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Mais de 60% dos casos de câncer colorretal no Brasil ainda são descobertos em fase avançada

Um dos tipos de câncer mais frequentes no país, o câncer colorretal, ainda chega tarde demais ao consultório médico no Brasil. Entre 2013 e 2022, segundo a Fundação do Câncer, mais de 60% dos diagnósticos ocorreram já em fases avançadas da doença – cenário que reduz as chances de cura e exige tratamentos mais complexos. Neste triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 53.810 novos casos por ano

“O grande problema é que muitos pacientes normalizam sintomas importantes ou adiam a investigação por medo do diagnóstico. Isso ainda é um dos principais fatores para o atraso. Quando o câncer é identificado precocemente, a chance de cura é muito alta. Mesmo nos casos avançados há boas possibilidades de tratamento, mas o processo tende a ser mais intenso”, afirma o Dr. Matheus Meyer, coordenador da Coloproctologia da Rede Mater Dei nas unidades Betim-Contagem e Nova Lima. 

Segundo o especialista, sinais como sangramento nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal crônica, anemia e perda de peso sem causa aparente não devem ser ignorados. O alerta ganha ainda mais relevância porque o câncer colorretal costuma evoluir silenciosamente nos estágios iniciais.

Colonoscopia pode evitar o surgimento do câncer

A principal estratégia de prevenção continua sendo a colonoscopia, recomendada a partir dos 45 anos, mesmo para pessoas sem sintomas. Mais do que identificar tumores, o exame permite detectar e retirar pólipos intestinais antes que evoluam para malignidade.

“A ideia não é apenas encontrar um câncer já instalado, mas identificar a lesão precursora e interromper esse processo antes que ele avance”, explica Dr. Matheus Meyer.

Pacientes com histórico familiar de câncer de intestino, pólipos avançados, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes genéticas devem iniciar o rastreamento antes da idade padrão.

Alimentação e sedentarismo influenciam diretamente no risco

Mudanças de estilo de vida também têm impacto direto sobre a incidência da doença. O consumo frequente de alimentos embutidos está associado a aumento de até 50% no risco de câncer colorretal, enquanto álcool em excesso, obesidade e sedentarismo também elevam a probabilidade de desenvolvimento da doença. Na direção oposta, alimentação rica em fibras e prática regular de atividade física funcionam como fatores de proteção.

O tratamento do câncer colorretal é multiprofissional. Dr. Matheus Meyer conta que “o grande pilar do tratamento do câncer colorretal é a cirurgia”. No câncer de reto, a radioterapia tem papel relevante. Já no câncer de cólon e também no de reto, é frequente o uso de quimioterapia ou imunoterapia, a depender do estadiamento e das características do tumor.

Cirurgia robótica amplia precisão e reduz complicações

Quando a intervenção cirúrgica é indicada, o Mater Dei dispõe da plataforma robótica Da Vinci nas unidades Contorno e Nova Lima, em Belo Horizonte. O Dr. Rodrigo Gomes da Silva, coordenador da Coloproctologia nessas unidades, reforça que a cirurgia robótica é um procedimento minimamente invasivo no qual o cirurgião utiliza uma plataforma de quatro braços, manipulando-a por um console. “Por meio de manoplas similares às de um videogame, o cirurgião faz movimentos que são transmitidos aos braços robóticos por cabos de fibra ótica”, detalha.

Em relação à laparoscopia convencional, o especialista aponta diferenças técnicas com impacto direto nos resultados. De acordo com ele, a visão é tridimensional, o que permite noção de profundidade. “Ela também é ampliada e a cirurgia é imersiva. Os braços robóticos possuem um controle de tremor, com movimentos mais precisos. Além disso, há uma articulação das pinças que simula os movimentos do punho do cirurgião, permitindo uma dissecção mais delicada”, comenta. 

Os benefícios se traduzem em dados clínicos. O Dr. Rodrigo Gomes ainda diz que a técnica apresenta menor taxa de sangramento intraoperatório e menor taxa de conversão para cirurgia aberta, o que “melhora a segurança do paciente, reduzindo também as complicações pós-operatórias. A recuperação também é mais favorável, pois, geralmente, a recuperação da cirurgia por via laparoscópica é mais rápida que a cirurgia aberta. E a cirurgia robótica otimiza esses desfechos, com menor dor no pós-operatório”, completa.

O coloproctologista destaca também resultados específicos para o câncer de reto: “Estudos mostram que a cirurgia robótica no câncer de reto pode reduzir as taxas de disfunções sexuais e urinárias ao permitir dissecção mais delicada e precisa na pelve. Há também estudos com menores taxas de recorrência local no câncer de reto operado pela via robótica.”

A Rede Mater Dei já opera com a terceira geração da plataforma Da Vinci. Para o médico, essa evolução tem impacto direto na prática da coloproctologia, já que a última geração inclui modificações que favorecem a dissecção cirúrgica em mais de um quadrante do abdome, o que facilita as cirurgias.

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