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Saúde mental masculina: como vencer os preconceitos e buscar ajuda

Saúde mental masculina: como vencer os preconceitos e buscar ajuda

A ideia de que homens devem ser fortes o tempo todo, não demonstrar sentimentos e resistir à dor emocional ainda é um obstáculo na busca por saúde mental. Apesar dos avanços nas discussões sobre cuidado emocional, muitos homens ainda enfrentam resistência — tanto interna quanto social — para reconhecer fragilidades e buscar ajuda psicológica. O resultado é preocupante: subnotificação de transtornos, agravamento de sintomas e aumento do risco de doenças graves, como depressão e até tentativas de suicídio. 

Segundo Murilo Assis, professor de Psicologia da Una, esse cenário está diretamente ligado à cultura machista. “A masculinidade passa a ser tóxica quando o homem cria a fantasia de que não pode adoecer e precisa ser sempre forte, enxergando a vulnerabilidade emocional como fraqueza”, afirma o especialista. 

Assis explica que essa visão enraizada compromete não só o bem-estar, mas também as relações interpessoais, o desempenho no trabalho e a qualidade de vida de forma geral. “Quando sentimentos são negados ou reprimidos, há aumento de doenças psicossomáticas, piora nos quadros de transtornos mentais e maior probabilidade de tentativa de autoextermínio”, alerta. 

Quando o corpo fala o que a mente não verbaliza

Mesmo quando não colocam em palavras o que sentem, os sinais de que algo não vai bem costumam aparecer no comportamento. “Mudanças como isolamento social, irritabilidade excessiva ou queda no desempenho ocupacional são indicativos de que a saúde emocional está comprometida”, pontua o psicólogo. 

Em muitos casos, o humor sarcástico e as piadas sobre terapia ou sentimentos funcionam como defesa. A dica do especialista é abordar o assunto com empatia, oferecendo informações e acolhimento sem julgamento. “A escuta ativa e a validação das emoções são fundamentais. É possível acolher sem ferir a autoestima ou a identidade masculina.” 

Quebrando o silêncio

Para mudar esse cenário, a psicoterapia é uma aliada importante. “Ela oferece escuta qualificada, ambiente acolhedor e recursos como o questionamento socrático, que ajudam o paciente a desenvolver autoconhecimento, autocontrole e bem-estar biopsicossocial”, explica Assis. A desconstrução, no entanto, não é apenas individual — ela passa por famílias, amigos, instituições de ensino e locais de trabalho. “É preciso combater o machismo por meio da educação emocional, promovendo campanhas e diálogos que valorizem a saúde mental como parte essencial do cuidado humano”, reforça. 

Embora se fale mais sobre o tema hoje em dia, o especialista lembra que nem sempre há diferença entre gerações: jovens e adultos mais velhos também podem compartilhar bloqueios semelhantes, dependendo de sua vivência, contexto cultural e ambiente de formação. Por isso, a mudança deve ser coletiva e contínua. 

“Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Reconhecer que se precisa de apoio é o primeiro passo para reconstruir o que significa, de fato, ser homem”, conclui. 

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