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Testes moleculares identificam risco hereditário e alterações que orientam o tratamento do câncer de mama

Os avanços da biologia molecular têm ajudado a compreender o câncer de mama antes e depois do diagnóstico. Atualmente, testes com diferentes tecnologias aplicadas permitem identificar, por meio de análises de sangue, saliva e tecido, as alterações genéticas herdadas que aumentam o risco da doença e, em pacientes já diagnosticadas, revelar características do tumor que ajudam a orientar o tratamento.

É o que explica Arthur Silva, gerente regional de Diagnósticos de Precisão para a América Latina na QIAGEN. Segundo ele, enquanto a mamografia identifica alterações suspeitas e a análise do tecido retirado por biópsia confirma o diagnóstico, os testes moleculares complementam essa investigação com informações relevantes para avaliar a propensão à doença, assim como características únicas de cada caso.

“Tumores de mama podem apresentar características moleculares diferentes, mesmo quando parecem semelhantes em outros exames. Conhecer essas diferenças ajuda a entender a doença e, em determinados casos, identificar tratamentos direcionados às alterações encontradas. Diante dos mais de 78 mil casos previstos entre mulheres para este ano, somente no Brasil, entender essas possibilidades ajuda a esclarecer o papel dos exames no cuidado”, aponta Silva.

O que os genes revelam sobre o risco e a doença

Arthur Silva explica que a investigação do risco hereditário pode ser feita de forma não invasiva, com amostras de sangue ou saliva. “Uma das tecnologias utilizadas é o sequenciamento de nova geração, conhecido como NGS, que permite analisar vários genes ao mesmo tempo. Os genes contêm instruções para o funcionamento das células e podem apresentar alterações transmitidas de pais para filhos”, destaca.

Entre os genes investigados estão BRCA1 e BRCA2, que ajudam a reparar danos ao DNA. Algumas alterações prejudiciais nesses genes aumentam a probabilidade de desenvolver câncer de mama. Nem toda alteração, porém, representa maior risco: o resultado precisa ser interpretado por profissionais qualificados, considerando também o histórico pessoal e familiar.

“Identificar uma alteração hereditária que aumenta o risco pode orientar um acompanhamento mais intensivo e medidas para reduzir essa possiblidade, além de trazer informações relevantes para familiares. Mas predisposição não é diagnóstico, a pessoa pode ter essa alteração e nunca desenvolver câncer”, afirma Silva.

Depois do diagnóstico, o sequenciamento também pode ser aplicado ao tecido do tumor. Nesse caso, a análise busca alterações nas células cancerígenas que possam ajudar na escolha dos medicamentos. Embora possam utilizar a mesma tecnologia, os exames têm objetivos diferentes: investigar o risco herdado ou conhecer melhor o câncer já identificado.

Como o sangue pode ajudar durante o tratamento

As características do tumor podem mudar ao longo da doença, inclusive com o surgimento de alterações que reduzem a resposta aos medicamentos. Em situações específicas, a biópsia líquida permite investigar essas mudanças por meio de uma amostra de sangue, na qual são procurados fragmentos de DNA liberados pelo tumor.

“Em alguns casos de câncer de mama avançado tratado com terapias hormonais, por exemplo, o exame pode identificar alterações no gene ESR1 associadas à resistência a determinados medicamentos. Essa informação ajuda a equipe médica a avaliar outras opções de tratamento”, destaca o especialista da QIAGEN.

Para investigar esses fragmentos, podem ser utilizadas tecnologias como o NGS e a PCR digital, ou dPCR. Enquanto o NGS analisa vários genes, a dPCR procura e mede alterações específicas, mesmo quando aparecem em pequenas quantidades. A escolha depende do que se pretende investigar e da capacidade de cada exame.

“A biópsia líquida pode trazer informações sobre mudanças ocorridas depois da análise inicial do tecido e apoiar a reavaliação do tratamento. Sua interpretação exige cuidado, porque a quantidade de DNA tumoral no sangue varia. Um resultado negativo não exclui uma alteração que possa estar presente no tumor”, explica Silva.

Pesquisadores também investigam outros sinais no sangue, como o RNA, para detectar a doença mais cedo. Mas essas abordagens ainda dependem de validação clínica e não substituem a mamografia. “Quanto mais conhecemos o risco e as características da doença, mais informações temos para fundamentar o cuidado. Esses avanços ganham valor quando seus resultados são integrados à avaliação clínica e aos demais exames, considerando a situação de cada paciente”, conclui Silva.

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