Novas exposições no MUMO e no MHAB revisitam trajetórias que marcaram a moda, a fotografia e a história brasileira
A Prefeitura de Belo Horizonte abre ao público, nos dias 25 e 26 de setembro, duas novas exposições que recuperam trajetórias marcantes da cultura e da história brasileira. No Museu da Moda de Belo Horizonte (MUMO), “Markito: Cintilações da Noite” revisita a obra e o universo criativo do estilista mineiro que ganhou projeção nacional e internacional entre as décadas de 1970 e 1980, e celebra os 10 anos de criação do Museu da Moda. Já o Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) apresenta “Mana Coelho: Fotopioneira”, mostra dedicada à fotógrafa que registrou importantes transformações políticas, sociais, urbanas e culturais de Belo Horizonte e de Minas Gerais.
As iniciativas, e todas as atividades que se desdobram delas ao longo do mês, integram a programação da 20ª Primavera dos Museus, realizada nacionalmente pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Todas as atividades são gratuitas e integram o projeto “Museus Centro – o percurso da memória de Belo Horizonte”, realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, em parceria com o Viaduto das Artes. A programação completa pode ser consultada no site do projeto e no Portal BH.
A presidenta da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof, destaca a importância da Primavera dos Museus e celebra o lançamento das duas novas exposições do MUMO e do MHAB. “A Primavera dos Museus é um convite para pensarmos justamente na pluralidade das histórias que os museus preservam e compartilham. Essas duas novas exposições ‘Markito: Cintilações da Noite’ e ‘Mana Coelho: Fotopioneira’, mostram como os acervos podem ganhar novos sentidos quando são colocados em diálogo com o público, seja pela redescoberta de uma trajetória artística, seja pela possibilidade de revisitar a história da cidade por meio das imagens de quem a acompanhou de perto”. É também motivo de grande alegria a comemoração, com essa nova exposição, dos 10 anos do Museu da Moda, equipamento municipal tão querido e importante para Belo Horizonte”, afirma Bárbara.
Para a diretora de museus da Fundação Municipal de Cultura, Isabela Guerra, as duas exposições reforçam a importância dos museus como espaços capazes de revisitar diferentes trajetórias e colocá-las em diálogo com a contemporaneidade. “Ao recuperar histórias como as de Markito e Mana Coelho, os museus reafirmam seu papel como lugares vivos de memória e também de reflexão sobre o presente. São duas histórias muito diferentes, construídas a partir da moda e da fotografia, que nos permitem compreender transformações culturais e sociais do país e reconhecer sujeitos e olhares fundamentais para a construção dessa memória”, afirma.
Markito: moda, liberdade e invenção
Paetês, franjas, bordados, fendas, decotes e tecidos fluidos. No final dos anos 1970 e início dos 1980, quando a noite se transformava em espaço de experimentação e liberdade, Markito fez dela passarela. É esse universo que ganha novos olhares em “Markito: Cintilações da Noite”, exposição que celebra os 10 anos de criação do Museu da Moda (MUMO) e revisita a trajetória e o legado de um dos nomes mais marcantes da moda brasileira. Suas criações vestiram algumas das principais artistas do país e fizeram da roupa um ponto de encontro com a música, o cinema, as artes cênicas e a vida noturna, traduzindo também as transformações culturais e comportamentais de uma época.
Nascido em Uberaba, em 1952, o mineiro Marcos Vinícius Resende Gonçalves, mais conhecido como Markito, produziu artesanalmente camisetas, trabalhou como freelancer e figurinista e passou uma temporada em Nova York antes de retornar ao Brasil, abrir seu próprio ateliê e se dedicar ao prêt-à-porter feminino e à moda festa. Foi especialmente na passagem dos anos 1970 para os 1980 que seu trabalho ganhou projeção nacional e internacional e se tornou indissociável dos universos disco e glam.
“A exposição é um convite para redescobrir o legado do estilista mineiro Markito e reconhecer sua relevância para a moda brasileira. Ao revisitar sua trajetória, a mostra também reafirma a importância de preservar a memória da moda como parte da história cultural do país. Desejo que esse reencontro desperte um olhar contemporâneo sobre suas criações e permita que sua obra continue a inspirar as novas gerações”, afirma Carolina Ladeira, uma das curadoras da mostra e coordenadora do MUMO.
“Markito: Cintilações da Noite” reúne roupas, fotografias, documentos, objetos e registros da imprensa. Entre os destaques estão fotografias de Antônio Guerreiro retratando personalidades como Betty Faria, Christiane Torloni e Gal Costa; o vestido de franjas inspirado em “O Grande Gatsby”; peças da coleção “The Party Must Go On”, de 1980; e dois figurinos criados para Ney Matogrosso no espetáculo “Mato Grosso”, de 1982.
A mostra recupera ainda aspectos menos conhecidos dessa trajetória. Markito valorizava o trabalho das bordadeiras de Uberaba e chegou a manter um ateliê com cerca de 150 funcionários, que produzia aproximadamente 300 vestidos por mês, além de exportar suas criações para os Estados Unidos. Outro núcleo apresenta a Markito Lipstick, marca criada em 1975 que se aproximava da moda jovem e propunha formas de vestir menos delimitadas pelas distinções tradicionais de gênero.

