A Escola de Artes Instituto Unimed-BH completa 20 anos em 2026, reafirmando a arte como instrumento de formação, convivência e transformação social. Desenvolvida na comunidade do Morro das Pedras, na região Oeste de Belo Horizonte, a iniciativa amplia o acesso de crianças e jovens a diferentes linguagens artísticas e contribui para a formação de novos talentos na dança e na música.
Em 2025, a Escola de Artes beneficiou 170 crianças e jovens, estudantes de 31 escolas, com aulas de percussão, ballet, jazz e danças urbanas. Além das atividades regulares, apresentações, ensaios, aulas abertas e reuniões envolveram cerca de 2,7 mil pessoas entre alunos e familiares. A iniciativa também gerou 23 postos de trabalho e renda diretos. São parceiros do Instituto Unimed-BH o Camaleão Grupo de Dança, o Grupo Cultural Arautos do Gueto e a Escola Municipal Hugo Werneck, onde as atividades são realizadas.
Ao longo dessa trajetória, a Escola de Artes consolidou um processo formativo que vai além das salas de aula, gerando demandas por novos espaços de desenvolvimento artístico, intercâmbio e circulação cultural. É nesse contexto que sua atuação se conecta ao Somos Comunidade, programa realizado pela Coreto Cultural e patrocinado pelo Instituto Unimed-BH. Há 12 anos, o Programa Somos Comunidade desenvolve ações de mapeamento, sensibilização, formação e apresentações artísticas, ampliando oportunidades para que experiências iniciadas em processos formativos alcancem novos públicos, fortaleçam caminhos e criem novas possibilidades de atuação no campo da arte e da cultura.
Um desses desdobramentos é o Grupo Somos, criado em 2024 como núcleo permanente de formação em dança e percussão. Voltado principalmente para jovens que desejam seguir aprofundando sua experiência artística, o grupo representa uma nova etapa dentro desse percurso. Assim, a Escola de Artes forma, o Somos Comunidade amplia e articula essas experiências e o Grupo Somos cria uma possibilidade concreta de continuidade para quem deseja permanecer nesse caminho.
Em 2026, essa conexão será marcada pelo espetáculo “Tudo que Move é Sagrado”, que reunirá mais de 400 artistas no Grande Teatro Palácio das Artes, no dia 27 de setembro, às 18h com entrada gratuita e retirada de ingressos pelo Sympla. A maioria do elenco é formada por alunos da Escola de Artes, integrantes do Grupo Somos e participantes do Programa Somos Comunidade. A apresentação será uma das expressões dessa caminhada coletiva, colocando no mesmo palco diferentes gerações, modalidades e etapas de formação. Mais do que reunir os alunos em uma comemoração, o espetáculo evidencia a continuidade de um trabalho que começa na formação, cria vínculos e abre caminhos para que novas gerações possam permanecer, se desenvolver e também transmitir adiante aquilo que aprenderam.

Escola que forma e transforma
Para muitos alunos da Escola de Artes Instituto Unimed-BH, o primeiro contato com a dança ou a música na infância se transformou, ao longo dos anos, em novas oportunidades de atuação. A jornada de Kamilla Martins Ferreira, de 19 anos, sintetiza esse movimento. Ela chegou à Escola de Artes em 2013, aos seis anos, depois de já ter iniciado a dança aos quatro. Desde então, passou por diferentes etapas de formação e construiu uma relação com a arte que hoje também se estende à atuação como educadora. Em 2016, recebeu uma bolsa para o Núcleo Artístico Savassi, onde aprofundou sua formação em jazz. Em 2021, começou como monitora na própria Escola de Artes. Depois de passar pelas etapas de monitoria e estágio, tornou-se professora assistente. Atualmente, também dá aulas de jazz em outras escolas e integra o Grupo Somos como bailarina. O percurso representa uma relação de confiança construída entre a instituição e os jovens que participam do projeto. “Eu acho que o que mais gosto é perceber a confiança que a escola teve em mim. É uma honra muito grande fazer parte da equipe e muito gratificante ver a confiança que a Escola de Artes tem em nós, alunos que estamos nesse processo de formação”, afirma.
