futuro, ela acredita que a Feira da Silva Lobo tem potencial para se tornar uma referência entre as feiras regionais de Belo Horizonte. No entanto, defende que o espaço receba maior divulgação institucional e turística.
“Os feirantes têm um carinho enorme por este lugar. Gostaríamos que a feira fosse mais divulgada como um ponto turístico da cidade, com atrações culturais e artísticas que valorizem ainda mais a nossa identidade regional”, destaca.
Ana Cristina também reconhece os avanços recentes na infraestrutura do local. Entre as melhorias realizadas estão a canalização de um ponto de vazamento de água, a instalação de novas lixeiras públicas e intervenções na calçada, medidas que contribuíram para aumentar a segurança e o conforto dos frequentadores.
Para ela, a combinação entre organização, apoio institucional e engajamento dos feirantes é o caminho para consolidar a Feira da Silva Lobo como um dos principais espaços de convivência, cultura e empreendedorismo da capital mineira.

Se para Ana Cristina a feira representou uma oportunidade de expandir um negócio já existente, para Cláudia Souza ela foi uma vitrine para transformar uma paixão em atividade profissional. Há cerca de 20 anos, ela se dedica à criação e comercialização de bijuterias artesanais, transformando pedras naturais e minerais em peças exclusivas que conquistam clientes pela beleza, qualidade e originalidade.
Antes de ingressar no empreendedorismo, Cláudia atuava como supervisora administrativa em uma empresa. Embora tivesse um bom salário, sentia que a pressão excessiva do ambiente corporativo comprometia o respeito e a qualidade de vida no trabalho. Apesar dos desafios, ela reconhece que a experiência foi importante para sua formação profissional.
Em busca de uma atividade que lhe proporcionasse mais realização pessoal, decidiu investir na produção de bijuterias. Inicialmente, trabalhava com diferentes materiais, mas foi ao conhecer o universo das pedras naturais que encontrou sua verdadeira paixão.
“Fiquei encantada com as cores, texturas, formatos e a enorme variedade de pedras que existem. Foi algo que despertou minha criatividade e mudou completamente minha relação com o trabalho”, conta.
Com o passar do tempo, as ideias foram surgindo e a produção ganhou identidade própria. O que começou como uma nova atividade profissional se transformou em uma verdadeira vocação. Hoje, Cláudia produz colares, pulseiras, brincos, braceletes e anéis utilizando minerais, gemas, corais, âmbar e diversos outros materiais naturais.
O negócio também se tornou um empreendimento familiar. Ela trabalha ao lado das irmãs, que participam da rotina da produção e das vendas. “Elas me dão força e não me deixam desanimar, principalmente nos períodos em que o comércio está mais fraco”, destaca.
Segundo Cláudia, um dos diferenciais de seu trabalho está na combinação entre design, qualidade e preço justo. A constante busca por novas pedras e materiais permite a criação de peças diferenciadas, sempre alinhadas às tendências e ao gosto dos clientes.
“O segredo é oferecer novidades, manter a qualidade e praticar preços honestos. As pessoas valorizam produtos feitos com cuidado e personalidade”, afirma.
Entre os principais desafios da atividade, ela destaca a necessidade de renovar constantemente as coleções, manter preços competitivos e encontrar espaços adequados para expor e comercializar suas criações.
Apesar das dificuldades, Cláudia segue motivada pela paixão pelo artesanato e pelo contato direto com o público. Para ela, cada peça produzida carrega não apenas beleza, mas também história, dedicação e criatividade — características que ajudam a tornar a Feira da Silva Lobo um espaço único para quem busca produtos verdadeiramente artesanais.

Infraestrutura e apoio ao empreendedorismo
A Feira da Silva Lobo integra o programa Jornada Produtiva, iniciativa da Prefeitura de Belo Horizonte que promove espaços de comercialização em diferentes regiões da cidade, ampliando o acesso da população a produtos locais e fortalecendo a economia dos bairros. Um dos diferenciais do modelo é a facilidade de ingresso para novos empreendedores: a licença é vinculada ao CPF e tem validade de cinco anos, sem exigir, inicialmente, a formalização como Microempreendedor Individual (MEI), o que reduz a burocracia para quem deseja iniciar um negócio.
A organização da feira é coordenada pela Secretaria Municipal de Política Urbana (SMPU), responsável por garantir toda a infraestrutura necessária para o funcionamento do evento. O apoio do poder público inclui o fechamento da via para a circulação segura dos pedestres, a instalação de gradis de proteção, a disponibilização de nove banheiros químicos — sendo seis convencionais e três acessíveis para pessoas com deficiência (PCD) —, além da limpeza do espaço, realizada pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU).
Para o secretário municipal de Política Urbana, Leonardo Castro, a feira vai além da atividade comercial e desempenha um papel importante na valorização dos espaços públicos e no fortalecimento da convivência comunitária.
“A Feira da Silva Lobo é um importante espaço de convivência e integração para a comunidade da região, fortalecendo os laços entre moradores e valorizando uma característica muito presente na cultura de Belo Horizonte e de Minas Gerais: o hábito de ocupar os espaços públicos, compartilhar a boa comida, encontrar amigos e familiares e viver a cidade. Além de contribuir para a qualidade de vida e a vitalidade do bairro, a feira também cumpre um papel relevante na geração de emprego, renda e oportunidades para os feirantes e suas famílias. Assim, a Prefeitura de Belo Horizonte segue investindo e apoiando iniciativas como essa, que impulsionam a economia local, ampliam oportunidades de trabalho e tornam os espaços públicos cada vez mais acolhedores e atrativos para a população”, destaca.
A segurança é reforçada pela atuação da Guarda Civil Municipal e pela fiscalização permanente durante toda a realização da feira, contribuindo para um ambiente organizado e acolhedor para expositores e visitantes. As barracas seguem um padrão visual definido, facilitando a identificação da feira e oferecendo proteção contra sol e chuva. A montagem e a manutenção das estruturas, bem como o fornecimento de energia elétrica, são de responsabilidade dos próprios feirantes.

