Saúde

Infertilidade afeta cerca de oito milhões de pessoas no Brasil

Na área médica, junho é tradicionalmente reconhecido como o Mês Mundial de Conscientização da Infertilidade. A data foi instituída para estimular o debate e chamar a atenção sobre essa condição que acomete 1 a cada 6 adultos no mundo (cerca de 17,5% da população), segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado em 2023. No Brasil, estima-se que cerca de 8 milhões de indivíduos possam ser inférteis, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

Conforme explica a Dra. Luciana Calazans, ginecologista e especialista em reprodução assistida da clínica Huntington Pró-Criar, em geral, as causas da infertilidade começam a ser investigadas após 12 meses de tentativas sem o uso de qualquer método contraceptivo. Se a mulher tem mais de 35 anos, o prazo para a investigação diminui para seis meses de tentativas de forma natural, já que a partir dessa idade sua capacidade reprodutiva diminui progressivamente.

Vale ressaltar, de acordo com a especialista, que a infertilidade não é um problema exclusivo da mulher: em 20% dos casos, os fatores dizem respeito ao casal, simultaneamente; 40% dos casos estão relacionados somente ao homem e os outros 40% à mulher.

“A infertilidade tem múltiplas causas. Nas mulheres, as mais comuns são a síndrome do ovário policístico, a baixa reserva de óvulos, a endometriose e a obstrução nas trompas. Já nos homens, varicocele, distúrbios hormonais e infecções que possam causar alterações nos espermatozoides, são considerados fatores. Pessoas com histórico de infertilidade na família ou que precisem fazer quimioterapia ou radioterapia também têm um risco maior de ter perda na fertilidade”, afirma Dra. Luciana.

Segundo a especialista, hábitos saudáveis contribuem para a saúde reprodutiva. “Obesidade, cigarro, stress, consumo de bebidas alcóolicas, uso de drogas ilícitas, deficiência de vitaminas e vida sedentária estão entre os fatores que podem impactar a fertilidade de homens e mulheres. Também é importante considerar as consultas de rotina com o ginecologista ou urologista e os exames anuais como forma de prevenção”, destaca.

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Tratamentos

As técnicas de reprodução assistida evoluíram muito desde o nascimento do primeiro bebê de proveta, em 1978. Hoje, existem diversos tratamentos de infertilidade disponíveis, como indução da ovulação, inseminação artificial, fertilização in vitro (FIV), ovodoação, congelamento de óvulos ou embriões (criopreservação), além do ICSI (técnica chamada de injeção intracitoplasmática de espermatozoide, em que um único espermatozoide, especialmente selecionado, é injetado em cada óvulo disponível).

“Há menos de duas décadas, as taxas de sucesso da FIV, por exemplo, eram cerca de 20%. Atualmente, as clínicas brasileiras trabalham com uma taxa de até 50-60% de êxito nesse tipo de tratamento para pacientes até 35 anos”, analisa a médica da Huntington Pró-Criar. 

Mitos e verdades da Fertilidade


A culpa da infertilidade é sempre da mulher?

Não. Isso é um mito muito comum na sociedade, mas 40% das causas de infertilidade são relacionados a fatores femininos, outros 40% são relacionados à causa masculina e os 20% restantes são relacionados à infertilidade combinada do casal.

O relógio biológico é o maior inimigo da fertilidade?

Sim, é verdade. Após os 35 anos, as chances de gravidez mensal começam a diminuir de forma acentuada, principalmente por causa da redução na qualidade dos óvulos.

O tabaco prejudica a fertilidade?

Sim, tanto o tabaco quanto o álcool e outras drogas prejudicam a fertilidade de homens e mulheres. Nos homens, pode comprometer a locomoção dos espermatozoides e alterar sua morfologia. Nas mulheres, pode diminuir a qualidade dos óvulos.

O uso da pílula anticoncepcional reduz a fertilidade das mulheres?

Essa é uma dúvida bastante comum, mas não é verdade, é mito. A maioria das mulheres, após interromper o uso da pílula, retoma sua fertilidade imediatamente. Além disso, a pílula pode até ajudar a proteger a fertilidade, diminuindo a evolução da endometriose, por exemplo.

Congelar óvulos é uma boa alternativa para quem decide postergar a gravidez?

Sim, isso é verdade, já que a chance de gestação está relacionada à idade da mulher. Por exemplo, se ela resolve congelar os óvulos aos 30 anos e depois decide engravidar aos 38, e não tem sucesso, essa mulher pode usar os óvulos congelados com maior chance de gravidez, já que essa probabilidade está relacionada à idade em que foram congelados. Essa também é uma alternativa bastante interessante para pacientes que precisam postergar a gestação em função de alguma doença a ser tratada, como pacientes com câncer, por exemplo. Assim, pode ser feita a preservação da fertilidade, ou seja, congelar óvulos ou espermatozoides, para serem utilizados numa gravidez após o tratamento dessa doença.

É possível fazer fertilização in vitro depois de ter feito laqueadura?

Sim. Aliás, esta é praticamente a única forma de uma mulher que fez laqueadura engravidar, a menos que ela faça uma cirurgia de reversão da laqueadura. No entanto, as chances de restabelecimento total da fertilidade são menores do que nos casos de reversão da vasectomia, que é feita no homem. A fertilização in vitro só é possível após a laqueadura porque, neste procedimento, o óvulo é fecundado pelo espermatozoide fora do corpo da mulher, ao contrário do que acontece na inseminação artificial, em que a fecundação ocorre diretamente na tuba. Dessa maneira, o sucesso da fertilização vai depender apenas de fatores externos, ligados à idade da mulher, à qualidade dos óvulos e dos espermatozoides coletados, bem como do endométrio da paciente.

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