Com a queda das temperaturas em Belo Horizonte e o avanço dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, especialistas alertam para a maior vulnerabilidade dos idosos às complicações respiratórias durante o outono e o inverno. Dados recentes do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que Belo Horizonte está entre as capitais brasileiras em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG, com tendência de crescimento nas últimas semanas. O cenário reforça a importância da prevenção, especialmente entre pessoas com mais de 60 anos.
Segundo a médica geriatra cooperada da Unimed-BH, Bárbara Correa, o envelhecimento natural do organismo reduz a capacidade de resposta do sistema imunológico, tornando os idosos mais suscetíveis a infecções respiratórias e aos agravamentos decorrentes dessas doenças. “Com o envelhecimento, ocorre a imunossenescência, que é a redução da eficiência do sistema imunológico. Além disso, muitos idosos convivem com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos, que podem ser descompensados por uma infecção respiratória aparentemente simples”.
De acordo com o levantamento da Fiocruz, em 2026 já foram registrados mais de 51 mil casos de SRAG no Brasil. Entre os vírus identificados, destacam-se influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e Covid-19. O boletim chama atenção para o fato de que, embora a incidência seja maior entre crianças pequenas, a mortalidade continua mais elevada entre idosos, especialmente em casos relacionados à influenza A e à Covid-19.
Entre as complicações mais frequentes em idosos estão a pneumonia bacteriana secundária, quadros de sepse (infecção generalizada) e o agravamento de doenças cardíacas e renais, podendo evoluir para falência múltipla de órgãos.
Vacinação aliada na prevenção de casos graves
A vacinação continua sendo a principal estratégia de proteção para a terceira idade. Bárbara Correa reforça que manter o cartão vacinal atualizado é fundamental para reduzir internações e óbitos. “As vacinas ajudam a preparar o organismo para responder melhor às infecções. Para os idosos, são essenciais as vacinas contra gripe, Covid-19, pneumocócica e vírus sincicial respiratório”.
Além da imunização, cuidados simples no ambiente doméstico podem contribuir para reduzir riscos durante o período mais frio do ano. Entre as recomendações estão manter os ambientes ventilados, garantir boa hidratação, adotar alimentação equilibrada, higienizar frequentemente as mãos e manter uma rotina de atividades físicas compatível com os limites de cada pessoa.
A médica também alerta para os sinais de agravamento que exigem atendimento imediato. “Falta de ar, queda na saturação de oxigênio, pressão baixa, cansaço extremo, prostração e confusão mental repentina são sintomas de alerta e precisam de avaliação médica rápida”.
O avanço das doenças respiratórias em Minas Gerais acompanha um cenário nacional de maior circulação viral neste período do ano. Segundo a Fiocruz, o estado apresenta sinais de interrupção do crescimento dos casos de SRAG, mas Belo Horizonte ainda permanece entre as capitais em situação de atenção epidemiológica.



