As Suraras do Tapajós chegam a Belo Horizonte com o espetáculo “Suraras do Tapajós – Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência”. O show acontece no Autêntica, no dia 11 de setembro, às 20h, integrando a circulação nacional do primeiro grupo de carimbó formado exclusivamente por mulheres indígenas no Brasil.
Vindas de Alter do Chão (PA), em Santarém, território do povo Borari, as Suraras do Tapajós levam ao palco uma apresentação que mistura celebração, ritual e manifesto, conectando música, dança e práticas ancestrais. O espetáculo reúne canções autorais, referências à tradição paraense e elementos que reafirmam a relação dos povos indígenas com a natureza, as águas e seus territórios.
No repertório, o grupo apresenta músicas do álbum “A Força Que Vem das Águas – Kiribasáwa Yúri Yí-Itá” e singles mais recentes, além de referências a mestres do carimbó, como Dona Onete.
A sonoridade parte do carimbó tradicional, com curimbós, maracas feitas de cuia, banjo e violão, além de arranjos vocais marcados pela alternância entre solista e coro. A dança também ocupa lugar central na apresentação, com coreografias que convidam o público a participar e integrar a roda que se forma no palco.
Em cena, as artistas se apresentam descalças, com grafismos de jenipapo, saias artesanais, cocares, biojoias e outros adornos indígenas. O espetáculo incorpora ainda o tradicional banho de cheiro com ervas medicinais, prática ancestral amazônica ligada à cura, proteção e bem-estar, ampliando a dimensão ritual e sensorial da apresentação.
O Nheengatu, idioma utilizado até hoje no Baixo Tapajós, também se faz presente em falas e músicas, reforçando o compromisso do grupo com a preservação dos saberes originários. Ao ocupar um gênero tradicionalmente marcado pela presença masculina, as Suraras ampliam, por meio da música, o protagonismo das mulheres indígenas e a defesa de seus territórios.
“Sempre que subimos num palco, representamos nosso povo e nossa região: somos um território encontrando outros”, afirma Val Munduruku, artista e ativista socioambiental do povo Munduruku, gestora pública, maracaeira e backing vocal, além de presidente da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, da qual o grupo musical faz parte.
A passagem das Suraras por Belo Horizonte também inclui atividades gratuitas de formação e troca com o público. No dia 10 de setembro acontece uma roda de conversa, das 19h às 20h, seguida de uma oficina de carimbó, das 20h30 às 22h30. As atividades serão na sede do Grupo Aruanda, no Centro.
A apresentação em Belo Horizonte integra a maior turnê da trajetória das Suraras do Tapajós, que passa por 12 cidades brasileiras ao longo de 2026, ampliando o alcance de sua atuação artística e política em defesa dos territórios, das mulheres e dos povos indígenas.
Depois de circular pela Europa, com apresentações na França, em Portugal e na Finlândia, além do Canadá, e de integrar a programação da COP30, em Belém, o grupo segue agora em turnê pelo Brasil. Após São Paulo e Rio de Janeiro, a turnê passa por Belo Horizonte, Fortaleza, Ouro Preto, Manaus, Boa Vista, João Pessoa, São Luís, Salvador, Natal e Rio Branco.
Em cada cidade, o projeto também articula ações formativas e de diálogo com os públicos locais, fortalecendo o intercâmbio entre os saberes indígenas e diferentes territórios brasileiros.
O projeto é realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Petrobras e realização da Alter do Som, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Serviço | Suraras do Tapajós em Belo Horizonte
Data: 11/09/2026
Local: Autêntica
Endereço: Rua Álvares Maciel, 312, Santa Efigênia – BH
Horário: 20h (abertura da casa)
Venda: via Shotgun (ainda não foi disponibilizado)
Oficina de Carimbó
Local: Sede do Grupo Aruanda – Rua Espírito Santo, 757 – Centro
Data: 10/09
Horário: 20h30 às 22h30
Participação Gratuita
Roda de Conversa
Local: Sede do Grupo Aruanda – Rua Espírito Santo, 757 – Centro
Data: 10/09
Horário: 19h às 20h
Participação Gratuita