A feira na rotina dos moradores
Para os visitantes, a feira também se tornou parte da rotina do fim de semana. Carlos Henrique, 50 anos, morador da região e frequentador assíduo, conta que o passeio já virou tradição familiar. “Todo sábado a gente passa por aqui. Aproveitamos para experimentar as comidas, comprar alguns produtos e rever pessoas conhecidas. O pastel e a cerveja já fazem parte do roteiro. É uma programação simples, mas que sempre vale a pena.”
Rosana Alves, 35 anos, moradora do bairro Grajaú e frequentadora da feira aos sábados, destaca a variedade de produtos e a valorização dos pequenos empreendedores. “Gosto de comprar diretamente de quem produz. A gente encontra produtos artesanais, alimentos frescos e itens diferentes que nem sempre estão disponíveis em outros lugares. Além disso, é uma forma de apoiar o trabalho de quem empreende e movimenta a economia da nossa cidade.”

O impacto econômico que vai além das barracas
Segundo a Secretaria Municipal de Política Urbana (SMPU), o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte à Feira da Silva Lobo ocorre por meio da oferta de infraestrutura e subsídios para a realização da atividade. Por esse motivo, não há levantamentos consolidados sobre indicadores socioeconômicos, como o faturamento dos expositores, geração de empregos indiretos, renda média dos feirantes, volume financeiro movimentado ou número de famílias beneficiadas pela iniciativa. Também não há cobrança de taxas de participação nem interferência na comercialização dos produtos.
A ausência de estatísticas oficiais, no entanto, não impede a percepção do impacto econômico gerado pela feira. Os relatos dos expositores mostram que, para muitos deles, a atividade representa a principal fonte de renda da família e, em diversos casos, sustenta pequenos negócios que envolvem familiares, colaboradores e prestadores de serviço em etapas como produção, logística, montagem e comercialização.
A trajetória de Vanuza dos Santos Pereira ilustra essa realidade. Seu ateliê de confecção gera atualmente de dois a três empregos diretos, além de movimentar uma rede de profissionais parceiros, como modelista e cortador. Já o negócio de Cláudia Souza se consolidou como um empreendimento familiar, envolvendo as irmãs na produção e nas vendas de peças artesanais. Histórias como essas se repetem em diferentes segmentos da feira, revelando uma cadeia econômica que ultrapassa os limites das barracas e contribui para a circulação de renda na comunidade.
Ao longo da apuração, a reportagem identificou um ponto em comum entre trajetórias marcadas por desafios, reinvenções e conquistas: a Feira da Silva Lobo representa uma oportunidade concreta para quem deseja empreender com baixo investimento inicial. Como observa a feirante Sara Juraci Moitinho, os benefícios vão além da geração de renda. Seja por necessidade, tradição familiar ou realização pessoal, os participantes encontraram no espaço uma forma de transformar habilidades e talentos em negócios, conquistar autonomia financeira e contribuir para o fortalecimento da economia local.

O futuro
Com mais de duas décadas de história e uma reestruturação bem-sucedida após a pandemia, a Feira da Silva Lobo projeta o futuro com confiança. Entre as principais demandas dos feirantes estão o fortalecimento da divulgação, a ampliação das ações culturais e a valorização do espaço como referência de lazer, turismo e empreendedorismo em Belo Horizonte.
Mais do que um local de compras, a feira se consolidou como um ambiente de convivência, geração de oportunidades e desenvolvimento econômico. A cada fim de semana, moradores, visitantes e empreendedores se encontram em um espaço onde circulam não apenas produtos, mas também histórias de vida, conhecimento e pertencimento.
Entre receitas de família, peças artesanais, plantas ornamentais, roupas produzidas com cuidado e tantos outros produtos feitos por mãos empreendedoras, a Feira da Silva Lobo segue cumprindo seu papel: transformar talento em renda, fortalecer a economia local e criar oportunidades para que pequenos negócios floresçam e se tornem projetos de vida.

Ficha Técnica da Feira
- Local: Avenida Silva Lobo (Região Oeste de BH).
- Horário: Sábados, das 9h às 16h.
- Expositores: 135 permissionários ativos, além de cadastro de reserva.
- Segmentos: Artesanato, Artes Plásticas, Alimentação, Plantas, Livros e Antiguidades.
- Gestão: Secretaria Municipal de Política Urbana (SMPU).