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Qual a baleia que dá nome a hospital em Minas Gerais? 

Quem mora em Belo Horizonte, especialmente na Região Leste e pelos arredores do bairro Saudade, certamente conhece o Hospital da Baleia. Mas afinal, justo em um estado que não tem mar, de onde essa Baleia surgiu?

Existem diferentes versões para a origem do nome da instituição filantrópica. Uma delas diz que o encontro das serras ao redor da antiga fazenda lembrava a cauda de uma baleia. Enquanto outra sustenta que a área de cerca de três milhões de metros quadrados, vista do alto, teria o formato do animal. Mas, como explica Tereza da Gama Guimarães Paes, presidente da Fundação Benjamin Guimarães, mantenedora do hospital, há uma terceira explicação.

“Nos terrenos existem diversas nascentes que formam córregos. Durante muitos anos, as crianças da região vinham brincar aqui, nos gramados e na mata, para pegar girinos. Então elas diziam umas às outras: ‘vamos lá pegar a baleinha’. Essa história foi passando de geração em geração e, para mim, é a versão mais fiel para a origem do nome”, conta.

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Foto Antiga do Hospital da Baleia – Arquivo

Além do nome

Mas, antes da curiosidade toponímica, o Hospital da Baleia compõe parte importante na história do estado e, em 4 de junho, completa 82 anos como uma das principais instituições filantrópicas de saúde de Minas Gerais. 

A instituição foi fundada em 1944 pelo industrial têxtil Benjamin Ferreira Guimarães para enfrentar o tratamento de crianças acometidas pela tuberculose. Incentivado pelo filho, o médico Antônio Mourão Guimarães, Benjamin doou 20 milhões de cruzeiros para erguer as instalações em um terreno pertencente à antiga Fazenda do Baleia, área situada na mata de mesmo nome e cedida pelo então governo do estado. 

O projeto integrava a Cruzada Mineira contra a Tuberculose e, para Tereza Guimarães, a trajetória da instituição é marcada pela capacidade de se reinventar sem perder sua missão original de acolher e cuidar. Ela lembra que, justamente em meio àqueles casos de tuberculose, o hospital foi criado para receber crianças doentes ou em risco de transmissão, oferecendo, além do tratamento, moradia, escola e um ambiente seguro para a recuperação. 

A chegada dos antibióticos, décadas depois, controlou a tuberculose no país e também obrigou o hospital a pensar sua permanência dali em diante. Na década de 1950, o Baleia se tornou referência nacional em ortopedia infantil, especializando-se no tratamento do pé torto congênito. Em 1977, foi pioneiro ao criar o primeiro curso de pós-graduação médica do Brasil nos moldes da residência médica atual. Em 1984, deixou de atender exclusivamente crianças e se consolidou como hospital geral. E, entre 1987 e 1990, tornou-se uma das primeiras instituições de Belo Horizonte a se integrar ao modelo que originaria o SUS.

Um hospital 100% SUS

Desde 2023, o Hospital da Baleia atua exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que consolidou sua vocação pública e filantrópica. Atualmente, oferece mais de 30 especialidades médicas – entre oncologia, ortopedia, nefrologia, pediatria, tratamento de fissuras labiopalatais e saúde da mulher – e atende pacientes encaminhados pelas secretarias municipais de saúde de todo o estado, com investimentos em tecnologia, ampliação da capacidade assistencial e qualificação da gestão.

A sustentabilidade da instituição, entretanto, depende de um esforço coletivo. Cerca de 25% da receita anual vem de doações de pessoas físicas, empresas e emendas parlamentares. “Nosso único cliente é o SUS. Estamos ampliando nossa capacidade de atendimento graças ao trabalho de uma equipe extremamente qualificada e ao apoio da sociedade. A solidariedade é essencial para que possamos continuar oferecendo assistência humanizada e gratuita para quem mais precisa”, destaca a presidente.

Quarta geração à frente da gestão

A virada do século trouxe profissionalização à fundação, sob comando da quarta geração da família fundadora. Bisneta de Benjamin Guimarães, Tereza assumiu a Diretoria Financeira em 1999 e, dois anos depois, a presidência, cargo que ocupa há mais de duas décadas.

Sob sua gestão, a instituição ampliou o ensino e a pesquisa, abriu novas frentes assistenciais, como o centro de referência em fissuras labiopalatais, o Centrare, inaugurado em 2004, e também investiu em programas de captação de recursos de longo prazo, como parcerias com redes de varejo mineiras e uma plataforma de voluntariado digital.

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