Minas Gerais registra 295 processos de violência doméstica por dia
A Justiça de Minas Gerais recebeu 62.569 novos processos relacionados à violência doméstica contra a mulher entre janeiro e julho de 2026. Foram, em média, 295,14 ações por dia — mais de 12 a cada hora.
Os dados fazem parte de levantamento baseado no Painel de Violência contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em 2025, o estado ultrapassou a marca de 100 mil novos processos, com 101.930 registros. O resultado representa um aumento de 6,85% em relação aos 95.391 contabilizados em 2024.
Na comparação com 2020, quando Minas Gerais registrou 59.049 ações, o crescimento acumulado até 2025 chegou a 72,62%.
Em todo o Brasil, foram abertos 742.279 novos processos até julho de 2026, média de 3.501 por dia. O volume anual cresceu 89,09% em cinco anos, de 599.472 ações, em 2020, para 1.133.556, em 2025.
Para o advogado criminalista Fábio Tavolassi, parte desse avanço pode refletir uma maior procura das vítimas pelos canais de denúncia e proteção.
“O aumento pode indicar que mais mulheres estão reconhecendo a violência, procurando ajuda e denunciando os agressores. Hoje há maior divulgação da Lei Maria da Penha, das medidas protetivas e dos canais de atendimento. Com isso, situações que antes permaneciam escondidas começam a chegar à polícia e à Justiça”, explica.
O especialista ressalta que os registros judiciais não revelam toda a dimensão do problema, porque muitos episódios permanecem sem denúncia.
“Os dados do CNJ mostram apenas as situações que chegaram ao Judiciário. Muitos episódios não são denunciados e, por isso, ficam fora das estatísticas processuais”, afirma Tavolassi.
Medo, ameaças, dependência financeira ou emocional, vergonha e ausência de uma rede de apoio estão entre os obstáculos enfrentados pelas vítimas. Além disso, algumas mulheres demoram a reconhecer a violência quando ela não envolve agressões físicas.
“Por isso, o número real de vítimas pode ser muito maior”, acrescenta.
Ameaças e controle também são formas de violência
Comportamentos abusivos podem surgir antes das agressões físicas e se tornar mais frequentes ou graves com o tempo.
“A violência doméstica não começa somente com uma agressão física. Ameaças, humilhações, perseguição, controle do dinheiro, isolamento de amigos e familiares, invasão do celular, destruição de objetos e coerção sexual também precisam ser considerados”, alerta o advogado.
Essas condutas podem ocorrer durante o relacionamento ou continuar depois do término. A Lei Maria da Penha também pode ser aplicada a situações envolvendo ex-companheiros.
Em uma situação de risco imediato, a mulher deve buscar um local seguro e acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. O Ligue 180 funciona 24 horas por dia e orienta sobre direitos e serviços de atendimento.
“Se for possível, é importante guardar mensagens, áudios, fotografias, relatórios médicos e contatos de testemunhas. Esses materiais podem ajudar na investigação. No entanto, a mulhe