Abertura ganha oficinas, visitas e seminário
A abertura de “Markito: Cintilações da Noite”, no dia 25 de setembro, se desdobra em uma série de atividades que integram a 20ª Primavera dos Museus. A exposição estará aberta à visitação a partir das 10h. Às 14h, a oficina “Do Vestido à Coleção” parte de uma criação em preto e branco do estilista para experimentar elementos como silhueta, proporção, contraste, volume e detalhes. Às 15h, uma visita mediada apresenta a trajetória de Markito e as relações entre sua produção, seu tempo e diferentes formas de expressão.
Às 19h, o seminário “Moda para todas as pessoas: museus, corpos e memória” amplia as discussões propostas pela exposição. Os debates se organizam a partir de questões relacionadas à memória e aos apagamentos; aos ofícios, práticas e saberes; aos corpos, à acessibilidade e à inclusão.
A programação continua no dia 26. Às 10h, a oficina “Desatando a Gravata” convida os participantes a deslocar a gravata de seu uso tradicionalmente masculino e formal para experimentar sua transformação em golas, colares, faixas, cintos e outros objetos vestíveis. Às 14h, os designers de moda e bordadores Ana Andrade e Guilherme Avelino conduzem a “Oficina de Bordado em Meia-Calça”, dedicada à aplicação de bordados em pedraria sobre tecidos elásticos. Às 16h, uma nova visita mediada à exposição encerra a programação do dia.
E fechando as atividades do MUMO em setembro, acontece no dia 29, às 18h, a oficina “Memórias e Registros: Álbuns Fotográficos Artesanais”. A atividade convida os participantes a criar um álbum físico a partir de fotografias, textos e colagens e desdobra questões presentes na exposição. Para participar, é necessário realizar inscrição previamente por meio de formulário. A atividade é indicada para maiores de 18 anos e as vagas são limitadas.
MHAB abre exposição dedicada à trajetória da fotojornalista Mana Coelho
No dia 26 de setembro, às 14h30, o Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) abre a exposição “Mana Coelho: Fotopioneira”. Com curadoria de Álvaro Sales, Ana Paula Portugal e Mana Coelho, a mostra recupera a trajetória da fotógrafa entre as décadas de 1970 e 1980, período em que atuou em um campo profissional ainda majoritariamente masculino e fez de suas lentes testemunhas de importantes acontecimentos da vida política, social e cultural de Belo Horizonte e de Minas Gerais. O evento de abertura contará com uma roda de conversa aberta ao público, das 14h30 às 16h30, com os curadores da mostra.
Nascida em Recife, em 1957, Mana Coelho mudou-se ainda criança para Belo Horizonte e começou a se aproximar da fotografia durante a adolescência. Aos 19 anos, ao mesmo tempo em que ingressava no curso de Ciências Sociais da UFMG, passou a integrar o “Jornal dos Bairros”, periódico voltado especialmente às classes trabalhadoras de Belo Horizonte e Contagem. Mais tarde, atuou como fotógrafa independente para veículos como a revista “IstoÉ” e o “Jornal do Brasil” e, em 1981, foi contratada pelo jornal “O Globo”.
A exposição chama atenção, assim, não apenas para aquilo que suas imagens registraram, mas também para a mulher que esteve atrás da câmera e participou da construção das imagens pelas quais aquele período seria lembrado. A mostra permite ainda conhecer o cotidiano do fotojornalismo analógico, da preparação dos equipamentos à revelação dos negativos, produção das provas de contato, seleção e identificação das imagens e sua transmissão para as redações.
Adquirida pelo MHAB em 2005, a Coleção Mana Coelho reúne 18.690 itens, entre negativos, fotografias e provas de contato produzidos entre 1976 e 1986. Organizado em temas como política, manifestações, trabalhadores, condições urbanas, arte e cotidiano, o conjunto constitui hoje uma importante fonte para compreender Belo Horizonte e as transformações da sociedade brasileira no período.
Serviço:
Exposição “Markito: Cintilações da Noite”
Local: Museu da Moda de Belo Horizonte (MUMO) – Rua da Bahia, 1.149
Visitação: Quarta a domingo, das 10h às 18h
Entrada gratuita / Classificação: livre
25 de setembro
10h – Abertura para visitação
14h – Oficina “Do Vestido à Coleção”
Classificação livre / Inscrições por formulário
15h – Visita mediada
Classificação livre / Sem inscrição prévia
19h – Seminário “Moda para todas as pessoas: museus, corpos e memória”
Entrada livre e gratuita / Sujeito à lotação do auditório
26 de setembro
10h – Oficina “Desatando a Gravata”
Maiores de 18 anos / Inscrições por formulário
14h – Oficina de Bordado em Meia-Calça, com Ana Andrade e Guilherme Avelino
Maiores de 16 anos / Vagas limitadas / Inscrição prévia por formulário
16h – Visita mediada
Classificação livre / Sem inscrição prévia
29 de setembro (terça-feira), 18h
18h – Oficina “Memórias e Registros: Álbuns Fotográficos Artesanais”
Vagas limitadas / Inscrições por formulário / Classificação: a partir de 18 anos
Exposição “Mana Coelho: Fotopioneira”
Local: Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) – Avenida Prudente de Morais, 202 – Cidade Jardim
Visitação: Quarta a domingo, das 10h às 18h
Entrada gratuita / Classificação: livre
26 de setembro
14h30 – Abertura da exposição
14h30 às 16h30 – Roda de conversa com os curadores: Mana Coelho, Álvaro Sales e Ana Paula Portugal
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Endereços:
Museu da Moda (MUMO) – Rua da Bahia, 1.149 – Centro
Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte (MIS BH) – Avenida Álvares Cabral, 560 – Lourdes
Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) – Avenida Prudente de Morais, 202 – Cidade Jardim