A experiência de Kamilla revela uma das características do projeto, a possibilidade de o aluno permanecer conectado à escola à medida que cresce, assumindo novas responsabilidades e também compartilhando com outras gerações aquilo que aprendeu. “Quando você começa a ensinar aquilo que um dia aprendeu, começa a entender que tudo faz sentido, que nada foi em vão. Eu consigo transmitir tudo que já recebi. Tudo que sempre recebi de bom, minha vontade é passar ainda melhor para minhas alunas”, conta. Para ela, a disciplina construída desde a infância é um dos principais aprendizados que leva para a vida. “A rotina das aulas, o compromisso com os horários, o cuidado com o uniforme e a responsabilidade com as apresentações foram, desde cedo, ensinamentos que ultrapassaram o universo da dança”, explica.
A Escola de Artes também foi responsável por criar encontros e vínculos. No Grupo Somos, Kamilla passou a conviver mais intensamente com jovens de outras modalidades, aproximando bailarinos, percussionistas e artistas com trajetórias diferentes. “Eu acho que o Grupo Somos vem nesse lugar de esperança. De abrir portas para pessoas que talvez já estivessem começando a desistir da dança, achando que já estão velhas demais para isso, que não é mais o seu lugar. Para mim, é ver o meu trabalho seguindo, continuando, crescendo cada vez mais”, afirma.
Essa continuidade entre gerações também aparece na trajetória de Vinícius Romoaldo Ribeiro, que cresceu próximo à Escola de Artes acompanhando os pais, Fabiana e Renato, que integram o grupo Arautos do Gueto e às atividades da escola. Presente nesse ambiente desde pequeno, ele começou a tocar por volta dos oito anos e hoje concilia a percussão com a natação, esporte em que começou a competir em 2025 e já conquistou medalhas. Para Fabiana, as duas experiências se complementam na formação do filho ao desenvolver valores como concentração, respeito, responsabilidade e convivência coletiva. “Eu acho que a Escola de Artes representa para ele a formação de um bom cidadão, de poder contribuir com o outro, de ser responsável, de ser um jovem mais confiante nele e se preparar para os desafios”, afirma Fabiana Romoaldo.
Para Maria Inês Amaral, diretora artística da Escola de Artes, o principal legado dessas duas décadas está na transformação que a formação artística provoca para além da técnica. “Acredito que o maior legado desses 20 anos seja ter possibilitado que tantas crianças e jovens descobrissem, por meio da arte, a potência que existe dentro de cada um. A dança é uma ferramenta muito poderosa de construção de autoestima e confiança, mas, sobretudo, de autoconhecimento. Aos poucos, cada aluno aprende a reconhecer seus talentos, suas possibilidades e também seus limites. E essa consciência é algo que ele leva para a vida. Ao longo desses 20 anos, a Escola de Artes se tornou, para muitos, um lugar de pertencimento, de encontro e de descoberta. Talvez esse seja o maior legado: ter ajudado a formar pessoas mais conscientes de si, mais confiantes para enfrentar a vida e mais disponíveis para construir algo junto.”
Para Lilian Nunes, diretora artística e executiva da Coreto Cultural e responsável pelo Somos Comunidade, o Grupo Somos nasce justamente desse desejo de criar continuidade. “A Escola de Artes abre a porta para que crianças e jovens tenham contato e formação com a dança e a música, e o Somos Comunidade amplia esse percurso, criando novas possibilidades de convivência e circulação. É muito significativo acompanhar jovens que começaram esse caminho ainda crianças e hoje ocupam o palco, experimentam outras linguagens e começam a enxergar a arte também como uma possibilidade de futuro. O nosso papel é ajudar a construir essas pontes e garantir que o processo de formação não termine quando acaba uma etapa, mas possa se transformar em novos caminhos”, afirma Lilian Nunes, diretora artística e executiva da Coreto Cultural e responsável pelo Somos Comunidade.
