O Memorial Brumadinho realiza, no dia 12 de junho, sexta-feira, às 14h, o encontro “Vencer com a Natureza”, que celebra iniciativas de resistência socioambiental em Minas Gerais. Os convidados compartilham experiências de mobilização social, defesa dos territórios e proteção dos recursos naturais diante do avanço da mineração no estado.
O encontro traz exemplos de grupos que enxergam a relação entre sociedade e meio ambiente de maneira diferente da que levou ao rompimento da barragem em Brumadinho. Em vez da lógica de exploração dos recursos naturais que marcou aquele território, a programação destaca iniciativas que alcançaram conquistas por reconhecer a natureza como essencial para a vida, a cultura e o fortalecimento de comunidades.
O evento acontece no Memorial Brumadinho, espaço cuja construção e autonomia administrativa é uma conquista da AVABRUM, Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão. Aberto em janeiro de 2025, o Memorial é dedicado à honra e memória das 272 vidas perdidas no rompimento, e promove ações de ensino e reflexão pela não repetição de eventos semelhantes.
Entre os convidados do encontro está o OBSERVA – Observatório Socioambiental pela Conservação, grupo de pesquisa e extensão da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) formado por especialistas de diferentes áreas que atuam junto a comunidades afetadas pela mineração no Quadrilátero Aquífero-Ferrífero de Minas Gerais. As pesquisadoras Ana Paula Silva de Assis, Cristina Oliveira Maia e Lívia Echternacht, que integram o grupo, compartilham experiências da produção de conhecimento para mobilização social, licenciamento ambiental e defesa dos territórios.
Outra experiência em destaque é a do Quilombo Família Sanhudo, em Brumadinho, onde os moradores vivenciam dificuldades no abastecimento de água, alterações no modo de vida, danos ao patrimônio e problemas de saúde com as atividades minerárias na região. A comunidade conquistou uma importante vitória jurídica ao obter a suspensão do licenciamento ambiental de um empreendimento minerário no Pico dos Três Irmãos, fortalecendo a defesa dos territórios tradicionais frente ao avanço da mineração.
O encontro conta, ainda, com a participação de Carolina de Moura, do Movimento Águas e Serras de Casa Branca, e Meiry Aparecida Cruz, da Associação Comunitária da Jangada. As lideranças abordam a mobilização realizada diante da possibilidade de retomada das atividades da Mina da Jangada, localizada a poucos quilômetros da Mina Córrego do Feijão.
Participa também da conversa Josiane de Oliveira Melo, diretora da AVABRUM e irmã de Eliane de Oliveira Melo, uma das 272 joias homenageadas do espaço de memória. As experiências reunidas demonstram como a articulação comunitária pode fortalecer a defesa dos territórios e reconstruir vínculos coletivos em contextos marcados pelos impactos da mineração.
Para a diretora vice-presidente da Fundação Memorial de Brumadinho, Vanessa Vieira, que compõe a mesa na mediação, a programação evidencia que a defesa da vida e dos territórios depende da articulação entre memória, participação social e proteção ambiental.
“O Memorial Brumadinho nasceu da mobilização de pessoas que transformaram o luto em luta pela não repetição. Reunir experiências que demonstram a força das comunidades na defesa de seus territórios é uma forma de ampliar esse compromisso, mostrando que a preservação da natureza, da memória e dos modos de vida são causas inseparáveis”, afirma Vanessa Vieira.
Sobre o Memorial Brumadinho
Aberto em janeiro de 2025, o Memorial Brumadinho foi construído a partir da reivindicação da AVABRUM, associação que reúne familiares das vítimas do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em 2019, que causou a morte de 272 pessoas. Situado no local do rompimento, o museu-memorial abriga um bosque com ipês amarelos em homenagem a cada uma das vítimas fatais, um espaço meditativo, uma escultura-monumento, salas expositivas e um espaço dedicado à guarda digna e honrosa dos segmentos corpóreos das vítimas.