“Temos muito orgulho de acompanhar e fortalecer iniciativas que demonstram, na prática, o poder transformador da arte. Ao longo de 20 anos, a Escola de Artes Instituto Unimed-BH vem criando oportunidades, revelando talentos e construindo vínculos duradouros com crianças, jovens, famílias e toda a comunidade. O Somos Comunidade amplia esse percurso e cria espaços para que essas experiências se desenvolvam, circulem e alcancem mais pessoas. Como idealizador da Escola de Artes e patrocinador do Programa Somos Comunidade, o Instituto Unimed-BH reafirma seu compromisso de incentivar o acesso à cultura, apoiar processos formativos e contribuir para o desenvolvimento social por meio da arte. Esse compromisso também reflete os valores da Unimed-BH, uma cooperativa com mais de 55 anos de história, construída a partir dos princípios da cooperação, do cuidado com as pessoas e da responsabilidade com as comunidades onde atua. Por isso, é muito significativo ver iniciativas como essas gerando impacto positivo e construindo um legado que se fortalece a cada nova geração”, afirma a presidente do Conselho do Instituto Unimed-BH, Mercês Fróes.
Grupo Somos
Criado em 2024 pelo Somos Comunidade, o Grupo Somos nasceu como um núcleo permanente de formação em dança e percussão e passou a oferecer uma nova etapa para jovens que já percorriam o caminho de formação da Escola de Artes. A proposta é criar oportunidades para que esses alunos aprofundem suas experiências, tenham maior contato com o palco e convivam com diferentes linguagens e modalidades.
Em 2025, o Grupo Somos circulou por sete festivais da Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Belo Horizonte, Contagem, Betim e Nova Lima, e participou das montagens “Herói” e “Recriar”, do Grupo Camaleão. Ao longo dessas experiências, alcançou um público de quase 6 mil pessoas.
Em 2026, o Grupo dá continuidade ao ciclo formativo e integra a programação comemorativa dos 20 anos da Escola de Artes e dos 23 anos do Instituto Unimed-BH. No espetáculo “Tudo que Move é Sagrado”, o Grupo Somos estará ao lado de alunos de diferentes modalidades da escola, além de outros grupos artísticos patrocinados pelo Instituto Unimed-BH.
Programa Somos Comunidade
Em ciclos alternados de mapeamento, sensibilização, formação e apresentações artísticas, o Programa Somos Comunidade envolve uma média anual de 1.000 agentes culturais (entre artistas e postos de trabalho) e já contemplou quase 65.000 pessoas de público direto presencial. Desde 2014, viabilizou mais de 50 atividades de sensibilização e formação artística, produziu espetáculos em palcos como o Palácio das Artes, o Sesc Palladium, os Parques Municipal Américo Renné Giannetti, Lagoa do Nado e Fernão Dias, além das Praças da Estação e de Santa Tereza. Em 2021, lançou o documentário “Não Há Sol a Sós”, gravado e encenado pelos moradores do aglomerado do Morro das Pedras. Nessa trajetória, contou com as participações de Lô Borges, Toquinho, Elza Soares, Carlinhos Brown, Mônica Salmaso, Fernanda Takai, Tizumba, Adrianna Moreira, Marcelo Veronez, Pedro Morais e Chama o Síndico.
Entre 2022 e 2023, o Somos Comunidade expandiu suas atividades para a cidade de Contagem, com oficinas presenciais sobre técnicas dos bastidores das artes cênicas e mostras no Parque Municipal Américo Renné Giannetti e no Parque Fernão Dias, com a coprodução de “A Máquina do Mundo” em parceria com o Instituto Cultural CircoLar (ICC). Em 2024, promoveu um Festival no Parque Municipal pelo Dia das Crianças, com a estreia do espetáculo “Somos Todos Um”. Em 2025, o Grupo Somos circulou por sete Festivais da região metropolitana, em Belo Horizonte, Contagem, Betim e Nova Lima, e participou de montagens do Grupo Camaleão. Em 2026, o Programa completa 12 anos de atividades e retorna ao Grande Teatro Palácio das Artes, no dia 27 de setembro, às 18h, para o espetáculo comemorativo dos 20 anos da Escola de Artes Instituto Unimed-BH.

